31 agosto, 2011

Problemas de autoestima

___– Sim, Doutor, eu sei que eu não devia ligar para isso. A aprovação dos outros não deveria ser tão importante assim. Mas, o senhor tem de entender, eu sou professor, é importante saber a opinião dos alunos. Eles gostarem ou não de uma aula pode fazer diferença no aprendizado.
___– Continue...
___– Só que eu tenho receio que essa busca por aprovação tenha resultados devastadores, Doutor. Você nem imagina o que eu encontrei, noutro dia, buscando pelo meu nome no Twitter.
___– ...
___– É, o senhor não deve mesmo imaginar. Espere um pouco que eu mostro para você. Não, não... pode ficar aí sentado... eu sei ligar o computador. Ah... você não quer que eu mexa no seu computador, né? Acha que um paciente não deve tomar essas liberdades. Mas, Doutor, pense comigo: você cobra por hora, se eu me demorar usando o computador, você vai trabalhar menos e receber o mesmo tanto. O senhor só sai ganhando. E, olha aí... já tá ligado mesmo.
___– ...
___– Doutor, o senhor ainda usa o Explorer? Que coisa horrível... E essa internet lenta? Com o tanto que você cobra a consulta, não dava para assinar uma um pouquinho mais veloz?
___– Senhor Trida, o assunto desta consulta não sou eu. Por favor, continue o que o senhor estava me contando.
___– Já consegui acessar, Doutor. Veja só, você consegue imaginar o que acontece com a minha autoestima quando eu entro no Twitter, digito meu nome e vejo isso. Venha ver, Doutor. Se o senhor comprasse um monitor mais novinho – não este trambolho – eu poderia virá-lo para que o senhor pudesse ver...
___– Senhor Trida...
___– Ah, sim, sim... Estamos aqui para falar de mim. É verdade. Bem, leia aqui, Doutor. Olhe o que eu encontrei.


Matar aula?


___– Viu, Doutor? Uma estudante, que não é minha aluna, chamou a outra para cabular a 3ª aula. Aquela que é minha aluna recusou, dizendo que tinha a minha aula, que não é só uma simples aula, é “A AULA DO TRIDA”, e falou com letras maiúsculas – e até colocou uma exclamação no fim! Você viu, Doutor? Meus alunos acham minha aula tão boa, que convidam quem quer cabular aulas de outros professores para verem as minhas. Não é fantástico, Doutor?
___– Então, senhor Trida, acho que o seu problema é vontade de querer se mostrar. Voc...
___– Não, Doutor, não é nada disso. Se eu quisesse me mostrar, eu publicaria esses tweets no meu blog. Falando do meu blog, Doutor, contei que os acessos estão maiores a cada dia?
___– Senhor Trida, realmente eu acredito que você precisa de um sério tratamen...
___– Opa, Doutor. Olha a hora! Acho que nossa hora de consulta semanal terminou. Puxa vida, como o tempo corre, né? E falando de correr, tenho de sair agora, sabe como é, né? Compromissos... Uma vida muito agitada. Mas, não se preocupe, Doutor, na semana que vem estarei de volta. Preciso contar para o senhor como eu satisfaço a minha esposa. Vou até trazer umas gravações dos gemidos... Até semana que vem.

29 agosto, 2011

A Beleza Ideal: candidatas africanas a Miss Universo

___Queridos leitores, prestem atenção. Olhem que lindas as candidatas africanas à mulher mais linda do mundo.


Leila Lopes - Angola
Leila Lopes - Angola
Bokang Montjane - África do Sul

Bokang Montjane - África do Sul
Sara El Khouly - Egito

Sara El Khouly - Egito
Larona Motlasi Kgabo - Botswana

Larona Motlasi Kgabo - Botswana
Erica Nego - Gana

Erica Nego - Gana
Sophie Gemal - Nigéria

Sophie Gemal - Nigéria
Nelly Kamwelu - Tanzania

Nelly Kamwelu - Tanzania
Laetitia Darche - Ilhas Maurício

Laetitia Darche - Ilhas Maurício


___Fabulosas, não? Sem a menor dúvida, são lindíssimas. Só não digo que são perfeitas porque vi um pequeno defeito em todas: elas não são brancas. Mas, pelo menos chegam perto.


