31 dezembro, 2011

Desejo de Ano Novo

___Como desejos de ano novo podem ser bonitinhos, mas não costumam ajudar ninguém a porcaria nenhuma, fica meu desejo de que, em 2012, meus leitores descubram um talento novo. Nem que seja para ajudá-los a tornar a vida mais divertida.
___Como inspiração, deixo um link para o ilustrador (e fantástico redator de e-mails) Luis Di Vasca e um vídeo com Naomi Uyama, deixando bem claro o que é ter mais de um talento.


[embed width="550"]http://www.youtube.com/watch?v=ntSS5pZJgzM[/embed]


___São os sinceros desejos deste blogueiro – que adora ensinar História, dar aulas de dança, escrever, editar, dançar, planejar atentados à Casa Branca, coreografar, pesquisar e arrumar novas e divertidas atividades.


28 dezembro, 2011

Ulisses e seu autor

___– Professor Trida!
___Em meio a um passeio por uma livraria, um aluno me encontra entre as estantes. Após os cumprimentos básicos ele me pede ajuda sobre um autor.
___– Qual é mesmo o nome do autor do Ulisses?
___– Homero. Só que os gregos costumam chamá-lo de Odisseu.


Odisseu


___– Não esse Ulisses...
___– Ah, tá! Você quer saber do livro Ulisses? O autor é o James Joyce.
___– Não... O Ulisses de agora.
___– Eu mesmo? Por conta do pseudônimo que eu uso no meu blog? –, questionei, bastante intrigado.
___– Também não. O Ulisses dos quadrinhos.
___– Ah... o Ulisses do André Dahmer?
___– Isso! Esse mesmo!


Ulisses, de André Dahmer


___Foi bom ter ajudado o estudante. Mesmo assim, fiquei pensando se eu era mesmo o cara mais indicado para responder a questão “Qual é mesmo o nome do autor do Ulisses?”.

25 dezembro, 2011

Cartinha natalina

Querido Vovô Noel,


___Neste ano de 2011 eu fui um bom menino. Fiz o meu trabalho direito, ajudei o próximo, não fiz maldades e até parei de assistir televisão para não correr o risco de ver o Rafinha Bastos.
___Pensei em pedir como presente o fim da fome no mundo, a paz mundial, o término dos horrores causados pelos automóveis ou a eliminação da pobreza, mas eu já tentei isso em outros anos e você me ignorou solenemente. Já me toquei que, apesar da roupa vermelha que nossa família usa como uniforme, nós vivemos para o consumismo e, portanto, ideais comunistas passam bem longe daqui. Tá certo, eu já devia ter percebido isso pela forma como exploramos a força de trabalho dos duendes, mas você sabe que aquela queda de cabeça do trenó quando eu era apenas Filho Noel me deixou meio lentinho.
___Deixando minhas divagações de lado, lembrando que fui um bom menino neste ano e que pedidos esquerdistas não serão atendidos, resolvi pedir algo mais simples para o meu natal. Melhor de tudo, vou dar um prazo grande para o senhor: o ano inteiro.
___Eu gostaria imensamente que os filmes que forem produzidos sobre o natal em 2012 arrumassem outro problema para o Clã Noel que não fosse sobre contratempos na entrega dos presentes. Esse tipo de roteiro está mais manjado do que filme com o Chuck Norris matando todo mundo (até o câmera) porque pisaram no rabo do cachorro dele.
___Tanta história mais interessante para contar. Podiam fazer uma comédia romântica contando o caso que eu tive com aquela elfa da fábrica de presentes. Um suspense contando a história do serial killer Tatatatatatatatatatatatatatataravô Noel, que usava uniforme preto na Idade Média e, ao invés de distribuir presentes no dia 25, resolveu matar as pessoas nos outros 364 dias do ano – e acabou conhecido como Peste Negra. Talvez um documentário histórico sobre moda, contando como adotamos nosso uniforme vermelhinho básico.
___Por favor, Vovô Noel, eu quero muito que os filmes natalinos de 2012 mudem de assunto. E já vou avisando, se você não me entregar o presente que estou pedindo, vou começar a espalhar por aí que você não existe. Esteja avisado.


Carinhosamente,


Papai Noel.


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P.S.: Aproveitando a piadinha sobre comunismo que eu fiz acima, fica outra que eu vi por aí e que muito me divertiu.


Santa Marx

23 dezembro, 2011

Caricatura e não-caricatura

___Caricaturas costumam enfatizar características, defeitos, hábitos e, por conta disso, divertem e chegam a ser mais interessantes de se ver do que as próprias fotos das pessoas. Lucas Leibholz é um caricaturista de mão cheia. Não foi à toa que seu trabalho sobre Muamar Kadafi lhe valeu o segundo lugar no 38º Salão Internacional do Humor de Piracicaba.


