09 maio, 2007

Sabendo provocar

_____Existem diversas formas de se provocar, de incomodar nossos adversários. Entretanto, às vezes, os adversários são quase que intocáveis e, portanto, uma das formas que muito me agrada de aporrinhá-los é a da crítica nas entrelinhas. É algo para lá de válido criticar alguém sem que o criticado tenha um mínimo de noção do que está acontecendo. Até falei um pouco disso no meu artigo “Como se fosse...”, sobre o conto “Mariana”, de Machado de Assis.

_____Hoje, o papa Bento XVI chegou ao Brasil. Não o admiro nem um pouco, tanto pelo seu passado, como pelas suas atitudes presentes. Acredito que não sou o único. Não duvido, por exemplo, que o Leonardo Boff até tenha uma foto do papa atrás da porta, na qual ele atira dardos.

_____Diga-se de passagem, o Leonardo Boff é exatamente parte do assunto. Boff, para quem não sabe, foi um dos principais entusiastas da Teologia da Libertação aqui no Brasil. A Teologia da Libertação tinha como uma de suas principais prioridades os excluídos e ela foi bastante desmantelada graças ao então cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento XVI.

_____Nem eu, nem o Leonardo Boff tem como incomodar muito o papa nesta visita. Entretanto, Helvécio Ratton, querendo ou não, jogou sua pedrinha ao dirigir Batismo de Sangue. O filme Batismo de Sangue, lançado há poucas semanas, foi baseado no livro homônimo de Frei Betto e conta a história do próprio Frei Betto, de Frei Tito e outros dominicanos, simpatizantes da Teologia da Libertação, lutando contra a ditadura militar. Sabem? Simpatizantes daquela mesma Teologia da Libertação arrasada por Bento XVI.

_____Lançar o filme perto da visita é, sem dúvida, uma ótima crítica... indireta.

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