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9 de junho de 2025

Puladinho: origem

 


        Videoaula ensinando uma das versões do puladinho, um passo clássico do samba de gafieira, e pensando um pouco sobre sua origem.

Como no vídeo eu só mostro como fazer o puladinho, mas acabo utilizando outros passos de samba, segue, também, um vídeo mostrando como fazer os outros passos utilizados.

  

Bibliografia, fontes e materiais utilizados:

- Vídeo dos bailarinos Valéria Seki e Jaime Arôxa. 2021. Disponível em https://youtu.be/E8JxfHkXj2Q?si=zLxkauruMfFwny7D.

- Trecho do clipe “A Cara do Crime ‘NÓS INCOMODA’ (MC Poze do Rodo, Bielzin, PL Quest e MC Cabelinho)”. 2021. Disponível em https://youtu.be/2PRAiVs3MVc?si=Ahj7C0zq8Kf3LoW0.

- EFEGÊ, Jota. Maxixe, a dança excomungada. Rio de Janeiro: Gráfica Lux, 1974.

- GONZALEZ, Lélia. Festas populares no Brasil. Rio de Janeiro, Índex, 1987.

- MOREIRA, Quincas. “Malandragem” (música). 2019. Disponível em https://www.youtube.com/@QuincasMoreirahttps://www.youtube.com/audiolibrary.

- TINHORÃO, José Ramos. Os sons que vêm da rua. São Paulo: Editora 34, 2013.

 

26 de maio de 2025

A bossa nova e o samba de gafieira

 

            Videoaula refletindo se a dança conhecida como samba de gafieira passou pelo mesmo processo que a bossa nova.

 


 

Bibliografia, fontes e materiais utilizados:

- Foto de Nara Leão em seu apartamento. 1958. Disponível em https://revistacontinente.com.br/edicoes/247/ninguem-pode-com-nara-leao-1.

- Vídeo dos bailarinos Ana Galioti e Paulo Fonseca. 2020. Disponível em https://youtu.be/NTLtypnfC18?si=nCMQps0HbNNkoBge.

- Vídeo dos bailarinos Pety e Vanessinha. 2023. Disponível em https://youtu.be/qgHMcEwi7zg?si=zUWwU9AgcLqbV6oi.  

- Vídeo dos bailarinos Robinho e Evelin. 2023. Disponível em https://youtu.be/cx70R0Yjb-Y?si=_84jmUgUMtOySkE9.

- Vídeo dos bailarinos Valéria Seki e Daniel Costa. 2024. Disponível em https://youtu.be/GdENqCUiSrQ?si=18RPMT2_HHOPSf4L.  

- BRAGA, Rubem. “O morro não é dos malandros”. 26/11/1936. Disponível em https://revistamovinup.com/artigosespeciais/2017/rubem-braga-o-morro-nao-e-dos-malandros.

- JESUS, Carlinhos de. Vem dançar comigo. São Paulo: Editora Gente, 2005.

- JOBIM, Antônio Carlos; MORAES, Vinicius de. “Garota de Ipanema”. Música. 1962. Disponível em https://youtu.be/KJzBxJ8ExRk?si=CkiCV-CRIf0kcnyD.

- MENESCAL, Roberto; BÔSCOLI, Ronaldo. “O barquinho” interpretado por Nara Leão. Música. 1961. Disponível em https://youtu.be/B6JPFy0OM1M?si=kDnF4byoPdRFpy2r.

- TINHORÃO, José Ramos. Os sons que vêm da rua. São Paulo: Editora 34, 2013.

 

30 de abril de 2025

Elevados... (e sem tempo para indicar?)

 


            No finalzinho deste mês de abril de 2025, tive o privilégio de assistir ao espetáculo Elevados, do grupo Gumboot Dance Brasil.

A plateia estava cheia de crianças pequenas e algumas delas começaram chorando, mas foi só começarem as movimentações mais chamativas que todas ficaram fascinadas. Foi um espetáculo lindo, potente, contando uma história com danças africanas. Como minha especialidade é dança de salão, consegui pegar algumas referências, mas Elevados foi tão rico e diverso que tenho certeza de que não consegui perceber nem a metade. Mesmo assim, valeu cada minuto.

Queria muito poder indicar para todo mundo, porém não sei se o Gumboot Dance Brasil vai apresentar o espetáculo novamente. Pelo menos nas redes sociais do grupo, não há nenhum anúncio.

 


De qualquer modo, caso você tenha a oportunidade de vê-los, indico fortemente.  

3 de março de 2025

Carnaval, com uma criança, em tempos de internet

 

            Meu sobrinho mais velho não tem a menor vontade de fazer programas mais agitados de carnaval. Mas, aceitou dançar... se fosse para gravar um vídeo:

 


 

Música: SneakyBass Latina (Jimmy Fontanez, Doug Maxwell & Media Right Productions).