Muamar Kadafi, por Lucas Leibholz


___Entretanto, os efeitos de caricaturas podem se inverter em pessoas extremamente caricatas. É o caso do feiíssimo Noel Rosa. Na caricatura de Leibholz, o Poeta da Vila ficou melhor do que era na realidade.


Noel Rosa, por Lucas Leibholz


___De todos, o trabalho que eu mais gostei mesmo foi o feito em cima de uma figura que já é, em si, uma horrenda caricatura. Líder de uma instituição reacionária e injusta, pessoa que já defendeu o nazismo e que é conivente com a pedofilia, o Imperador Palpatine papa Bento XVI merecia um retrato fiel a esse ponto. Obrigado, Lucas.


Papa Bento XVI, por Lucas Leibholz
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P.S.: Aproveitando meu ataque doce e sutil a Joseph Alois Ratzinger, deixo como extra o informativo vídeo “O que é a Igreja Católica”, de Louis CK.


[embed width="550"]http://www.youtube.com/watch?v=BbBN53SzOEs[/embed]

21 dezembro, 2011

Jogo de pé

___Apresentar uma boa coreografia leva apenas alguns minutos. Entretanto, aqueles minutinhos, para que pudessem acontecer, consumiram meses de trabalho dos dançarinos entre pesquisa, escolha da música, montagem da coreografia e infindáveis e repetitivos treinos. Para quem assiste a apresentação, só há o deleite.
___Só que, mesmo com muito cuidado e treino, algo pode dar errado e colocar tudo a perder. No meio da coreografia, o som pode falhar, a cortina pode descer fora de hora, o lustre pode cair no público ou o tênis de um dos dançarinos pode desamarrar.


Gastón Fernández - tênis desamarrado


___Foi o que aconteceu no mais importante evento de lindy hop do país neste ano. No meio da apresentação de Gastón Fernández e Tina Rizza, o tênis do Gas desamarrou. Deem uma olhada na coreografia toda (o cadarço começa a ficar solto por volta de 1’50”):


[embed width="550"]http://www.youtube.com/watch?v=NDtTN-uEUBM[/embed]


___Do mesmo jeito que um detalhe como um cadarço desamarrado pode desconcentrar, levar o dançarino ao chão, em suma pode estragar uma coreografia, a presença de espírito de contornar o problema só faz o espetáculo ser mais espetacular.


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P.S.: Para quem se interessa por lindy hop, é bom lembrar: Gastón e Tina são os organizadores do mais importante festival de swing da América Latina, o LHAIF* – que vai acontecer daqui a pouco, entre 5 e 8 de janeiro de 2012, em Buenos Aires. Mais informações aqui.


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* Lindy Hop Argentina Internacional Festival.

18 dezembro, 2011

Eles não são como Nós

___A versão paulistana dos movimentos de questionamento da situação de desigualdade que o Capitalismo tem causado, como o Occupy Wall Street, é o Acampa Sampa/Ocupa Sampa. Só o fato de questionarem situações de desigualdade, por tentarem fazer algo, já me faz olhar para o movimento com olhos mais simpáticos.
___Foi exatamente por isso que, enquanto o Ocupa Sampa esteve acampado no Vale do Anhangabaú, toda vez que eu passava pela região, eu esticava o meu caminho para olhar o acampamento. Agora, infelizmente, isso não é mais possível, pois, primeiro, o movimento resolveu tornar-se itinerante e, pouco depois, foi “desacampado” pelas forças policiais (que, mais uma vez, chegou a agir irregularmente).
___Expressa minha simpatia pelo Acampa Sampa, também acho importante fazer uma reflexão. Reflito, vale dizer, relatando minha mais longa visita ao acampamento do Anhangabaú. O dia foi 14 de novembro; a desculpa para sair de casa foi a aula pública do professor Pablo Ortellado.


Acampa/Ocupa Sampa - Aula
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___Bem acompanhado de meu amigo Caio (e tendo visto por lá um moço que eu posso jurar que era o Renato Rovai), aproximei-me do local em que a aula aberta iria acontecer. A ideia da palestra foi bem interessante, Ortellado associou o que tem acontecido na USP com o livro Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio, de Nicolau Maquiavel. Mesmo com alguns problemas, como a falta de eletricidade que impediu o uso do microfone, a aula valeu bem a pena.
___Minha crítica não é, obviamente, a uma aula aberta. Acho fabuloso que o Ocupa Sampa organize eventos como esse. Queria, sim, falar de algo que aconteceu depois da palestra.


