17 novembro, 2014

Cegueira política

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___Reza a sabedoria popular que o amor é cego. Infelizmente, não é só o amor fofinho, de pessoas querendo ficar juntas, que não enxerga. O amor político, mesmo que apenas momentâneo, também é cego. As recentes eleições proporcionaram inúmeros exemplos disso. 
___No segundo turno, a horda raivosa anti-PT parecia mesmo ver em Aécio Neves o salvador da pátria, um exemplo de político. Pobres ceguetas, preferiram não ver o quanto o mandato de senador do candidato do PSDB foi, para dizer o mínimo, vergonhoso. Mas, como não tem muita graça bater em cachorro drogado morto, vou mudar o lado da crítica. 
___Entre aqueles que queriam ver Dilma reeleita, também surgiram casos bem tristes. Vou citar dois exemplos que eu acho particularmente deletérios.

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___No primeiro turno, o jornalista Pedro Sanches publicou a seguinte foto:


___Junto à imagem, os seguintes dizeres: “passeata. sem black bloc. sem anonymous. sem PM. sem gás lacrimogêneo. #SãoJoséDosCampos”.


___Claro que o comentário pode ter sido feito por pura má fé, mas, com minha boa fé, prefiro acreditar que foi feito por pura cegueira política. A boa imagem que o jornalista tem do Partido dos Trabalhadores, do Lula, da Dilma e/ou do Padilha* acabou cegando-o. 
___Como o objetivo do texto é ser didático, vamos à análise. 
___Para começar, é importante perceber as diferenças entre um protesto e uma passeata de campanha política. Uma carreata política obviamente costuma ser pacífica, conta com personalidades, não planeja atrapalhar ninguém (o objetivo é angariar apoio, não criar adversários). Manifestações, por outro lado, lutam diretamente contra algo, o objetivo delas muitas vezes é incomodar alguém (como o trânsito ou um patrão). A Polícia Militar, mesmo muito mal preparada, não é tão sem noção a ponto de jogar gás lacrimogêneo em uma carreata que, além de tudo, contava com a presença de um ex-presidente e do prefeito da cidade
___Vale também lembrar que os partidários dos Anonymous ou os praticantes do black bloc foram duramente – e criminosamente – reprimidos pelo governo do PT** durante a Copa do Mundo de futebol. É bem provável mesmo que muitos deles não tenham aparecido. Mas, apesar da fala do Pedro Sanches, não dá para saber se esses tipos de manifestantes estavam lá apoiando o PT ou não.
___É importante dizer: é completamente compreensível que alguém tenha orgulho dos governos do PT, o que não é admissível é que a pessoa ignore completamente os crimes contra os Direitos Humanos que o Partido dos Trabalhadores ajudou a perpetrar. Pior ainda, é fechar os olhos para os absurdos e ainda criminalizar manifestações populares no próprio discurso. Manifestações, vale sempre lembrar, que o PT defendeu durante todo o seu passado. 

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___Na competição para o acontecimento mais vergonhoso do primeiro turno das eleições presidenciais, fulgurou bem colocado as mudanças de posição da candidata Marina Silva. Um dos exemplos tristes foi a “rusga” entre Marina e o pastor Silas Malafaia. A candidata chegou a mudar seu programa de governo depois de algumas ameaças feitas pelo pastor no Twitter



___Por conta da acirradíssima disputa entre Aécio Neves e Dilma Rousseff no 2º turno, muitos eleitores de Dilma acabaram se apaixonando novamente pela candidata petista. Agora, ainda na euforia da vitória, esses mesmo eleitores começaram a compartilhar memes como esse: 


___É engraçadinho. Só que também é tristemente ingênuo. Ou cego mesmo.
___Os primeiros quatro anos de governo da presidenta Dilma não foram, nem de longe, anos de conquistas políticas para os LGBTs. E as poucas conquistas com certeza não vieram do Poder Executivo Federal. 
___Só para lembrar um exemplo importantíssimo, foi o governo da presidenta Dilma que barrou o Kit anti-homofobia. E barrou exatamente por conta das pressões da Direita, dos parlamentares conservadores, da bancada evangélica.
___Portanto, caros eleitores recém (re)apaixonados pela presidenta Dilma, a memória curta de vocês lhes pregou uma peça. A Dilma cedeu sim, recuou sim na luta contra a homofobia.*** Resta é saber se vai continuar reacionária – e violenta – assim no segundo mandato. 