Versão vertical no YouTube ou no Instagram.

25 de fevereiro de 2025

As origens do lindy hop

 

    Videoaula sobre as origens da dança conhecida como lindy hop.

 


Bibliografia, fontes e materiais utilizados:

 

- “Cake Walk”. Vídeo. United States: American Mutoscope and Biograph Company, 1903. Disponível em https://youtu.be/QifiyNm6jG4?si=74ufi4SelwrgOcWz.

- “Frankie Manning dancing Lindy Hop at the Savoy (Late 1930s?)”. Vídeo. 2012. Disponível em https://youtu.be/ZQIWFOU-bp4?si=fTak7Ao6A8iskuDw.

- “GAP Swing Commercial”. Vídeo. 1998. Disponível em https://youtu.be/XJ735krOiPo?si=RZlfQTC13O98s7fn.

- “LBJ - Lindy Hop in Music Videos”. Vídeo. 2013. Disponível em https://youtu.be/hKuOM2XkUoY?si=IgiZ_E-P-nPu9OoD.

- “Lindy Hop en Ask uncle Sol (1937) 2K 60FPS - Remasterizado por IA | «Shorty» George Snowden, Big Bea”. Vídeo. 2021. Disponível em https://youtu.be/HiF_EGOpRyw?si=dgyupiBK12Cbodlj.

- AGUILERA, Christina. “Candyman”. Clip. 2009. Disponível em https://youtu.be/-ScjucUV8v0?si=MB2tEg5o_5uMCfCl.

- MOORE, Nathan. “Up and at em”. Música. 2025. Disponível em https://www.youtube.com/@NathanMooreSongs/featured e https://www.youtube.com/audiolibrary.

- POTTER, H. C.. Hellzapoppin'. Filme. 1941.

 

24 de janeiro de 2024

Minha carreira e a Arte

 

            Pequeno vídeo contando um pouco sobre a minha carreira e homenageando Nicolau Sevcenko, um dos melhores professores que eu já tive.

 



Materiais utilizados e citados no vídeo:

- Fotos e vídeos de arquivo pessoal feitas por estudantes doces.

- Nicolau Sevcenko no programa Provocações (2012, disponível em https://youtu.be/CxFaHUusv5g?si=B6xedLN3QzdpmnaZ) e no canal do filme Elena, palestrando em Harvard (2014, disponível em https://youtu.be/lvh-1jaYlAE?si=zpHab5cl5nbpxc_o).

- TRIDA, Mauricio Camargo. Cuidado onde pisa: a influência do solo nos passos de dança de salão. O Mosaico. 14(1). Curitiba: Unespar/FAP, 2022. Disponível em https://periodicos.unespar.edu.br/index.php/mosaico/article/view/4606.

- TRIDA, Mauricio Camargo. Passeando (virtualmente) no museu. In: BELEZIA, Eva Chow (org.). Metodologias Ativas: Práticas docentes em Ensino Híbrido. São Paulo: CPS, 2024. (No prelo.)

30 de junho de 2022

A influência do solo nos passos de dança de salão

     Uso este blog para me divertir e vivo colocando aqui coisas aleatórias que eu produzo. Publico crônicas que me dão vontade de escrever, críticas, indicações diversas, contos rejeitados em outros lugares (porque eu mesmo não vou rejeitar meus contos, no meu blog)... Passei 2020 e 2021 postando videoaulas e podcasts que eu gravei para meus estudantes por conta das aulas online. Sendo assim, se você está aqui porque aprecia qualquer dessas produções minhas, hoje vou linkar uma acadêmica. 

        No fim do mês passado, saiu publicado na revista O Mosaico, da Universidade Estadual do Paraná, um artigo científico que eu escrevi sobre a influência do solo, do chão, no surgimento dos passos de dança de salão. É parte do meu trabalho como historiador de História da Dança. Fica o link do meu "Cuidado onde pisa"

        Boa leitura. 

14 de novembro de 2020

Authentic jazz (ou traditional jazz dance, vernacular jazz...)

            Um vídeo explicando um pouco os termos utilizados quando se fala em dançar jazz.

 


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Bibliografia, fontes e materiais utilizados:

- Cia Terra Dance Studio: https://www.ciaterra.com.br/

- Coreografias utilizadas. (1) Lindy Hop: Sharon Davis e Juan Villafane, Dancing at Provence Swing Festival, 2009: https://youtu.be/xsYYHvaMIGA. (2) Jazz: coreografias do Grupo Raça (https://racacentrodeartes.com.br/). Primeira coreografia: coreógrafo Lenon Vitorino, 2019: https://youtu.be/vUqcU05M458. Segunda coreografia (fornecida e com participação da bailarina Williane Oliveira): coreógrafo Alex Siqueira, 2020. (3) Shim Sham: Alise Hofmane (tap dancer) e Mikus Aleksandrovs (lindy hopper) dançando o shim sham juntos, 2017: https://youtu.be/k7g7YBUHcc4.

