26 outubro, 2009

190 km/h é crime. 60 km/h também deveria ser.

_____Cruzei faz pouco com a campanha 190 km/h é crime.
_____Meu comentário não é exatamente sobre o mote da campanha. O vídeo e os adesivos lembram que dirigir a 190 km/h é crime. O fato é que, como já falei aqui antes, carro é uma arma. Dirigir a 190 km/h é crime; fabricar carros que possuam velocímetros que chegam a 190 km/h também deveria ser. Produzir carros que consigam atingir 190 km/h deveria ser crime, assim como comerciais que louvam a velocidade também deveria ser.


[embed width="500"]http://www.youtube.com/watch?v=IHDlEXOlYe8[/embed]


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_____Vocês sabem qual a diferença entre atropelar uma criança a 64 km/h e a 48?

[embed width="500"]http://www.youtube.com/watch?v=HeUX6LABCEA[/embed]


_____Como diz a menina no vídeo, “Se você me atropela a 40mph (64km/h), há cerca de 80% de chance que eu morra. Se você me atropelar a 30 (48km/h), há cerca de 80% de chance que eu sobreviva.”.


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_____Permitir que se ande a 60 km/h em uma cidade, por si só, já deveria ser considerado um crime. A vida humana é mais importante do que os minutos dos assassinos em potencial que utilizam automóveis.


[embed width="500"]http://www.youtube.com/watch?v=9wJue7HHieQ[/embed]


_____Claro que eu não sou ingênuo a ponto de achar que existe alguma chance de uma política pública mudar esse disparate. São Paulo é uma cidade que tem o azar de contar com o monstro Alexandre de Moraes como Secretário Municipal dos Transportes. O ogro proferiu no dia 31 de março de 2009, na Associação Paulista do Ministério Público, a seguinte frase: “Há medidas para ampliar a segurança, mas não implantamos, pois prejudicam o trânsito.”. Já seria algo horrível se o ajudante de homicidas não fosse, além de Secretário Municipal dos Transportes, também Presidente da São Paulo Transporte S/A (SPTrans) e Presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Mais um pouco e será necessário pedir a benção para o Herr Alexandre antes de se sair à rua.


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_____Motorista, deixando de lado o que Herr Secretário Municipal de Transportes de São Paulo diz, lembre-se: o pedestre nunca é culpado. Quem está portando a arma é você.
_____Para os céticos que pensaram em dizer que as propagandas apresentadas são montagens, fecho o texto com um ótimo vídeo produzido depois de uma simples andada de bicicleta do blogueiro Luddista pela Avenida Paulista.


[embed width="500"]http://www.youtube.com/watch?v=WzUQ0CERdOM[/embed]

12 comentários:

  1. [...] 190 km/h é crime. 60 km/h também deveria ser. – Incautos do Ontem incautosdoontem.opsblog.org/2009/10/26/190-kmh-e-crime-60-kmh-tambem-deveria-ser – view page – cached O texto procurado encontra-se logo abaixo. Caso o seu gosto seja muito apurado e, portanto, o desejo de ler outros artigos do talentoso autor deste blog torne-se uma necessidade, conheça o restante... (Read more)O texto procurado encontra-se logo abaixo. Caso o seu gosto seja muito apurado e, portanto, o desejo de ler outros artigos do talentoso autor deste blog torne-se uma necessidade, conheça o restante do Incautos do Ontem clicando aqui. Para receber as novas postagens assim que elas forem publicadas, assine o RSS feed ou deixe o seu e-mail. Volte sempre. (Read less) — From the page [...]

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  2. Também acho que dirigir a 60Km/h deveria ser crime. Principalmente nas autopistas urbanas, com as linhas vermelha e amarela no Rio de Janeiro.

    Em tais vias a velocidade mínima deveria ser 80km/h. Abaixo disso: multa!

    Nos países do hemisfério norte existe várias leis limitando a velocidade mínima. E neste países ocorrem índices de violência de trânsito muito menores que aqui.

    Acho que você foi pelo caminho errado. Se tivéssemos uma velocidade máxima de 50Km/h nas cidades o trânsito simplesmente não funcionaria. Para termos isso melhor proibir de vez o automóvel.

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  3. Aqui na Alemanha o limite nas cidades são 50 e 30 km/h. Como temos geralmente áreas residenciais muito bem separadas do resto da cidade, lá o máximo é 30km/h, e na cidade "normal" é 50km/h. Esse limite é bastante respeitado por aqui.

    Fora da cidade é 100km/h e nas Autobahns (rodovias) a velocidade máxima é ∞ (infinito). A maioria tem 3 pistas, e algumas até 4. Tem vez que estamos dirigindo a 160km/h (na faixa do meio) e passa carros do nosso lado esquerdo que nem um foguete.

    Aqui a taxa de acidentes é 6 a cada 100.000 habitantes por ano. 3x menos que no Brasil.

    Links: http://en.wikipedia.org/wiki/Speed_limits_by_country
    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_OECD_countries_by_traffic-related_death_rate

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  4. Ah, e parabéns pelo texto. Muito interessante e cheio de informações uteis.

    Qualquer dia eu escrevo no meu blog algo sobre este tema. Eu fico impressionado como as pessoas andam de bicicletas aqui. Depois eu vou atrás de estatísticas.