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___Assim que a aula terminou, Ortellado abriu para perguntas. Mal tinham sido feitas as primeiras perguntas, uma senhora veio, bastante exaltada, falar com o público. No início da aula, policiais começaram a chegar ao local e essa senhora foi uma das pessoas que saiu do acampamento e passou todo o tempo discutindo com eles. Agora, bastante exaltada, ela vinha pedir o apoio do restante do grupo.


___– Gente, ajudem. A Polícia veio aqui retirar o pessoal de lá!


___O “pessoal de lá” eram os moradores de rua.  O grupo do Ocupa Sampa montou suas barracas debaixo da ponte, em uma extremidade do Viaduto do Chá. Por conta da companhia, da distribuição de comida ou com a esperança de que a Polícia não os importunasse, alguns moradores de rua montaram, do outro lado do Viaduto, alguns barracos.


___– Gente, eu não sei qual é a opinião de vocês; a minha é que eles estão conosco e que não podemos deixar a Polícia levá-los. –, continuou a senhora.


___Quem estava vendo a aula aberta começou a levantar. Iniciou-se uma mobilização de pessoas prontas para reagir para defender o próximo de alguma forma. “E aí?”, “Vamos lá!”, “Junta todo mundo!”. Quando todos já estavam de pé e parecia que algo iria acontecer, uma moça veio do meio das barracas falando alto:


___– Peraí! Palavra de ordem! Os moradores de rua não fazem parte do nosso grupo. Aqui nós estamos lutando contra o Capitalismo. Eles não estão aqui por isso. Além do mais, a Polícia já avisou que não pode ter madeira por aqui – por conta do risco de incêndio – e os barracos deles têm madeira. Sem contar que entre os moradores de rua vivem crianças e nós não podemos ter crianças em um movimento como o nosso, é crime, seria aliciamento de menores. Ah... e não esqueçam que vocês sabem que com eles rola drogas, têm uns dependentes sérios, é complicado. Defendê-los iria sujar o nosso movimento. Não podemos nos meter.


Apartidários


___Assim que ela acabou de falar, ninguém mais questionou. Quem eu achei que iria reagir, pareceu ter mudado de ideia; inclusive a senhora que veio pedir ajuda. Sem muita demora, as pessoas voltaram a sentar e as perguntas sobre a aula aberta voltaram como se nada tivesse acontecido. Uma aquiescência silenciosa.


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Capa da invisibilidade


___Acompanhar essa cena muito me entristeceu. Mesmo dividindo o mesmo espaço, ainda que fisicamente um pouco separados, ficou claro que grande parte das pessoas que estavam por lá pensam que existe uma boa diferença entre “Nós” e “Eles”. “Nós”, os revolucionários, os politizados, aqueles que estão lutando contra o Sistema. “Eles”, que estão perto, mas não partilham da nossa luta. “Eles”, os ignorantes. “Eles”, os pobres. “Eles”, que não são como “Nós”.
___Perceber a existência de uma mentalidade classista, que também exclui os que mais sofrem na luta de classes, é um tanto estranho para pessoas que estão lutando contra o sistema capitalista. Talvez fosse importante que grupos como o do Ocupa Sampa tivessem bem claro por quem eles estão lutando antes de derrubar um mundo de desigualdades para, simplesmente, estabelecer outro.


Papai Noel não existe
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P.S.: Aproveito para contar algo que, para mim, foi um mezzo happy end. Quando os moradores de rua viram que não teriam apoio do pessoal do Acampa Sampa, rapidamente, sem grande alarde, aproveitaram a distração dos policiais, organizaram-se e desapareceram, deixando os barracos para trás. Achei impressionante a organização (ou o costume) deles para resolver problemas com policiais e voltarem rapidamente ao nomadismo.

14 dezembro, 2011

Trânsito de fim de ano

pira12102009


___Lembrete para todo mundo que vai começar a reclamar agora do trânsito do fim do ano:


Você é o trânsito


___“Você não está preso no trânsito. Você é o trânsito.”.

10 dezembro, 2011

O Pianista do Paraíso

___Andando por São Paulo, com sorte, é possível encontrar alguns “pianos-públicos” – instrumentos que ficam disponíveis para quem quiser sentar e tocar. Quase sempre que passo por algum lugar que sei que conta com algum disponível, dou uma pequena esticada na rota para ouvir se encontro alguém interessante tocando. Tenho, inclusive, o meu músico preferido, o Pianista do Paraíso.
___Já o encontrei umas boas três vezes. A mais interessante delas foi a primeira.
___Fazendo baldeação na estação Paraíso, ouvi a música que o Gênio da Lâmpada canta quando é libertado pelo Aladdin.* Aproximei-me do piano e fique vendo o rapaz tocar. Assim que terminou, simpático, ele se virou e perguntou se eu havia gostado.
___– Sim – respondi –, adoro trilhas sonoras de desenhos. É do Aladdin, não?
___– Opa, você reconheceu? É isso mesmo! Chama “Friend like me”. Adoro o compositor. É um cara genial chamado Alan Menken. Já que você gosta...
___Ele voltou para o piano e tocou outra música do Aladdin. Também reconheci. Animado, ele forçou a cabeça e foi mudando de desenhos. Passou para A Bela e a Fera, A Pequena Sereia e até Cavaleiros do Zodíaco.
___Como a brincadeira com músicas de desenhos estava nos divertindo, indiquei os vídeos do DeStorm, inclusive um recente à época, sua oitava versão dos Soul-Toons.