- Imagem de capa: Leon James e Willa Mae Ricker. 1943.

- Os vídeos do início do século XX não têm trilha sonora. Acrescentei as seguintes músicas para a melhor apreciação do público em geral (todas disponíveis em https://www.youtube.com/audiolibrary), assim como as utilizei como trilha sonora durante o vídeo: TrackTribe, “Greaser”, 2019; Reed Mathis, “We Ride!”, 2020; Media Right Productions, “Zydeco Piano Party”.

- DEHN, Mura. The Spirit Moves: A History of Black Social Dance on Film, 1900–1986. Documentário. Dallas: Dancetime Publications, 1987. 

- GUARINO, Lindsay; OLIVER, Wendy. Jazz Dance: a history of the roots and branches. Florida: University Press of Florida, 2015. Livro de onde foi tirada a ilustração da “jazz dance tree”, de Kimberly Testa.

- HEINILA, Harri. “What Is Authentic Jazz Dance”. 2012. Disponível em https://authenticjazzdance.wordpress.com/2012/03/06/what-is-authentic-jazz-dance-4/.

- HOBSBAWM, Eric. História social do jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.

- LEMOS, Anielle. “As transformações do jazz dance: um recorte histórico da diáspora afro-americana até os dias atuais”. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Artes – Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas, 2018.

- MADDALENA, Martina. PARKHATSKAYA, Ksenia (co-autora e editora). “Vernacular, authentic or modern, what is jazz dance?”. 2020. Disponível em https://secretsofsolo.com/2020/08/vernacular-authentic-or-modern-what-is-jazz-dance/.

- STEARNS, Marshall; STEARNS, Jean. Jazz Dance: The Story of American Vernacular Dance. Massachusetts: Da Capo Press, 1968.

- TILTON, Roger. Jazz dance. Registro de Leon James e Al Minns dançando no Central Plaza Dance Hall. Nova Iorque: 1954. Disponível em https://youtu.be/Y-K9IO3-OW8.

8 de abril de 2020

As roupas utilizadas pelos primeiros dançarinos de tango


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Bibliografia, fontes e materiais utilizados no vídeo:
- 1920s Rudolph Valentino and Natacha Rambova, Tango. Remasterizado por http://www.kinolibrary.com. Clip ref KLR1119. Link: https://youtu.be/Az1tb75nNCM
- Dancing the Tango. 1920. Remasterizado por http://www.kinolibrary.com. Clip ref BPA172. Link: https://youtu.be/df4v0ObGSF4 
- La Milonga Argentina. Abril de 2019. Link: https://www.lamilongaargentina.com.ar/index__arch_issuu.php?is=69011095. Foto de Lucia Junqueira e Vagner Ferreira. 
- The Mineralava Tour 1923. Link: https://youtu.be/eU3SbMB9hMI. Foto dos músicos de tango.  
- http://www.tangoa2.com/fotos/. Foto de André Magro e Andressa Moraes. 
- ADIRT, M. U.. “Índio com celular”. Postagem de blog. Link: http://www.incautosdoontem.com/2016/07/indio-com-celular.html
- ALLEN, Lewis. Valentino. Filme. 1951.
- ARCHETTI, Eduardo P.. “O ‘gaucho’, o tango, primitivismo e poder na formação da identidade nacional argentina”. In. Mana – Estudos de Antropologia Social. Número 9. Rio de Janeiro: PPGAS-UFRJ, 2003. pp. 9-29.
- BORGES, Jorge Luis. El Idioma de los Argentinos. Buenos Aires: Sudamericana, 1993.
- FERNANDES, Garcia. Casamento de Manuel I de Portugal com a infanta Maria de Aragão. Pintura.
- INGRAM, Rex. Os quatro cavaleiros do apocalipse. Filme. 1921. Link: https://youtu.be/cQsKjQl_suI 
- JONES, Wayne. Tango de la Noche. Música. Audio library do YouTube. Trilha sonora. Link: https://www.youtube.com/audiolibrary/music?nv=1 

31 de outubro de 2019

Impressões pessoais da (metade da) “Temporada 2019” da São Paulo Companhia de Dança

___Voltei do espetáculo da “Temporada 2019” da São Paulo Companhia de Dança bastante empolgado e, por isso mesmo, resolvi comentá-lo. 
___O espetáculo é dividido em dois programas: o “Programa 1”, que acabei de assistir, e fica em cartaz até dia 3 de novembro, e o “Programa 2”, que ficará em cartaz entre dos dias 7 e 10 de novembro. Por mais óbvia que seja a minha fala, é bom avisar: falarei apenas do primeiro programa. 