###


___Em 2009, quando o meu amigo Alex Castro estava publicando sua maravilhosa série sobre racismo, chamei-o no MSN. Eu havia acabado de receber um link com as capas da Playboy dos últimos 13 anos e achei que valia a pena mostrar a ele. “tá. pq vc me mandou isso?”. “Por conta da sua série sobre raça.”, respondi, “Você já contou quantas negras aparecem nas capas da revista?”.
___Poucos dias depois, o Liberal Libertário Libertino tinha mais um ótimo texto sobre racismo. A reação dos leitores foi a mesma do restante da série: reagiram como se não houvesse nada de errado com 13 anos de Playboy com quase nenhuma negra na capa. A única pessoa que devia ter algo de errado lá era o Alex – que olhou treze anos de capas de revista de mulher pelada e ao invés de se masturbar, pensou em racismo.*


###


___Depois de contar a historinha do post do Alex, eu já dei a dica. Sem voltar a olhar as fotos acima, tentem lembrar: quantas das misses têm o cabelo crespo?
___Conseguiram lembrar? São oito mulheres, todas da África. Várias delas são de países abaixo do Saara, a África Negra. E então? Quantas têm cabelo crespo? Sete? Metade?
___Acertou quem pensou em nenhuma. O máximo que aparecem são cabelos cacheados. Nenhuma, mas nenhuma mesmo com um cabelo com características negroides.


Cabelo Afro


___Acham que eu sou um implicante? Então voltem e olhem bem para as moças. Percebam como praticamente todas elas têm características físicas mais próximas de pessoas brancas. Mais ainda, vejam como até aquelas que são mais negras, ainda assim o são com uma tonalidade de pele mais clara. Pele realmente escura nem existe.
___Antes que alguém retruque algo, já digo: não perceber preconceito no fato de que o padrão de beleza de apenas um tipo humano é considerado bonito, não importando a região do mundo, é uma das características mais tristes e cruéis do racismo.


__________
* Cúmulo do gentil, o Alex, em nenhum dos momentos em que foi agredido, esboçou dizer que eu é que tinha visto aquelas capas e apontado o ponto.

23 agosto, 2011

Exames

___Fazer exames médicos não é exatamente o que se pode chamar de experiência relaxante. Mal consigo pronunciar o nome de alguns, imaginem, então, saber o que diabos irá acontecer neles.
___Para os médicos, enfermeiros e afins, a situação é bem mais confortável: não só eles escolheram estar ali, como, também, recebem e imaginam bem o que irá acontecer. Tanto que não é incomum vê-los bastante à vontade, enquanto alguns pobres pacientes se contorcem de receios. O costume com a situação permite, inclusive, que alguns profissionais da saúde conversem com bastante desenvoltura com os pacientes ou entre si.
___Infelizmente, pude presenciar, dia desses, um par de profissionais de saúde bem à vontade em sua conversa.


###


Local: Sala de exame.
Personagens: Enfermeiro novinho, enfermeira veterana e paciente assustado (vulgo eu).
Cena: Paciente, sentado em uma mesa na sala de exame, aguardando ansiosamente. Entram o enfermeiro e a enfermeira conversando.
ENFERMEIRO: ... e foi assim a noite inteira.
ENFERMEIRA: E hoje você ainda veio trabalhar?
ENFERMEIRO: O que se pode fazer, né? [Voltando-se para o paciente.] Bom dia.
PACIENTE: Bom dia. [Responde, procurando sorrir.]
ENFERMEIRO: Levante a manga da camisa.
ENFERMEIRA [Para o enfermeiro, enquanto pega alguns materiais.]: Como foi naquela atividade prática que você estava nervoso?
ENFERMEIRO: Foi fácil. O professor colocou todo mundo em trio. Não precisei fazer nada.
ENFERMEIRA: (risos) E o resultado daquela prova que você disse que precisava estudar quando estávamos no happy hour?
ENFERMEIRO [Respondendo para a enfermeira, enquanto enfiava uma agulha no braço do paciente.]: Nessa eu f...
PACIENTE: Aaaa...
ENFERMEIRO [Para o paciente.]: Aguenta que logo acaba. [Voltando para a enfermeira.] Putz, você não sabe... Fui mal para caramba. O professor ficou em cima e não deu para colar. Ô inferno.
PACIENTE: Aaaa...
ENFERMEIRO [Para o paciente.]: Ops...