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Nota extra in-topic: O Rafucko, o fofo da foto acima, foi uma das coisas mais lindas dessas eleições.

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* Então candidato a governador. 
** Não só pelo governo do PT, vale lembrar. O governo estadual do PSDB, aqui em São Paulo, e o do PMDB, no Rio de Janeiro, também adotaram práticas criminosas contra as manifestações. O governo federal do PT omitiu-se diversas vezes e apoiou a violência governamental em algumas outras. 
*** Diga-se de passagem, recuou fazendo comentários homofóbicos.  

13 novembro, 2014

Manoel de Barros (1916-2014)

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___Hoje morreu Manoel de Barros. Dono de uma prosa bem característica, estranha de dar orgulho. Uma prosa poética. 
___Já falei dele aqui no Incautos em duas outras oportunidades e aproveito o triste acontecimento, para indicar o livro dele que mais gosto, o Memórias Inventadas - A Infância
___Deixo, também, o "Parrrede!", o meu conto preferido do Manoel de Barros. 

Quando eu estudava no colégio, interno,
Eu fazia pecado solitário.
Um padre me pegou fazendo.
– Corrumbá, no parrrede!
Meu castigo era ficar em pé defronte a uma parede e
decorar 50 linhas de um livro.
O padre me deu pra decorar o Sermão da Sexagésima
de Vieira.
– Decorrrar 50 linhas, o padre repetiu.
O que eu lera por antes naquele colégio eram romances
de aventura, mal traduzidos e que me davam tédio.
Ao ler e decorar 50 linhas da Sexagésima fiquei
embevecido.
E li o Sermão inteiro.
Meu Deus, agora eu precisava fazer mais pecado solitário!
E fiz de montão.
– Corumbá, no parrrede!
Era a glória.
Eu ia fascinado pra parede.
Desta vez o padre me deu o Sermão do Mandato.
Decorei e li o livro alcandorado.
Aprendi a gostar do equilíbrio sonoro das frases.
Gostar quase até do cheiro das letras.
Fiquei fraco de tanto cometer pecado solitário.
Ficar no parrrede era uma glória.
Tomei um vidro de fortificante e fiquei bom.
A esse tempo também aprendi a escutar o silêncio
das paredes.

___Sério mesmo, leiam o Memórias Inventadas - A Infância. E escutem bem o silêncio

28 outubro, 2014

Separatismo Já!

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___A revolução já está preparada. Temos a revolução do Brasil, não [há] recursos para subjugar um levante, que é preparado ocultamente, para não dizer quase visivelmente. Até a deserdação, que dizem já estar combinada. Arrisquei tudo por minha Pátria. Fique e faça do Brasil um reino feliz, que é hoje escravo das Cortes despóticas.
___Senhor, ninguém mais do que sua esposa deseja sua felicidade e ela lhe diz em carta, que com esta será entregue, que deve ficar e fazer a felicidade do povo brasileiro, que o deseja como seu soberano, sem ligações e obediências às despóticas, que querem a escravidão do Brasil.
___Fique, é o que todos pedem, para orgulho e felicidade do Brasil.
___E, se não ficar, correrão rios de sangue, nesta grande e nobre terra.
 

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___Texto de 1/IX/1822. Adaptado* da carta de José Bonifácio de Andrada e Silva a d. Pedro. 
___Essa foi uma das cartas que dom Pedro recebeu, perto das margens do rio Ipiranga, em 7/IX/1822. Foi um dos documentos que ajudou a convencer o príncipe regente a proclamar a separação do Brasil de Portugal. A imagem do Aécio Neves antes da carta é apenas um efeito visual para ajudar a dirigir o olhar dos leitores. 


___A separação do século XIX, a independência do Brasil perante Portugal, foi extremamente importante. Foi algo que realmente ajudou a moldar o nosso futuro. Mesmo com seus defeitos, defendê-la parece, até hoje, algo bem justificável. 