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___Dividido em três peças de qualidade completamente distintas, o “Programa 1” manteve uma seleção impecável de dançarinos. Com uma qualidade técnica fabulosa e movimentos absurdamente precisos, mesmo a peça mais fraca acabou sendo interessante de se assistir.  
___A última montagem, Vai, é de longe a mais pífia. Seu sentido é completamente dependente da sinopse e, mesmo com ela, apenas de maneira sofrível a mensagem é passada. Os dançarinos acabaram sendo, em mais de um ponto, completamente desperdiçados. Talvez a fama do Shamel Pitts tenha cegado a Companhia. 
___A segunda peça, Odisseia, peca pelo uso do nome, sem a grandeza da estória homérica. Apesar de um uso pobre dos elementos atípicos e do final prematuro, é bem representada, chamativa e, para dizer o mínimo, gostosa de assistir. Minha crítica talvez seja pesada pelo deslumbre que foi a primeira montagem: Ngali....  
___O “Programa 1” da temporada de 2019 começou com a montagem da Ngali..., coreografada por Jomar Mesquita, com a colaboração de Rodrigo Castro. No início da apresentação, torci o nariz pela falta de sincronia da introdução. No entanto, a má impressão inicial se desfez por conta de praticamente todos os detalhes que povoaram o restante do espetáculo. 
___Ngali... fala sobre relacionamentos de maneira tão clara, aberta, combinando tanto com as músicas, utilizando os dançarinos com tal esmero que, até o momento que algum deles não estava dançando, sua função como cenário acabava sendo essencial para a montagem. A mistura de dança contemporânea com a dança de salão desenhou as temáticas de relacionamentos com uma perfeição ímpar. Uma peça linda de se ver, interpretar, refletir. Provavelmente, a melhor montagem de dança que eu vi neste ano. 

31 de julho de 2017

De onde você é?

___Viajei para um enorme congresso de dança na Suécia, com gente do mundo inteiro. Por conta disso, ao se dançar com uma pessoa nova, era bem comum perguntar: 
___– De onde você é?
___As respostas eram os mais variados países: França, Moçambique, Argentina, China, Finlândia, Alemanha, Chile... Só havia uma variação. Quando a pessoa era norte americana, a resposta era sempre o seu estado de origem: 
___– Sou da Carolina do Norte. 
___– Sou do Texas. 
___– Sou de Nova Iorque.  

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___Uma grande surpresa para mim foi saber que as mulheres da China dançam lindy hop muito bem. Depois de fazer amizade com uma delas, comentei isso:
___– Nossa, quase todas as moças da China com quem eu dancei são ótimas dançarinas. Nunca imaginei isso. 
___– E eu nunca imaginei que sabiam dançar swing no Brasil. 

31 de março de 2017

Balé: uma dança ultrapassada, uma língua morta

Beware Wilis: San Francisco Ballet in Tomasson’s Giselle (© Erik Tomasson)

___Ler comentários de internet costuma ser um exercício bastante relevante de empatia. Ao me deparar com comentários raivosos, eu, feliz, sentado confortavelmente em minha cadeira, com a minha cachorrinha no colo, sempre tento entender o motivo para tanto ódio. Não costumo encontrar tanta raiva assim em livros, ainda mais em livros sobre a História da Dança. Por isso mesmo, ao ler o Dançar a Vida, de Roger Garaudy, um livrinho com um bruta de um nome meigo, fiquei impressionado com a violência do francês ao falar sobre o balé. 
___O filósofo Roger Garaudy foi muito conhecido por sua vida de extremos. Fez parte da resistência contra os nazistas durante a II Guerra Mundial; continuou lutando pelos Aliados mesmo quando a França já estava ocupada e havia se tornado o regime colaboracionista de Vichy. Foi detido na França colaboracionista e enviado para um campo de concentração na Argélia. Recebeu mais de uma medalha de guerra. Membro proeminente do Partido Comunista, chegou a se eleger deputado e senador, fazer parte de assembleias constituintes e terminou sendo expulso do partido. Forte defensor da causa da Palestina Ocupada, tornou-se muçulmano e foi até um dos malucos a negar a existência do Holocausto. Mesmo sabendo de tudo isso, imaginei que, em um livro com reflexões sobre dança, Garaudy não chegaria a nenhum extremo absurdo. Ingênuo eu...