###


___Estar em uma sala de exame já botam a gente comovido como o diabo vulnerável. Sentir dor só torna a situação pior. Agora, vulnerável, tomando agulhadas doloridas e ainda ouvir o carrasco dizer que nem está estudando corretamente na faculdade, deveria dar aos pacientes o direito de legítima defesa. Amorosamente, eu teria lhe enfiado uma agulha no olho.


#####


P.S.: Antes que algum leitor pergunte sobre o meu braço, digo: este texto ficou na gaveta por um tempão. Ainda não o achei bom o bastante para sair de lá, mas uma crônica recente do Mauro Castro acabou me animando a contar a história. Segue o trecho que me inspirou.




Depois da primeira picada da anestesia, Aline falou em voz alta o que deveria apenas ter pensado: ‘devia ter usado uma agulha mais fina...’. Azar, seguiu picando com aquela agulha mesmo, que mais parecia um prego. Vendo que a colega tinha dificuldades, outro jovem residente veio observá-la. Quando Aline finalmente conseguiu terminar o primeiro ponto, seu colega a encorajou: ‘o próximo vai ficar melhor, tu consegue!’. Ai, ai, ai.


19 agosto, 2011

Número ideal de caracteres

___Toca o celular. Era o editor de uma revista que havia me solicitado um artigo.
___– Maravilhoso o seu texto! Adorei tudo o que você escreveu.
___– Que bom. Obrigado.
___– Mas, eu não falei para você que eu queria apenas 2500 caracteres?
___– Éééé... Falou... – respondi, diminuindo o tom da voz.
___– E por que você ultrapassou o limite, oras?
___– Foi necessário para o texto ficar melhor, para fechar bem meus argumentos. Você mesmo não disse que ficou bom assim? Que adorou tudo o que eu escrevi?
___– Sim, falei... – dessa vez, o editor é que foi diminuindo o tom da voz enquanto respondia.
___– Se você adorou tudo, então você adorou os 2500 e, também, os outros caracteres. E olha que foram a mais sem cobrar nada extra por isso. Aproveite.


#####


P.S.: Como extra (algo bem próprio deste texto), fica um pequeno conto do Almirante Nelson.

16 agosto, 2011

Super Mario Lindy

___Tudo o que eu não sou obrigado a fazer, eu faço porque gosto, porque me divirto. É exatamente por isso que, quando vou dançar, corro sempre para os estilos mais divertidos. O caso mais característico é o lindy hop.
___Cheio de firulas, pulos e graças, o lindy costuma permitir uma liberdade muito grande aos dançarinos, fazendo da dança um território fértil para brincadeiras. Não é à toa que, em um campeonato importante como o Camp Hollywood, Morgan Day e Emily Wigger, um casal de dançarinos, pôde apresentar, sem nenhuma restrição, uma coreografia vestidos de Mario e Luigi.


[embed width="500"]http://www.youtube.com/watch?v=KWgCJqCfdBg[/embed]


___Para quem gosta de games e brincou com os Irmãos Mario, é bem fácil perceber as referências aos jogos e suas inserções na música. O interessante é que, mesmo acrescentando movimentos próprios do videogame, a coreografia manteve as movimentações clássicas do lindy hop.
___Para um público acostumado com as brincadeiras do lindy, mesmo sem uma qualidade técnica impecável, a diversão proporcionada pela apresentação justifica completamente a reação das pessoas* – que aplaudiram mais o Morgan e a Emily do que os primeiros colocados.


#####


P.S.: Quem quiser ver uma coreografia de lindy, toda brincada, feita aqui no Brasil, pode dar uma olhada no passeio de trem de Felipe e Ellen Trizzi.


[embed width="500"]http://www.youtube.com/watch?v=ixQbiir40sw[/embed]


__________
* Sei que em um dos meus últimos textos sobre dança eu critiquei as reações exageradas do público – que acabam impedindo que se escute direito a música e, portanto, que se aprecie completamente a dança. No entanto, o inusitado da coreografia realmente justificou a agitação.