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  5. Me faz lembrar de testemunhos antigos de sujeitos que não se adaptavam ao mundo da velocidade. Como Rossini, que morreu em decorrência de uma viagem de carruagem a Paris, que durou dias e afetou sua saúde já combalida - tudo porque passava mal com a velocidade dos trens.

    Cronistas contam que no RJ do início do século eram comuns os atropelamentos de bonde, pois os pedestres não estavam acostumados a cruzar à frente de um veículo que desenvolvia incríveis 20 km/h.

    Não sei como alguém consegue morar em São Paulo.

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  6. É um ponto importante a ser discutido, mas a limitação da velocidade é apenas um fator dentre tantos que fazem parte da segurança no trânsito.

    Talvez quando muitos destes fatores forem resolvidos, a limitação da velocidade seja uma medida interessante...

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  7. Eu sempre parto do princípio de que a preservação da vida humana é o que há de mais importante. Se o modo como as pessoas utilizam os carros acaba com a vida de outras pessoas, algo tem de ser feito.

    Ah, e nunca se esqueça que esses países que possuem velocidade mínima nas autopistas (nunca em perímetro de tráfego de pedestre) são aqueles mesmos nos quais os carros brecam assim que um pedestre ameaça pisar no asfalto. Aqui, nem na faixa, com o farol fechado e um cara do CET ao lado os pedestres podem atravessar a rua sem se preocupar.

    P.S.: Vc sabia que a velocidade média em Sampa costuma ser de 30 km/h. O trânsito já não anda.

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  8. Os motoristas aqui de São Paulo simplesmente perderam todo o respeito pelos pedestres, por outros motoristas e todo resto que cruze seu caminho.

    Outro dia um motorista revoltado fez a sequência básica de dar farol alto/xingar/dar aquela fechada ao ultrapassar, por que? Simples, porque eu parei na frente dele em um cruzamento para dar passagem para uma ambulância que vinha com o giroflex ligado.
    Um absurdo essas ambulâncias né??? Afinal, a emergência da ambulância não é nada comparada com a pressa do cidadão do outro carro de chegar em casa!

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  9. Caro Ulisses,

    Exagerar para defender o seu ponto de vista é uma tática bastante comum. Dizer "lembre-se: o pedestre nunca é culpado" é tão exagerado como dizer "todo homem é um estuprador" pois, afinal, todos os homens (e só eles) possuem pênis.

    Outro dia eu "atropelei", com meu retrovisor, um pedestre que se atirou na via. Parei o carro, chamei o resgate e fui cuidar do coitado. O sujeito estava bêbado, tão bêbado que não conseguia nem entender que havia sido atropelado. No B.O. feito pelos policiais que vieram ao local do acidente não havia a assinatura da vítima, e no lugar estava escrito apenas algo como "incapaz de assinar por se encontrar ébrio". No entanto, de acordo com sua avaliação a culpa foi minha... É, provavelmente: o comportamento irresponsável de ter saído de casa usando um carro (uma arma, não é) foi meu. Eu devia ter ido a pé, não é?

    Um abraço!

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  10. Hum... vamos às respostas.

    Eu não concordaria tanto com a afirmação de q dizer que “‘o pedestre nunca é culpado’ é tão exagerado como dizer ‘todo homem é um estuprador’ pois, afinal, todos os homens (e só eles) possuem pênis.”. Eu não acusaria todos os homens... mas eu acrescentaria, “a mulher nunca é culpada do estupro.”. E não possuir um pênis é só um dos motivos para isso.

    Quanto ao bêbado que você atropelou... hum... entendo o seu ponto. Mas, vamos mudar as personagens: em uma rua com limite de 30km/h, o motorista está andando a leves 50km/h. Sem olhar para os lados, sai de trás de uma árvore uma criança de 9 anos correndo atrás de uma bola chutada com um pouco mais de força. O motorista tenta brecar, mas não dá tempo. Ele não queria atropelá-la, mas não foi possível evitar.

    Culpar o idiota que bebeu pode até fazer sentido. Trocando as personagens, entretanto, o que faríamos? Dá para culpar a criança atropelada por ter sido irresponsável? Ela deveria ficar trancada em casa por causa das pessoas que andam de carro?

    Não quero proibir você, nem ninguém de andar de carro. Porém, eu gostaria muito de deixar os motoristas conscientes que eles estão utilizando uma máquina de mais de uma tonelada. Uma máquina de mais de uma tonelada que pode matar. E quem resolveu sair de casa utilizando a máquina de mais de uma tonelada que pode matar – vulgo “a arma” – deve, sim, tomar conta de toda e qualquer vida. A vida das pessoas é mais importante do que a necessidade de alguém utilizar um carro.

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  11. [...] e-mail. Volte sempre. #####Powered by WP Greet Box___No mês passado, publiquei um texto chamado “190 km/h é crime. 60 km/h também deveria ser.”, defendendo a redução da velocidade dos automóveis. Alguns leitores reagiram negativamente. [...]

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  12. [...] Não é à toa que o Secretário Municipal dos Transportes era Alexandre de Moraes, o homem que disse: “Há medidas para ampliar a segurança, mas não implantamos, pois prejudicam o trânsito.”. [...]

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