Roger Garaudy

___Amante da dança moderna, ao falar sobre o balé clássico, Garaudy se mostra bastante crítico. “Não se pode dar o mesmo nome a todas as forma de dança que, no século XX, se distinguiram do balé clássico. 
___Reservaremos portanto a expressão ‘balé moderno’ a todas as experiências que, de Diaghilev a Balanchine, conservaram o vocabulário e a técnica do balé clássico mas que tentaram, eliminando os temas anacrônicos dos contos de fadas, abordar temas contemporâneos ou voltar-se para a abstração”*.
___Pensei que talvez ele só não goste da frequência com que o balé fala de contos de fadas, mitologia e afins. Porém, as críticas de Garaudy contra o balé clássico não pararam aí. Mais à frente ele escreve: “A dança moderna propriamente dita se criou e se desenvolveu, do ponto de vista crítico, rejeitando a indiferença da dança clássica pelas paixões profundas e pela história, rejeitando sua ausência de significação humana e também o código imutável de movimentos que a transformaram em uma língua morta.”**.
___Falar sobre a indiferença da dança clássica pelas paixões profundas só pode ser sinal de uma cegueira muito grande. A paixão nas danças clássicas pode ser vista tanto nos temas, quanto nos próprios bailarinos. 
___A acusação de que a dança clássica é indiferente quanto à história, pode ter mais de uma significação. Exatamente pela reclamação anterior, dizendo que os temas do balé eram os “anacrônicos contos de fadas”, creio eu que Garaudy não estava se referindo à falta de narrativa, nem a falta de temas histórico-mitológico. Imagino que ele se referia à falta de preocupação com os temas prementes no momento histórico, a falta de preocupação do balé com o que acontece politicamente com a sociedade. 
___O erro do filósofo é grande. Quando do seu surgimento, entre os séculos XV e XVII, o balé era utilizado como propaganda política dos monarcas absolutistas.*** E, no XX, século em que Garaudy fez sua crítica, a União Soviética também usava o balé como propaganda do regime. Diga-se de passagem, uma propaganda muito boa, já que a produção do balé russo era incomparável, invejada no mundo inteiro. 
___Por fim, o trecho citado acima não é o único em que Garaudy mal educadamente chama o balé de “língua morta”. Mais para o início da obra, o filósofo diz: “o balé clássico tivera origem nas necessidades de classe feudal decadente e tinha se desenvolvido em resposta às aspirações da nova aristocracia formada no Renascimento. No início do século XX, e mais ainda depois da grande ruptura causada pela Primeira Guerra Mundial, os bailarinos, para exprimir sua época e a si próprios, tiveram que criar novos meios de expressão: a grande mutação do século não podia se expressar numa língua morta.”****.

The death scene from Romeo & Juliet

___Novamente, Garaudy faz com que sua reverência à dança moderna o cegue. O balé foi exatamente a língua escolhida pelos russos para se expressarem em grande parte do século XX. E não foi só porque se expressar em russo é muito difícil. Além disso, chamar de língua morta uma forma de expressão que continuou sendo praticada de maneira quase ininterrupta por cerca de 500 anos, em grande parte do Ocidente, é forçar muito a barra. O balé clássico serviu de expressão política, social, econômica, histórica para um número tão grande de pessoas que chega a ser ingênuo acreditar que todos estavam, nos últimos séculos, falando uma língua que nenhum deles entendia. 
___Mais importante ainda: o balé moderno e contemporâneo não surgiram, magicamente, do nada. Eles tiveram como base exatamente o balé clássico. Não fosse o clássico uma língua muito viva, provavelmente as danças modernas, hoje, “falariam” de outra forma.

Bailarina morta

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P.S.: Aproveitando o assunto, recomendo “O Ballet proibido”, um interessante texto do blog da L&PM que conta sobre a Ditadura Civil Militar brasileira, na década de 1970, censurando uma encenação do Bolshoi na televisão. 

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* GARAUDY, Roger. Dançar a Vida. São Paulo: Nova Fronteira, 1980. p. 135 (grifos meus).
** GARAUDY, Roger. Dançar a Vida. São Paulo: Nova Fronteira, 1980. p. 136.
*** Para mais detalhes, vide capítulos 4, 5 e 6 do livro História da Dança no Ocidente, de Paul Bourcier (São Paulo: Martins Fontes, 2011). Diga-se de passagem, um trecho desse livro acabou gerando um divertido episódio do podcast Naruhodo
**** GARAUDY, Roger. Dançar a Vida. São Paulo: Nova Fronteira, 1980. p. 42 (grifos meus).

31 de janeiro de 2017

"Ei, tira a mão daí!" – Como a forma de se segurar o par na dança de salão foi se modificando com o passar do tempo

