02 julho, 2011

Tormenta de palavras

___Plataforma do metrô. Esperando meu trem chegar, sou abordado por um velhinho pedindo informações. Educadamente, ajudo-o – “É só pegar o trem da plataforma de cima.”. Para me agradecer, ele começa a contar uma longa – e desconexa – história; sem parar um minuto para respirar. Pior, ele ainda tinha a incômoda mania de falar segurando o braço do interlocutor.
___Lendo, atualmente, Quincas Borba, do Machado, lembro-me de um trecho do capítulo XXXIV:




“A alma do Rubião bracejava debaixo deste aguaceiro de palavras; mas, estava num beco sem saída por um lado nem por outro. Tudo muralhas. Nenhuma porta aberta, nenhum corredor, e a chuva a cair.”



___Passam dois trens – e nada da história acabar. Não vendo alternativa, com a chegada do terceiro, interrompo-o dizendo que “Tenho horário. Preciso pegar este.”.
___Sem pestanejar, o velhinho embarca comigo:
___– Não tenho pressa. Termino a história durante a viagem e depois eu volto para cá.

10 comentários:

  1. Achei que fosse rolar um relato da história rs.

    Ele existe?

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  2. nossa, sinto muito mesmo.

    eu costumo andar com fone de ouvido mesmo quando não quero ouvir musica. é um sinal discreto e quase sempre eficaz de manter outros seres humanos longe.

    mas contra velhinhos que provavelmente são ignorados por filhos e netos indiferentes nem o melhor fone de ouvido ajudaria.

    acho q vc tem noção de q ele talvez nem estivesse de fato precisando de ajuda, né? :S

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  3. kkkk, pior é quando acontece o contrário a história é interessante e você tem que ir embora... Eu fico imaginando como terminaria a história.

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  4. Um tempo atrás perdi o ônibus e tive que esperar uns 20 minutos o próximo e nesse tempo sentou do meu lado uma velhinha que pediu para conversar comigo. Ela mora sozinha, pois seu ùnico fdilho mora no sul e costuma ir â rodoviária para falar com qualquer pessoa que lhe dê um pouco de atençao... Conversamos muito mais que 20 minutos, suas històrias eram táo interessantes que deixei o pròximo ônibus ir kkkkk

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  5. Me lembra o Uncle Leo do Seinfeld, rs

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  6. Existir, existe. Mas, a história era tão desconexa q eu não entendi o bastante para poder contar.

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  7. Já perdi muitos trens por histórias interessantes. Ou estações... Vivo lendo dentro do trem e perdendo o meu ponto por isso. :-)

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  8. :-) Sua moça me lembrou mto um relato que o Fernando Braga da Costa contou no Homens Invisíveis. Se não seu, Rô, leia q vale mto a pena.

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