13 agosto, 2011

Dia do Orgulho Ereto – Respostas

___Publiquei o texto “Viva o Dia do Orgulho Heterossexual!” sabendo que eu teria que me deparar com dois grupos que me desagradam: os bobos clássicos que só leem o título e os imbecis preconceituosos. O que eu não esperava era encontrar, poucos dias depois, alguns ótimos vídeos da Wanda Sykes respondendo praticamente todos os “argumentos” preconceituosos que eu tive de escutar. Aproveitem.


httpv://www.youtube.com/watch?v=EMMrd6D1vjA
httpv://www.youtube.com/watch?v=bPp6es8W72U
httpv://www.youtube.com/watch?v=geQIeugGrak

12 agosto, 2011

Melancolia e humor

___Existe gente que, mesmo melancólica, tenta mostrar para os outros o mundo à sua maneira.


Rua (Vida) sem saída


___E sem deixar de usar um pouco de humor.

09 agosto, 2011

O vício da paternidade

___Estamos nos aproximando do dia dos pais. Quanto mais perto chegamos, maior acaba sendo o número de anúncios, reportagens e relatos sobre o tema. De lojas a blogs, da imprensa aos comentários de famílias, cada dia mais se falará no assunto, até o domingo, dia da catarse coletiva.
___De todas as falas sobre o assunto, quase a totalidade (com exceção daquelas que criticarão o caráter comercial da data) será de comentários meigos. Claro, nada contra os comentários doces sobre o dia dos pais –, adoro meu pai e ele merece ouvir incontáveis elogios. Mesmo assim, para sair um pouco da abordagem monotemática, achei que valia a pena mostrar alguns comentários negativos sobre pais.


###


___Na ficção de Admirável Mundo Novo, algumas personagens, vivendo em uma sociedade futurista “perfeitamente organizada” criticam alguns vícios do passado, como, por exemplo, as famílias.




___– Era uma vez – começou o Diretor quando Nosso Ford ainda estava neste mundo, um rapazinho chamado Reuben Rabinovitch. Reuben era filho de pais de língua polonesa. – O Diretor interrompeu-se: – Suponho que sabem o que é o polonês, não?
___– Uma língua morta.
___– Como o francês e o alemão – acrescentou outro, exibindo com zelo seus conhecimentos.
___– E "pais"? – perguntou o Diretor de Incubação e Condicionamento.
___Fez-se um silêncio embaraçado. Vários rapazes coraram. Ainda não tinham aprendido a fazer a distinção, importante mas por vezes muito sutil, entre a indecência e a ciência pura. Um deles, por fim, teve a coragem de levantar a mão.
___– Os seres humanos, antigamente, eram... – Hesitou; o sangue subiu-lhe às faces. – Enfim, eram vivíparos.
___– Muito bem. – O Diretor aprovou com um sinal de cabeça.
___– E quando os bebês eram decantados...
___– Nasciam – corrigiu ele.
___– Bom, então, eram os pais... isto é, não os bebês, está claro; os outros. – O pobre rapaz estava atrapalhadíssimo.
___– Em uma palavra – resumiu o Diretor – os pais eram o pai e a mãe. – Essa indecência, que, na realidade, era ciência, caiu com estrépito no silêncio daqueles jovens, que não ousavam olhar-se. – A mãe – repetiu ele em voz alta, para fazer penetrar bem fundo a ciência; e, inclinando-se para trás da cadeira, disse gravemente: – São fatos desagradáveis, eu sei. Mas é que a maioria dos fatos históricos são mesmo desagradáveis.
___(...) (Pois é preciso lembrar que, naqueles tempos de grosseira reprodução vivípara, os filhos eram sempre criados pelos pais, e não em Centros de Condicionamento do Estado.)



___É falando novamente sobre o assunto que, pouco depois, se faz uma das melhores piadas do livro. Outra personagem, ensina aos estudantes:




___– Nosso Ford – ou nosso Freud, como, por alguma razão inescrutável, preferia ser chamado sempre que tratava de assuntos psicológicos – Nosso Freud foi o primeiro a revelar os perigos espantosos da vida familiar. O mundo estava cheio de pais – e, em conseqüência, cheio de aflição; cheio de mães – e, portanto, cheio de toda espécie de perversões, desde o sadismo até a castidade; cheio de irmãos e irmãs, de tios e tias – cheio de loucura e suicídio.



___Claro que é um modo de ver as famílias que a própria obra vai criticar. Mesmo assim, achei que era digno de nota pouco antes de uma data festiva.


###


___E, para quem não se divertiu com a citação, fica uma extra – do Calvin.


Pais e Filhos

04 agosto, 2011

Viva o Dia do Orgulho Heterossexual!