___Quando se olha um casal dançando, dificilmente se imagina como os padrões morais das sociedades anteriores influenciaram centenas de detalhes daquela aproximação. Onde a mão deve ficar, quão perto um casal dança, se os rostos podem se encontrar, parecem apenas pequenos detalhes estéticos, mas foram caminhos tortuosos pelos quais os pares tiveram de caminhar ao longo dos séculos. Muito se pensou, muito se testou, muito se ousou para que toques – hoje – simples pudessem ser praticados.
___Só o fato de um casal, que pouco se conhecia, ter a chance de ficar juntos, inacessíveis aos ouvidos familiares, durante alguns minutos já foi bastante mal-visto no século XVIII. Não muito aceita pelos setores mais tradicionais da sociedade, a valsa concedeu, aos seus praticantes, uma liberdade praticamente inimaginável. Corpos que se encostavam, braço direito do cavalheiro enlaçando a cintura da dama, mas com rostos que se mantinham a uma distância respeitosa (era bom não esquecer que os parentes estavam no mesmo salão e podiam ver o que acontecia).
___Aos poucos, aquele tipo de atividade foi sendo cada vez mais aceita. Não é à toa que grande parte das danças de salão que foram praticadas durante os séculos XVIII e XIX acabavam por seguir os mesmos padrões. Porém, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e as transformações pelas quais o mundo passa não deixam de influenciar o que se praticava em um salão de baile.
___O século XX, já diria o historiador Eric Hobsbawm, começa com a I Guerra Mundial (1914-18). Claro que o contato de uma geração com os horrores da guerra começou a modificar a forma de se pensar. No entanto, mais do que isso, as roupas também mudam absurdamente. As mulheres adquirem uma liberdade no vestir impossível no século anterior. Para substituir os homens que estavam lutando na Guerra, muitas mulheres tiveram de trabalhar na parte pesada da produção fabril. Tal função exigia muito do corpo, necessitava de movimentos livres –, algo completamente incongruente com vestidos de camadas e espartilhos. Não só as roupas ganharam um caráter mais leve, como, também, o uso do sutiã começou a ser disseminado.*
___É nesse contexto que surge o Lindy Hop, dança mais ágil e pulada, com giros, movimentos rápidos de pernas e até passos aéreos. Porém, a liberdade de movimentos que as roupas passaram a permitir, também trouxeram mudanças na maneira de segurar o par. Com o grosso espartilho por baixo das roupas, um cavalheiro segurando a cintura da dama não sentia mais do que um monte de tecidos nas mãos. O uso de roupas leves e sutiã transformou aquele enlace tradicional da dança em algo despudorado. Segurando a cintura da dama, o homem quase sentia sua pele, podia sentir o calor do seu corpo – “Ei, tira a mão daí!”.
___Não só os casais acabaram tendo de ficar mais distantes do seu par, como, também, a mão do cavalheiro, antes na cintura, sobe para o alto das costas, pouco abaixo da escápula da dama. Essa mudança não atinge apenas o Lindy Hop; grande parte dos estilos de dança que vieram depois dele acabaram por seguir os mesmo padrões. Vide, por exemplo, a salsa.
___Claro que esses são apenas alguns poucos elementos de como as sociedades e suas épocas influenciaram uma atividade lúdica e artística. Mesmo assim, pode ser uma pequena base para se questionar sobre o que é ou não imoral, despudorado e desrespeitoso em danças.

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* Cf.: P. GHIRALDELLI JUNIOR. A filosofia como crítica da cultura. São Paulo: Cortez, 2014. Cap. 7. 

30 de setembro de 2016

Convivendo na Cidade

___Ao escrever “O bonde passa cheio de pernas: / pernas brancas pretas amarelas. / Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. / Porém meus olhos / não perguntam nada.”, Carlos Drummond de Andrade expressou o assombro de se olhar o caos de uma cidade grande. Muitas pessoas –, muitas pernas – e pouco contato humano. 
___Essa visão um tanto melancólica da vida em cidade não é incomum. Algo bastante compreensível: é fácil sentir-se só em meio a uma multidão, ser empurrado e ignorado em um bonde ônibus lotado. Em outras palavras, é fácil olhar para a vida urbana de maneira triste, “comovido como o diabo.”. 

Tira de Rafael Sica

___Por isso mesmo, foi maravilhoso assistir o espetáculo Mapas Urbanos, da Caleidos Cia. de Dança, dirigido por  Isabel Marques e codirigido por Fábio Brazil. Um lindo trabalho de dança e comunhão com o público, que tem como foco a vida na cidade. 

Mapas Urbanos

___Dividido em 5 cenas bem distintas, o público se vê, o tempo todo, interpretando a mensagem passada pelos dançarinos e participando. Com o passar da peça, cada vez mais clara vai ficando a ideia de boa convivência no ambiente urbano, seja permitindo que uma faixa de pedestres seja um lugar seguro (e, portanto, gostoso para brincadeiras), seja dividindo guarda-chuvas (sempre em menor número do que as pessoas) ou participando de uma manifestação (sem violência policial). 

Mapas Urbanos

___A mensagem de convivência harmônica que a peça passa e a própria participação cada vez mais natural do público faz tudo parecer doce. Chega a ser difícil sair da peça sem pensar no quanto é importante dividir o espaço urbano. Não foi à toa que, na saída do espetáculo, eu consegui arrumar uma carona simplesmente pedindo entre as pessoas da plateia. Mesmo sem lua e sem conhaque. Poesia pura. 

