21 abril, 2012

O caminho para a Felicidade

___Queridos leitores, vocês já conseguiram ver o interessante comercial do Grand Siena, da Fiat? Vejam uma das versões abaixo (ou as outras duas aqui):


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___Não é bacana? Como são bonzinhos os publicitários que nos ensinam que não é comprando uma margarina ou um odorizador que seremos felizes! Para mostrar que eu aprendi a lição, achei que valia a pena dar uma analisada no reclame após o “Ah, tá de sacanagem que você achou que eles estão felizes assim por causa dessa margarina/desse cheirinho/desse plano de celular aí, né?”.
___Logo depois de ensinar que não é um plano de celular ou uma margarina que vai fazer as pessoas felizes, a propaganda corta para um carro, no caso o Grand Siena –, mas podia ser qualquer outro que não faria muita diferença. A verdade é essa: não é um automóvel que vai fazer alguém feliz. Para ser sincero, existe mais chance do carro tornar alguém infeliz do que um odorizador. Nunca ouvi nenhum caso de uma pessoa acidentada ou com uma dívida impagável causada por um odorizador.
___As propagandas, logo depois que o automóvel entra em cena, anunciam que o novo carro é “Maior, mais bonito, mais tecnológico.” (grifo meu). Coincidência ou não, o primeiro adjetivo – “Maior”* –, é um dos grandes causadores de infelicidade que quem usa carro.


Espaço ocupado do trânsito


___Os carros, por todo o espaço que ocupam e pelo número pequeno de pessoas que transportam, são os maiores agentes do trânsito que tanto estressa e incomoda os motoristas. Já diria uma máxima cicloativista, “Você não está preso no trânsito. Você é o trânsito.”. Na propaganda do Grand Siena, por outro lado, tentando pintar uma felicidade que não existirá com frequência fora da ficção-propagandística, o automóvel roda livremente por idílicas ruas vazias, sem nenhum outro carro para barrar o seu caminho.
___Falando de “maior”, aposto que também não é por acaso que em todas as propagandas são homens – não mulheres – a dirigir o carro novo.** É interessante perceber como se mantém nos reclames a ideia de que ter um automóvel vai trazer a felicidade e os valores do macho provedor, alfa, com o maior penacho ou qualquer outra idiotice do tipo.


Beba com moderação, por André Dahmer


___Sabem de uma coisa? Eu escolhi não ter um carro para atrapalhar a minha vida e digo sem receio: nunca me arrependi. Para falar a verdade, saber que tenho uma margarina na geladeira me faz muito mais feliz do que a possibilidade de ter um carro na garagem.


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* Mesmo sabendo que, teoricamente, deve estar se referindo ao tamanho interno do veículo.
** Assim como não é por acaso que as qualidades do carro são ressaltadas com um tamanho de letra e a frase “Respeite a sinalização de trânsito.”, colocada no comercial por força da lei, com letras menores.

2 comentários:

  1. O pior é ver os atores lambendo a margarina da tampa da embalagem e da faca usada para espalhá-la no pão. Quem faz isto?

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  2. Eu acho que a propaganda só ajuda no processo de auto-ilusão. As pessoas sempre querem acreditar que existe uma fórmula mágica para a felicidade, para o sucesso, ou qualquer outra meta que elas tenham na vida. Quando é muito mais uma questão de cada um achar seu próprio caminho.

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