___Agora, defender o separatismo, após uma eleição democrática, é de uma ignorância sem limites. Pura síndrome preconceituosa de um mal perdedor


___Quase consigo ver o Rodrigo Constantino falando: “No Meu Brasil todo mundo vai estar tão cheio de caviar que vai poder usá-lo até para xingar os outros.”. Opa... 

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* Cortei a introdução da carta, além de inúmeras referências a Vossa Alteza e a Portugal. Texto completo aqui. 

26 outubro, 2014

Tatuagem e etiqueta

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___Pouco depois de entrar no vagão do metrô, percebo um stuka (um bombardeiro de mergulho alemão) tatuado na perna de um rapaz. Inclino a cabeça e começo a olhar, impressionado, os detalhes da aeronave.  


___Depois de alguns segundos, o rapaz se aproxima e, falando alto, diz:
___– Kekifoi?! Tô com algum problema, brother
___Só então percebi que, além de dono de uma tatuagem interessante, o moço era extremamente forte. Tremendo e pensando como era bom andar de metrô sem sangrar, respondi:
___– Eu estava olhando a sua tatuagem do stuka... Achei muito boa...
___Para o meu alívio, ele abriu um sorriso enorme.
___– Porra, brother, você gostou? Legal, né? Adoro tattoos de guerra. Olha essa aqui. – falou o rapaz virando de costas e levantando a camiseta para mostrar uma luger enorme, tatuada com tantos detalhes quanto o stuka. 


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___Esse pequeno relato serve de introdução para que eu faça uma pequena pergunta aos leitores: qual é a etiqueta para se olhar a tatuagem de alguém?


___Entendo perfeitamente que cada pessoa é dona do seu próprio corpo e que ninguém tem o direito de invadir a privacidade de alguém sem a devida permissão. Mesmo assim, até mesmo pelo caso tresloucado que acabo de descrever acima, sei que muita gente gosta de expor as próprias tatuagens. 


___Imagino que, sendo um conhecido, perguntar algo como “Com licença, posso ver essa tatuagem?” é algo normal. No entanto, para uma pessoa desconhecida no metrô, o que se deve fazer? Chegar para a pessoa estranha, colocar a mão no ombro e perguntar “Com licença, tenho permissão para olhar, por alguns segundos, a sua tatuagem?”, parece mais maluco (e invasivo) do que simplesmente olhar rapidamente e pronto. 


___Portanto, sendo bem claro: em um lugar público,* com a tatuagem (ou parte dela) exposta, qual é a forma educada de se apreciar a tatuagem de uma pessoa estranha? Ou não se deve olhar? Deve-se pedir ou simplesmente olhar disfarçadamente? Sempre de longe? Faz diferença se a pessoa tatuada é homem ou mulher? É educado tentar ler uma tatuagem com texto? Deve se agir de maneira diferente dependendo do lugar em que a tatuagem foi feita? Existe alguma etiqueta mais ou menos comum entre pessoas tatuadas?


___Agradeço as respostas que aparecerem e desejo que as agulhas não tenham doído muito na pele de ninguém. 


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* Claro que com um mínimo de noção. Uma rua escura não é um lugar público aceitável para se olhar a tatuagem de alguém. Se bem que, por conta da escuridão, provavelmente não seria possível ver nada mesmo. 

14 outubro, 2014

Todo o estado de São Paulo foi ocupado pelo PSDB

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___As histórias do Asterix costumam começar da mesma forma: um mapa do oeste da Europa, com a águia romana encravada no solo. No canto superior esquerdo, uma lupa ajuda a mostrar um pequeno trecho do mapa. Junto ao desenho, alguma variação dos seguintes dizeres: “Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma pequena aldeia, habitada por irredutíveis gauleses, ainda resiste ao invasor.”.


___No último dia 5 de outubro, o sedento estado de São Paulo reelegeu o incompetente, corrupto e violento Geraldo Alckmin. Pior do que isso, Alckmin foi o mais votado em todas as cidades do estado


___Todo o estado de São Paulo foi ocupado pelo PSDB. Todo? Não! Uma pequena cidade, chamada Hortolândia, habitada por pessoas que sabem votar, resiste aos tucanos.


