06 maio, 2008

O fim justificado da civilização asteca

_____Não precisei ler As veias abertas da América Latina para me revoltar com o absurdo que os espanhóis fizeram com as civilizações pré-colombianas da América. Claro que o interessante livro de Eduardo Galeano fez com que eu me revoltasse ainda mais, porém, desde que tenho o mais básico conhecimento de História, eu já sentia uma grande sensação de revolta pelo desleal massacre. Mesmo depois que me tornei historiador e conheci muito mais sobre o tema, pouco de minha opinião sobre o extermínio dos povos pré-colombianos mudou. Até ontem.

_____Ontem, entrei na cozinha e vi, em cima da mesa, uma garrafa de Groselha Asteca. Sedento por lembrar do delicioso gosto da bebida, coloquei um tanto em um pequeno copo e entornei o líquido garganta abaixo. Por Clio, que horror! Aquilo queimou minha garganta; era ruim que até doía. Tão doce que foi por muito pouco que não me tornei diabético instantaneamente. Praguejei conta a groselha. Cheguei mesmo a dizer que, se os astecas haviam servido aquela bebida para o Cortez, que o massacre estava justificado.

Groselha Asteca

_____Minha namorada, vendo minhas injúrias, perguntou o que havia acontecido. Expliquei para ela o ocorrido. Ela, entre gargalhadas, explicou para o ignorante do namorado dela, que eu deveria misturar o líquido da garrafa com água para que aquele “veneno mexica” virasse mesmo groselha (estava nas letrinhas miúdas da garrafa).

_____Sentindo-me, pela segunda vez na mesma semana, o ser mais estúpido do mundo, segui a receita dela e, admito, a bebida ficou muito gostosa. Diga-se de passagem, minha namorada também me ensinou a colocar umas gotinhas de limão no líqüido fica ainda melhor (se eu já conhecesse esse truque quando criança, teria gostado mais ainda de groselha).

_____O melhor desta história toda é que continuo achando o massacre espanhol um absurdo e não vou mudar mais de opinião nem se me servirem xocoatl*.

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* Bebida mexica, derivada do cacau, de gosto muito amargo.


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