16 de julho de 2026

A Odisseia, Lupita Nyong'o e Helena de Troia: questão

 


            Aproveitando a estreia do filme A Odisseia, vai abaixo uma questão que eu fiz para os meus estudantes:

 

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Em 2024, foi anunciado que o premiado diretor Christopher Nolan iria filmar uma versão do clássico grego Odisseia, de Homero. Entretanto, diante dos boatos de que Lupita Nyong'o, uma atriz negra, iria interpretar Helena de Troia, algumas pessoas começaram a demonstrar grande desagrado. O assunto foi debatido tanto online, vide o exemplo do historiador Thiago Braga, como em revistas consagradas, como a Newsweek. Bem-humorado, um internauta com a alcunha de @agraybee escreveu: “Eu não sabia que Helena de Troia poderia gerar tanto conflito.” (disponível em https://x.com/agraybee/status/2056477961000267877. 18/05/2026.). Explique, demonstrando conhecimento histórico, qual a graça do comentário de @agraybee.

 


 

31 de janeiro de 2026

Procedimento de Rotina


Quando se vai ao posto de saúde em um dia de vacinação, pode-se ir com imaginação e esperar muita coisa. Sem imaginação, espera-se apenas receber uma vacina.

No meu caso, realmente fui vacinado. Só não esperava que fosse o próprio Alexandre Padilha, Ministro da Saúde, quem viria aplicar a injeção.

 


Resultado: apareci na Globo e no site do Ministério da Saúde.

31 de dezembro de 2025

Gerald Thomas chama o público de otário e sai aplaudido de pé

 

            A obra O porco, de Nelson Leirner, foi enviada em 1967 para o 4º Salão de Arte Moderna de Brasília. Depois de aprovada, Leirner escreveu para o Jornal da Tarde questionando os motivos para a escolha, deixando claro que os curadores aceitaram aquele porco empalhado, dentro de um engradado de madeira, por ele já ser um artista conhecido, não por algum valor artístico intrínseco à obra.



            Agora, no final de dezembro de 2025, saiu de cartaz a peça Sabius, os moleques, de Gerald Thomas. Foi dito que a peça tem uma “linguagem determinada a reiterar verbos, excessos e sínteses, com furiosa dicção capaz de arregimentar contradições, cicatrizes históricas e feridas que sangram à luz do liberalismo e das vanguardas”. O mesmo poderia ter sido escrito pelos curadores que, depois da humilhação pública feita por Nelson Leirner, tentaram justificar o motivo pelo qual haviam selecionado O porco para o Salão de Arte Moderna.

            Escrevendo para o jornal O Estado de São Paulo, o crítico Dirceu Alves Jr diz que “Em Sabius, Os Moleques, o dramaturgo e diretor Gerald Thomas, de 71 anos, criou a metáfora de um planeta Terra suicida que sucumbiu à humanidade.”, que a peça “é uma distopia sobre o caos gerado pela exaustão e a falta de psicotrópico suficiente para salvar o mundo.”. Que Thomas “criou mais uma dramaturgia visual em que as imagens se sobressaem às palavras.”.



            Já eu acho que a fama de Gerald Thomas permitiu que fosse colocada no palco uma peça que ele nem mesmo acabou e que críticos e amantes do teatro vão se contorcer para dizer que aquilo foi maravilhoso. Ou vão engolir qualquer bobagem que o autor disser para descrever a peça como se estivessem engolindo um pedaço engordurado de pernil. A carreira de Thomas vai permitir que ele coloque um monte de pequenos textos mal-acabados e desconexos no teatro, que ele até mesmo trate com desdém verdadeiros mestres do teatro como José Celso Martinez Corrêa, e ninguém vai se levantar para vaiar.

            O público só ficou sentado, embasbacado, fingindo que entenderam o grande Gerald Thomas por mais que nada daquilo fizesse sentido. Enquanto isso, Thomas lhes cuspiu na cara, colocou na própria peça o fato de só ter escrito até ali. Contou em entrevistas que havia terminado a peça dias antes. E, assim como frequentadores de museus hoje olham O Porco na Pinacoteca e fingem entender o significado da obra, as pessoas na plateia se levantaram e aplaudiram Sabius de pé.

 

30 de novembro de 2025

O Caroço da Cabeça e os Assentos Preferenciais (10 anos depois)

            Neste mês de novembro de 2025, o metrô de São Paulo fez uma campanha que dizia “lembramos: quando todos os assentos estão ocupados, todos os assentos são preferenciais. Seja gentil.”. Acima dos assentos preferenciais oficiais, a seguinte placa fulgurava:

 


            A campanha me lembrou um texto que eu escrevi faz 10 anos, citando uma música dos Titãs (lançada 10 anos antes do meu texto): “O Caroço da Cabeça e os Assentos Preferenciais”. Segue o texto com pequenas modificações:

 

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___Desde que o prefeito Fernando Haddad resolveu aumentar muito o número de ciclovias pela cidade de São Paulo, a mídia (bem sustentada por empresas de automóveis) e os carrodependentes em geral têm chorado como se lhes houvessem arrancado as pernas sem anestesia. Pessoalmente, acho importante refletir: por que as ciclofaixas são necessárias? A resposta é simples: pelo mesmo motivo que os assentos preferenciais são necessários. 


___Se você pensar bem, todo assento é preferencial. Principalmente em um transporte público. É óbvio que uma pessoa sentada, ao perceber que um velhinho subiu no ônibus ou que uma mulher grávida entrou no vagão, deve se levantar e ceder lugar. Infelizmente, isso não acontece o tempo todo. 
___Quem está confortavelmente sentado prefere “não ver” aquela moça segurando o bebê de colo. Exatamente por conta dessa falta de respeito e empatia, tornou-se necessária a criação de assentos preferenciais.* O lugar com uma plaquinha e/ou com uma cor diferente não resolveu o problema, mas ajudou a estimular o cuidado com o próximo. 


___E é aí que entram as ciclovias. Quem está sentado deve oferecer o lugar para uma pessoa idosa; como não se costuma oferecer, torna-se imprescindível a criação de um assento preferencial para estimular o cuidado com o próximo. Quem está no veículo maior, mais potente, que tem mais chance de matar alguém, deve** zelar pela segurança dos veículos menores. Entre os veículos menores, que devem ser respeitados nas ruas, estão as bicicletas. Como, normalmente, os motorizados não zelam pela segurança dos ciclistas como deveriam, tornou-se necessária a criação de faixas exclusivas para ciclistas. 
___Portanto, caro motorista, se você e seus companheiros carrocratas respeitassem os ciclistas, nenhuma ciclofaixa seria necessária. E quanto mais rápido os motorizados aprenderem a zelar pelos ciclistas, mais rápido as ciclovias poderão desaparecer. Aí, só vai faltar os motorizados e ciclistas aprenderem zelar pelos pedestres. 

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* Por mais fofo que seja imaginar um passado idílico, dizendo “Antigamente, as pessoas cediam lugar. Existia mais respeito.”, vale dizer que as coisas não eram bem assim. Faça um pequeno exercício de História Oral e se surpreenda. 
___A título de curiosidade, vale citar que o município de São Paulo destina assentos preferenciais para idosos em transporte público desde meados da década de 1980. 
** Deve por respeito e por força da lei. Vide o parágrafo segundo do Artigo 29, do Código Brasileiro de Trânsito. 

31 de outubro de 2025