___Sabem qual é a única parte legal de tudo isso? Que os gauleses (ou, no caso, os eleitores de Hortolândia) são os heróis da historinha. 

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P.S.: Brincadeiras políticas à parte, para quem gosta de Asterix e seus irredutíveis companheiros, fica o link para dois textos, que eu publiquei em 2009, com as melhores porradas que os gauleses já desferiram nos romanos.  

02 outubro, 2014

Lutar contra a homofobia: uma prioridade

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Levy Fidelix fala sobre Homossexuais (Debate Record - 29/IX/14), por Laerte

___Na última madrugada de domingo para segunda, Levy Fidelix, candidato à presidência pelo PRTB, proferiu um discurso homofóbico que daria inveja no Bolsonaro. Caso você não tenha visto (ou tenha vontade de sentir nojo novamente), assista o vídeo abaixo. 


___A reação foi imediata. De tweets a postagens de blogs, de beijaços a processos. Reações, em sua maioria, muito corretas e necessárias. E, como era de se esperar, graças à 3ª Lei Internética de Newton, para toda reação há sempre outra reação. E é exatamente um tipo comum dessas re-reações que eu gostaria de comentar. 
___Enquanto crescia o clamor contra o discurso homofóbico de Levy Aerotrem Fidelix, começou a surgir a turma do “Isso não é tão importante assim.”. Bem na corrente do “Tanta gente passando fome e você reclamando dessa coisinha.”. 

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___Só para citar um exemplo bem articulado, vejam o Luciano Pires, do podcast Café Brasil

Ontem teve debate entre os presidenciáveis. Quase duas horas de agonia com perguntas descabidas, mentiras, fugas nas respostas, falta de brio dos candidatos e um quadro de desesperança para o futuro do Brasil. E o que é que domina as redes sociais no dia seguinte? Levy Fidelix com sua posição contra o casamento homoafetivo, tema que precisa sim ser discutido, mas que jamais deveria ser prioridade neste momento de escolha de quem vai reger nossas vidas nos próximos anos. 

___No parágrafo seguinte, Luciano elenca causas que ele considera prioritárias* e termina dizendo que pode “ficar aqui até amanhã elencando temas muito mais urgentes que a questão LGBT.”. E continua:

Mas é ela[, a questão LGBT,] que domina os espaços.
A coisa vai muito mal mesmo quando nem sequer conseguimos definir prioridades.
#TutorialParaEntenderOPost : pri.o.ri.da.de
sf (lat med prioritate) 1 Qualidade ou estado de primeiro; antecedência no tempo. 2 Precedência no tempo ou no lugar; primazia, preferência.

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___Pessoalmente, considero a questão LGBT prioritária. Ela e muitas outras questões ligadas aos Direitos Humanos.

Levy Fidelix fala sobre Homossexuais (Debate Record - 29/IX/14), por Laerte

___Relegar as necessidades de um grupo, considerar o seu sofrimento uma questão secundária** é algo muito problemático. Corre-se o risco de deixar o tal ponto secundário sempre para depois. Não foi à toa que as discussões sobre a abolição da escravatura duraram, no Brasil, o século XIX inteiro. Desculpas – como a importância maior do bom andamento da economia – foram empurrando para mais tarde a abolição e relegou negros às mazelas da escravidão até o fim do século. O sofrimento dos escravos era sempre uma questão secundária. 
___Durante a Ditadura Militar, o ministro da Fazenda Delfim Netto apregoava que a prioridade era a economia brasileira. Importante era o crescimento do Produto Nacional Bruto, o investimento em grandes obras, a importação de bens de capital, mesmo que, para isso, fosse necessário congelar salários e elevar tarifas públicas. Delfim Netto se justificava dizendo que era necessário fazer, primeiro, o bolo crescer, para, depois, dividi-lo. Só que essa divisão, que viria em segundo lugar, nunca aconteceu.  