Tira de Liniers

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P.S.: Então, depois de escrever um texto elogiando o Mapas Urbanos, faço um post scriptum anticlimático: eu fui ver o espetáculo na última semana em cartaz. Por enquanto, não dá para assistir.
P.P.S.: Por outro lado, a Caleidos Cia. de Dança, neste ano, está revisitando seu repertório (exatamente o caso do Mapas Urbanos, que é de 2011). Em outubro, eles vão apresentar Mairto, de 2015. Em novembro e dezembro, dois espetáculos inéditos. Informem-se pelo site

29 de julho de 2016

Uma dama talentosa e o presidente

___Em março, em meio à visita do presidente Barack Obama à Argentina, a dançarina Mora Godoy o convidou para dançar.* A dança, como qualquer atitude fora do protocolo de Obama, chamou uma enorme atenção da imprensa. Caso alguém não tenha visto, segue o vídeo


___Exatamente porque sou dançarino, inúmeros conhecidos meus me mandaram links do vídeo com a seguinte fala: “Nossa! Olha o Obama!!! Além de ser presidente dos Estados Unidos, ele ainda sabe dançar bem!!!!!!!!!!”. Normalmente as mensagens vinham com mais pontos de exclamação, mas o conteúdo era mais ou menos esse aí. 
___Eu, pessoalmente, achei o vídeo uma graça. Todos os participantes principais foram fofos. Só que, principalmente para quem não entende de dança, eu tenho de dizer: o Obama não dançou bem. 
___Claro, para um leigo, para alguém que nunca dançou tango, a dança do Obama com a Mora Godoy foi bem legal, entretanto não foi uma boa dança. Mesmo que pareça que foi ótima para quem não entende do assunto. 

Detalhe de uma das cenas de tango do filme True Lies

___A dança não foi boa porque o Obama, que devia ter o tango do True Lies como referência,** fez um movimento ao caminhar desconfortável para a pobre dama: caminhou “ao contrário”, deixando o braço da dama em uma posição levemente incomoda (38”). Além disso, quando Mora se aprumou em sua pose final, o Obama, sem querer, tirou seu equilíbrio (1’03”). 
___Eu sei que a Mora Godoy disse que o presidente americano dançou bem, que depois de algum tempo ela começou a segui-lo. Se eu estivesse no lugar dela teria dito o mesmo, mas seria apenas uma gentileza, não a verdade. Afirmo isso porque é possível perceber, aos 43 segundos do vídeo, Obama tentando parar e Mora acrescentando alguns passos chamativos para encorpar a dança.
___Por fim, vale repetir: escrevi essas desritmadas linhas só para mostrar alguns pontos curiosos para quem não conhece dança de salão. Claro, não estou aqui querendo atacar o Obama nem nada do tipo. Foi bacana e corajoso da parte dele, sabendo que o mundo todo estaria olhando, aceitar dançar. Mais bacana ainda foi ver a Mora Godoy ajudando ele a fazer bonito para a maior parte das pessoas que viram a cena.  

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* E seu parceiro, José Lugones, convidou a Michelle Obama.
** Talvez, em alguma reunião política, ele tenha até tomado aulas de tango com algum governador.  

25 de fevereiro de 2016

Fixação

___Sala dos professores. Um professor de Geografia, após os bons dias iniciais, pergunta:
___– Ulisses, é verdade que você trabalha com dança?
___– Sim. É verdade. 
___– Ah! Pensei que você fosse homem! –, fala, batendo nas minhas costas, meio que dando risada. 
___Dou um sorriso amarelo e saio para pegar água, pensando “E eu pensei que você não fosse homofóbico...”.  
___Animado, o geógrafo me persegue e continua a conversa:
___– Me fala, você tem que usar collant?
___– Só quando vou combater o crime. 
___– Ha, ha. Sério, você usa collant?
___Respiro fundo e respondo: 
___– Não. Eu pratico dança de salão. Costumo dançar com roupas comuns, mais ou menos com as mesmas que venho dar aulas de História. 
___– Ah bom... Puxa, achei que você dançava ballet. –, acrescenta o geógrafo, parecendo realmente aliviado.
___– Eu não danço ballet. Mas, dancei por dois anos, para melhorar minha postura como dançarino de dança de salão. 
___– ...
___O silêncio parece acabar com o papo. Eu, que, desde o início, não estava querendo continuar com aquela conversa, termino de encher minha garrafa de água e volto para o meu canto inicial. Pego um livro. Antes que eu conseguisse abri-lo, o professor de Geografia se aproxima novamente e pergunta:
___– Mas... Você usava collant?

2 de fevereiro de 2015

As flores de plástico não morrem


___É clássico, principalmente em estreias, que o público jogue flores no palco em que uma cantora acabou de apresentar um espetáculo. Só que, por vezes, a obra de arte que foi apresentada merecia flores, mas o público não as tinha. Ou o espetáculo e o público eram outros. 
___Dançarinos, às vezes, cultivam alguns costumes diferentes de outros artistas. Como já comentei por aqui, no teatro não se deve desejar boa sorte para um ator. O educado seria desejar um doce “Quebre a perna.”. Para um dançarino, entretanto, esse desejo pode ser um pouco perigoso. Deseja-se, então, o carinhoso “Merda.”. 
___O mesmo acontece com as flores. A não ser que o foco seja uma dança exageradamente estereotipada, não se costuma levar rosas para um salão de baile. 


