07 julho, 2006

Fala que eu... Vale mesmo a pena escutar?

_____É mais fácil encontrar uma virgem em um bordel (mesmo se for em um do livro do Gabriel García Márquez) do que uma boa dublagem de um filme com atores de carne e osso. Todas as sátiras já feitas de atores mexendo a boca em momentos diferentes das falas não conseguem ficar tão mal feitas quanto as horríveis dublagens de verdade. Sem contar o tanto que se perde com as más traduções.
_____Acabei me tornando uma pessoa completamente implicante com os filmes sem os diálogos na língua original. Entretanto, costumo ser mais maleável com dublagem de desenhos/animações (até perdôo as adaptações nas traduções). Como não são atores de verdade na tela, é possível que (assim como os escolhidos para dublarem as personagens no original) os atores/dubladores escolhidos para dublarem aqui no Brasil façam um bom trabalho. Claro que existem alguns absurdos que merecem ser citados, como A Terra Encantada de Gaya (Back to Gaya, de Lenard Fritz Krawinkel e Holger Tappe), que foi dublada pelo pessoal do Pânico e ficou pior do que extração de dente.
_____O Cri Crítico, colunista fictício do Guia do Estado de São Paulo, escreveu sobre o tema na semana passada.

Dublagem invasora

Já recebi e-mails de gente reclamando que não lançaram nos cinemas nenhuma cópia dublada de ‘King Kong’. Síndrome de televisão. Eu também adorava perceber que o sujeito que dublava o Arnold Schwarzenegger era o mesmo que fazia a voz do MacGyver. E concordo que a voz do “nosso” Homer Simpson é mais divertida que a do original americano. Mas, no cinema, dispenso a “versão brasileira”. E fico de cara amarrada ao saber que, das 60 cópias do desenho Carros na cidade, apenas quatro – quatro! – serão com legendas. Ou seja, você tem de garimpar a programação se quiser ouvir o bom e velho Paul Newman dublando um dos personagens. A menos que prefira a voz de Daniel Filho. Entendo que lancem cópias em português, só não entendo o porquê de dar preferência a um produto de menor qualidade.
(Guia, 30/VI/06, p. 54).

_____Sou obrigado a concordar que é um absurdo só quatro salas exibirem o filme no original (apesar de me agradar a alternativa de colocar para as últimas sessões, normalmente com mais adultos do que crianças, as sessões legendadas). Mas, tenho de discordar do Cri Crítico ao ouvir que a dublagem nacional é, sem dúvida, um “produto de menor qualidade” perante a – também dublagem – norte americana.
Pobres criancinhas com suas sessões vespertinas...
P.S.: Lasquei o pau em duas dublagens nacionais e ainda fico defendendo a existência delas... Isso que é acreditar nos profissionais tupiniquins.
P.P.S.: Não vai ser maravilhoso quando as pessoas da Livraria Cultura e da Fnac aprenderem a acentuar o nome do Gabriel García Márquez?

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