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___Existem muitas questões importantes que presidenciáveis devem discutir e que os eleitores devem atentar. Sem dúvida, um número muito grande de pontos. E todos esses pontos têm, no mínimo, a mesma importância de certas questões sociais –, como os direitos da comunidade LGBT.  
___Para quem discorda, saiba que eu respeito a sua opinião. Saiba que podemos sentar e discutir o assunto, mas não agora. Aguentar pessoas que não dão a devida atenção aos Direitos Humanos não é algo prioritário na minha vida. 

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* Complete você, leitor, com as causas que você considera mais urgentes. Caso você prefira ver quais deveriam ser as prioridades, na opinião de Luciano Pires, o texto original está aqui
(latim secundarius, -a, -um, de segunda hora, de segunda qualidade)
adjetivo
1. Que ocupa o segundo lugar. = SEGUNDO
2. Que não é o mais importante; de segunda ordem. = ACESSÓRIO


22 setembro, 2014

Respeito futebolístico

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___Um conhecido compartilhou este vídeo com os seguintes comentários: “Exemplo!! Respeito acima de tudo. Tem q ser assim sempre...”.

"Respeito" acima de tudo e a cegueira futebolística

___Levando em consideração o comentário, acho que a cena que o meu conhecido viu foi mais ou menos assim: uma menina, vestindo uma camisa do Palmeiras, estava no metrô. No mesmo vagão, também estavam um número gigantesco de corintianos. Os corintianos, ao invés de agredi-la, apenas brincaram com a moça (que, pelos sorrisos, deve ter aceitado tudo numa boa). Então, a menina chegou à sua estação e desceu do trem. Tudo muito bonito e respeitoso. Exemplo!! Deveria ser sempre assim. 

___Sinceramente, acho que alguma bolada afetou o discernimento do meu conhecido. Nem de longe eu vi o vídeo da mesma maneira positiva. 

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___Interpretei a cena da seguinte maneira: uma menina, vestindo uma camisa do Palmeiras, estava no metrô. Em determinado momento, um número gigantesco de corintianos entrou no mesmo vagão que ela.* Os corintianos, então, começaram a tirar sarro da menina, falando que o time dela irá cair para a segunda divisão. Pode parecer só uma brincadeira simples, sem violência, no entanto, o fato de que a menina estava presa em uma caixa de metal, sem ter para onde fugir, cercada de torcedores adversários gritando para ela, já foi uma violência. 
___Mais ainda, não é possível ver no vídeo, mas jogaram algo na cabeça da garota. É possível descobrir isso quando, ao 1’39”, um rapaz avisa a moça e espana um pouco do que jogaram no cabelo dela. Caso algum aficionado por futebol não perceba, jogar algo em alguém é uma agressão, sim. Falei sobre algo parecido aqui
___“Ah, Ulisses, mas ela até sorriu para eles.”. Ela, simplesmente, tomou uma atitude sensata. Demonstrou aceitar a “brincadeira”. Ela tomou um dos poucos caminhos que podia percorrer. Se fizesse outra coisa, a atitude dos corintianos poderia ser mais agressiva.
___Também não acho que a menina simplesmente chegou ao seu destino. Existe uma boa possibilidade que, intimidada, ela desceu na próxima estação. Fez questão de sair daquele trem o mais rápido possível. 

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___Talvez algum defensor das pobres e indefesas torcidas diga: "Os corintianos poderiam ter sido muito mais agressivos! Não sei do que você está reclamando.". Estou reclamando porque qualquer agressão (que não seja na simples troca de ideias e entre iguais**) não é aceitável. 
___Agora, se o seu amor pelo futebol não permite que você veja que tudo o que aconteceu foi, sim, uma agressão, está mais do que na hora de começar a rever os seus conceitos. Ou você também acha que é sinal de respeito ser abertamente homofóbico e racista "apenas" no estádio? 

Goleiro Aranha do @santosfc, o racismo e os cartolas, por Carlos Latuff

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* Formulei a hipótese de que ela já estava no vagão porque a moça estava sentada (e ouvindo música) em um metrô cheio. Mas, também pode ter acontecido da menina ter entrado depois, sem perceber todos aqueles corintianos. Esse detalhe é irrelevante. 
** No caso analisado nesta postagem, havia uma clara desigualdade numérica e de força. 


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