[embed width="550"]http://www.youtube.com/watch?v=UXuBMISXzhc[/embed]


___O Pianista do Paraíso também o conhecia. Ficamos uma boa meia-hora trocando músicas e referências. Pena que eu não tinha uma parceira para dançar naquela hora.
___Quando perguntei, o pianista disse que não se apresenta em lugar nenhum. Nem toca suas músicas pela rede. Para vê-lo, segundo ele, só mesmo vasculhando pelas estações de metrô. Desde então, sempre que sei que vou passar pelo Paraíso, saio um pouco mais cedo para ver se o encontro.


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* Um ótimo lindy hop, vale dizer.

07 dezembro, 2011

Perturbada...

___Como o cotidiano é lugar para bizarrices, dia desses, no metrô, encontrei um conhecido que, por anos, namorou uma amiga minha. Com ela, tenho contato frequente até hoje; ele, que só conheci por causa do namoro, encontrei, vez ou outra, em reuniões de amigos em comum.
___Como estávamos indo para a mesma direção, fizemos a mesma baldeação, conversamos por um bom tempo. Todos os assuntos pareciam convergir para minha pobre amiga. Um deles, a narração de um sonho que o rapaz teve, foi o que mais me deixou impressionado.
___– Acredita que, outro dia, eu sonhei com ela? Sonhei que ela era um espírito que aparecia para me assombrar. Eu falava que a perdoava por toda a chateação que ela havia me causado e que ela poderia descansar em paz no Além.
___Sem saber o que dizer, respondi com um mal articulado “Ah...”. Foi o bastante para empolgar o reflexão do sonhador.
___– Meu, dá para acreditar? Faz 7 anos que o namoro terminou e eu sonhei com ela! Achei que aquela mulher chata não ia me largar e agora aparece no meu sonho. Ainda bem que ela sumiu da minha vida real. Não quero mais vê-la de jeito nenhum. Ela é muito perturbada. Você não acha? Heim?


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___Raciocinem comigo. Depois de 7 anos que o namoro acabou o cara não para de falar sobre a mulher, sonha com ela, relata um sonho todo espiritual (embrulhadinho para qualquer maluco religioso* ou ignorante metido a psicólogo interpretar) e vem me dizer que a moça que é perturbada?


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___Sem solução melhor, mudei bruscamente de assunto e desci na estação seguinte. Preferi a companhia do meu livro.


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* Perdoem-me pelo pleonasmo.

05 dezembro, 2011

Workshop de Lindy Hop, em Sampa

___Para quem riu de mim quando anunciei um evento de swing que eu queria muito ir, mas não podia por conta da distância, faço, agora, uma leve desforra.
___Os melhores organizadores de eventos de lindy hop da cidade, os HopAholics, já começaram a anunciar mais um workshop. Reservo a data e deixo o anúncio.


Workshop HopAholics

01 dezembro, 2011

Brasil Swing Out Extravaganza

___Há 70 anos, o mais famoso grupo de dançarinos de swing da história, os Whitey’s Lindy Hoppers, veio para o Brasil. Por causa da II Guerra Mundial, a visita de seis semanas se transformou em uma longa estadia de 10 meses.
___Hoje, para o êxtase de um dançarino-historiador como eu, Norma Miller, única integrante viva dos Whitey’s Lindy Hoppers, estará de volta ao Brasil. Ela e diversos professores internacionais estarão no Rio de Janeiro em um fabuloso evento de swing chamado Brasil Swing Out Extravaganza.


[embed width="550"]http://www.youtube.com/watch?v=EmnCQ2KxAxQ[/embed]


___Infelizmente a minha conta bancária de recém-casado, minhas obrigações como professor em final de ano e as algemas que minha esposa colocou nos meus calcanhares me impedem de ir para o evento. De qualquer modo, para quem gosta de swing, é uma oportunidade esplendida.
___Deixo aqui os meus desejos sinceros para que tudo funcione maravilhosamente bem no evento e que aconteça algo menos trágico que uma guerra mundial para manter a Norma Miller no Brasil por outros 10 meses.

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