___O que fazer, então, se alguns dançarinos se apresentarem de maneira tão espetacular e merecerem mais do que simplesmente aplausos? Bem... se quem dança valoriza as pernas, também deve valorizar os pés. Portanto, nada mais natural que a homenagem venha dos sapatos. Ao invés de se jogar flores, é possível jogar sapatos. 
___Deleitem-se com o exemplo dos franceses William e Maeva dançando lindy hop


9 de julho de 2014

Posso usar essa música para dançar?

___Uma das perguntas mais comuns que alunos de dança de salão costumam fazer é se eles podem usar determinada música para bailar aquela dança que eles dominam um pouco mais. Uma resposta simples, excetuando raríssimas exceções, é que "Sim, você pode.".
___Uma resposta um pouquinho mais elaborada explicaria para o aluno que os passos de cada dança de salão foram pensados para se dançar determinado estilo de música, para interpretá-lo. Exatamente por se encaixarem bem, os dançarinos passam a usar mais e mais aqueles passos para se dançar aquele estilo, inventam variações com aquela mesma base e, com o tempo, aqueles movimentos se tornam próprios daquela dança, viram passos tradicionais. Porém, se bem utilizados, aqueles passos podem ser usados em outros estilos musicais, em outras danças. Não é à toa que são incontáveis os passos que surgiram em uma dança e acabaram sendo incorporados (mesmo que com pequenas variações) em outras danças.
___Talvez alguém mais purista torça o nariz para tudo o que eu falei e venha dizer que as danças mais tradicionais não aceitam essa suruba coreográfica que eu defendo. Eu poderia até retrucar dizendo que acho bacana conhecer a tradição de cada dança, mas não ficar preso a ela. Mas, ao invés disso, prefiro simplesmente linkar este vídeo de uma milonga em que dançaram um tango forrozeado. A música é um forró e os passos, utilizados com uma boa musicalidade, são próprios do tango.

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Nota I: Peço desculpas. Como o vídeo está no Facebook, não consegui postá-lo aqui. Por isso, fica apenas o link
Nota II: Agradeço imensamente à Ro Costa, leitora antiga e fiel, pela indicação do vídeo.


1 de março de 2014

Variações de um mesmo tema – exemplo musical

___Admiro bastante quem trabalha como ator. Mesmo assim, é uma profissão que eu nunca teria. Não suportaria ficar repetindo o mesmo texto, sem nenhuma variação, noite após noite. Exatamente por isso, gosto de preparar aulas diferentes a cada vez que eu vou abordar um conteúdo. Por menor que seja a diferença, é uma delícia encontrar infinitos modos de se falar sobre a Revolução Francesa. Músicos parecem ter a mesma vantagem de poder variar dentro do mesmo tema. Só não é fácil de encontrar quem o faça de maneira bem feita. 
___Uma amiga querida me deu um par de ingressos para assistir Palavra de mulher, dirigida por Fernando Cardoso*. Trata-se de um espetáculo leve, de cerca de uma hora e meia, com três músicos e três cantoras interpretando músicas de Chico Buarque feitas para eus líricos femininos. Ambientado em um cabaré, as três cantoras revezam e cantam em grupo, proporcionando um show gostoso para quem aprecia as músicas do Chico. 
___Por mais bacana que tenha sido o espetáculo, o que realmente o fez valer a pena para mim foi presenciar o desempenho de Virgínia Rosa

Virgínia Rosa

___Além de cantar de maneira espetacular, Virgínia interpretava suas músicas de maneira ímpar: movimentava bem o seu corpo, mexia suas roupas segundo as músicas e modificava sua voz dependendo da situação. E foi exatamente pelos malabarismos que Virgínia Rosa fazia com a própria voz que eu pude ver uma cantora variando espetacularmente dentro de um tema que eu conheço bem – as canções de Chico Buarque. 
___Mesmo com o preço salgado, recomendo Palavra de mulher para quem gosta das músicas do Chico Buarque. Exatamente pelo espetáculo que Virgínia Rosa proporciona, recomendo Palavra de mulher para quem gosta de música. 

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Serviço:
Palavra de mulher
Alameda Santos, 2233 (São Paulo).
Horário: sextas 21h30; sábados 21h; domingos 18h. Até 23/III/2014.
Ingressos: sexta R$ 50,00; sábado R$ 80,00; domingo R$ 70,00.

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* Fernando Cardoso fez parte da direção de produção da horrível peça de dança-de-salão-autoajuda Seis Aulas de Dança em Seis Semanas. Mas, não deixem que isso deponha contra o atual espetáculo.