1ª Parada do Orgulho Hétero


___Leitores queridos, é hora de festejar! A cada dia está mais perto de Carlos Apolinário, vereador pelo DEM, conseguir aprovar o projeto de lei que criará, em Sampa, o Dia do Orgulho Hétero. Nesta semana, a Câmara Municipal de São Paulo já aprovou o projeto e, agora, só falta o prefeito Gilberto Kassab sancioná-lo. Com um pouco de sorte, talvez esse seja o passo que falta para que o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) consiga aprovar esse glorioso dia como oficial para o calendário do Brasil inteiro.


Bandeira do Orgulho Hétero


Bandeira do Orgulho Hétero – em tons de cinza


___Já imaginaram que coisa maravilhosa? Talvez depois disso, finalmente homens e mulheres heterossexuais poderão sair às ruas de mãos dadas, beijar em público, frequentar lojas, shoppings e motéis sem que os preconceituosos gays os impeçam. Que lindo! Provavelmente isso vai até ajudar a impedir que héteros continuem a ser agredidos (às vezes até a morte) por conta de sua opção sexual.


___Nenhum hétero perderá mais o emprego por gostar de alguém do sexo oposto. Heterossexual algum será mais achincalhado por preferir o sexo diferente. Se tivermos sorte, talvez até mesmo os religiosos parem de falar de heterossexualismo como se fosse uma doença, um pecado mortal.


___Meus leitores amados, o momento é de festa! Pegue sua camiseta 100% Branco e saia às ruas. Quem sabe essa gloriosa mudança seja o prenúncio de novos tempos, talvez agora a humanidade comece a caminhar nos trilhos corretos. Agora é esperar e torcer. Se tudo continuar assim, aposto que faltará pouco para que aprovem, também, cotas nas universidades públicas para jovens da Classe A e a Lei Mário da Lapa, para proteger os homens da violência doméstica feita por suas esposas.


###


Orgulho Hétero


Orgulho Hétero


Orgulho Hétero


Orgulho Hétero

01 agosto, 2011

Piadas internas

___Explicar uma piada é sempre um pouco triste. Tal qual uma mágica revelada: é interessante saber como o truque foi feito, mas a magia se perde; é bom entender a piada, mas a graça não é a mesma. Mesmo assim, eu me diverti muito com duas piadas internas e achei que valia a pena citá-las – e explicá-las – aqui.


###


___A primeira, é uma piadinha de dança de salão.
___Zouk, para quem não sabe, é um estilo de dança bastante provocante e sensual. Cheio de esfregadas de corpo, mãos beirando o limite do proibido (por vezes até ultrapassando esse limite), parceiros bem colados. Pois bem, feita essa pequena introdução, segue a piada:




___O rapaz chega ao hospital todo arrebentado.
___– Como é que você conseguiu se machucar dessa maneira? – questiona, curiosa, a enfermeira.
___– Simples: Eu estava dançando zouk com a minha namorada e o pai dela apareceu na sala. Assim que nos viu, o homem pegou uma cadeira e me encheu de porrada.
___– Credo! O pai dela é maluco?
___– Não. Ele é surdo.



###


___A segunda piada talvez precise de mais explicações do que eu vou dar. Mesmo assim, segue abaixo.
___A Etesp, escola em que eu leciono, divide as classes da mesma série em letras gregas: 1º alfa, 1º beta, 1º gama, etc.. Sai um pouquinho dos padrões dos colégios atualmente, mas costuma divertir os alunos – que acabam não só conhecendo um pouquinho do alfabeto grego, como, também, identificando-se com as letras nos campeonatos interclasses e afins.
___Segundo ponto: como leitura de férias, escolhi para os meus alunos do terceiro colegial o Admirável Mundo Novo, do Aldous Huxley. Dadas as informações básicas, mostro a piada.
___Ontem, o @etespdepressao, um twitter anônimo, provavelmente administrado por um aluno, publicou provocativamente:


Admirável Mundo Novo e ETESP


___Se algum leitor não entendeu a piada, aconselho que leia o Admirável mundo novo. Mais explicações, desculpem-me, eu não vou dar. Sou um professor: posso até mastigar piadas, mas contar o que acontece em uma obra literária já é pedir demais.

Site Meter