05 julho, 2009

Manual básico dos seres humanos: os marcos

_____Desde a morte de Michael Jackson, apareceram em todos os cantos dois grupos: os fãs e os incomodados. Os adoradores são um grupinho clássico que surge sempre que alguma pessoa bate as botas. É só alguém abotoar o paletó que os órfãos do morto se multiplicam feito gremlins molhados. A diferença nesse caso, é que a singular vida do Sr. Jackson fez com que a exposição post mortem fosse enorme.
_____O resultado é que as notícias sobre o Michael duraram o bastante para criar o grupo dos insatisfeitos e, mais ainda, fazer com que eles se manifestassem. Entre os argumentos utilizados por quem não está gostando da mega-exposição do falecimento, o que eu mais ouvi até agora é o seguinte: “O que mais me incomoda nessa historinha da morte do Michael Jackson é que ninguém mais lembrava que ele existia, ninguém mais gostava dele e, agora, só porque morreu, parece até que ele era mesmo o ‘Rei do pop’.”.
_____Eu até entendo que falar demais de algum assunto cansa. Mesmo assim, deixem-me lembrar aos impacientes de um detalhe: por mais interessante que seja um assunto, por mais que gostemos de algum tema, não é possível pensar nele o tempo todo. Simplesmente seria impossível refletir sobre qualquer coisa se ocupássemos nossa mente 100% do tempo com o que achamos importante. Seríamos um simulacro tosco de Funes.
_____Não é à toa que nossa cultura trabalha com datas comemorativas e outros truques mnemônicos. Isso ajuda a fazer com que possamos dedicar nossa atenção a determinados assuntos só em alguns momentos e possamos tocar nossa vida normalmente no resto do tempo. Por exemplo, hoje ninguém está falando sobre a Biblioteca Nacional. Porém, no ano que vem, ela completa 100 anos e, portanto, será um assunto para lá de abordado, principalmente em outubro, no Rio de Janeiro.
_____As mortes também servem avivar as lembranças. Por mais triste que seja o falecimento de alguém, queira ou não, vira um lembrete de que devemos celebrar a vida que a pessoa teve, o que ela realizou, etc.. Deixando o exemplo do Michael Jackson de lado, aposto uma mariola que, em 2010, vocês vão ouvir falar  muito do tão esquecido Botticelli. Por quê? Oras, não é todo ano que um pintor com aquele talento completa 500 anos de morte. Descanse em paz, Sandro.

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P.S.: Falando do Sr. Jackson, o Marconi Leal continua genial. Confiram.

5 comentários:

  1. A história toda não tinha começado a me incomodar e eu não tinha reclamado, só achava estranho pessoas da minha idade, beeem aleatórias, falando que sentiam muito³ e etc.
    Eu só fiquei meio confusa, pois quando eu vi a notícia eu fiquei "nossa, que ruim :S", mas toooodo mundo fez um alarde muito grande @_@, então eu achava que algo tinha errado comigo AHSEAIUE poxa, será que eu não escutei músicas dele o suficiente pra sentir tanta falta?
    Enfim, acabei percebendo que as pessoas precisam perder pra dar valor.

    Entre as pessoas, tudo bem, mas eu ainda não consigo aceitar o fato de gravadoras e programas de tv querendo ganhar dinheiro em cima disso.
    Enfim, seres humanos. Querer tirar vantagem em toda a situação é típico de alguns deles. Mais um tópico do manual básico dos seres humanos, hahaha.

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  2. Eu acho bem diferente "sentir muito" de procurar saber da obra e das coisas pq ele morreu. Então não entendo muito um serzinho de 15 anos chorando ou um cara de 40 dizendo que ele não era mais o rei do pop. Po, era sim ue. Eu não tenho nenhum cd, por exemplo, mas conheço todas as músicas, passos, notícias. Acho meio fake esse lance do cara que vive out do mundo total. Não existe. Então é isso, ele morreu e vão ter mil notícias, documentários. Uns chatos, outros legais. Só isso. A morte traz um momento de lembrança. Só.

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