28 março, 2010

O herói?

___Na última sexta-feira, professores paulistas realizaram uma manifestação nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes. Tristemente, o evento acabou em pancadaria, com feridos dos dois lados. Na internet, entretanto, o grande furor acabou sendo causado por conta de algumas fotos tiradas por Clayton de Souza e Rodrigo Coca.




___A imagem parece muito significativa: uma policial ferida é socorrida por um dos manifestantes. Graças a ela, textos lindos e emocionados, como o de Leandro Fortes, foram produzidos.
___A PM, então, correu a desmentir a versão mais provável. “Com relação à foto publicada na grande imprensa de uma policial sendo socorrida, a Polícia Militar esclarece que trata-se da Soldado Erika Cristina Moraes de Souza Canavezi, que foi ferida com uma paulada no rosto e que está sendo socorrida por um policial militar a paisana.”.
___Pois bem, como não há certeza nas informações, vamos brincar de analisar o que existe de disponível.



___Como é fácil perceber pela fotografia, o homem que está a socorrer a policial usa roupas comuns. A PM afirma que se trata de um policial à paisana. A informação acaba sendo um pouco estranha, já que o “policial a paisana” possui bastante cabelo (ai, que inveja...) e barba.
___A solução pode ser bem simples, claro: o suposto policial pode fazer parte de algum serviço secreto da polícia e, portanto, a barba pode fazer parte do disfarce. O ponto obscuro, claro, fica com o fato de que uma polícia que infiltra um policial entre os manifestantes para vigiá-los, também pode infiltrar um para incitar a multidão. Posto isso na pauta, torna-se inverossímil qualquer tipo de acusação de que os professores foram os iniciadores do conflito.
___Outro fato problemático é a nota da Polícia Militar divulgar o nome da soldado ferida, mas não do pretenso policial à paisana que a socorreu. Quando questionada – o horror –, a resposta é que “a PM ainda não sabe o nome do policial militar à paisana nem o que ele fazia na manifestação. Mas que ele foi identificado como sendo da corporação.”. Identificaram o coitado como policial, mas não sabem quem ele é? A Polícia não pode ser tão desorganizada assim. (Tá bom, pode, mas deveria disfarçar um pouco.). Sinceramente, isso é mais estranho do que ver dinheiro na minha conta bancária.
___Mesmo com todos esses problemas, o mais provável é que a Polícia tenha dito a verdade e o homem que socorreu a PM ferida deve realmente ser um policial à paisana. A solução é simples. (I) Se a Polícia Militar estivesse mentindo (o que, vale lembrar, não foi incomum em muitos momentos da história do país), os professores estariam agora tendo orgasmos múltiplos ao pegar a mentira. (II) Até os mais ferrenhos adversários da Polícia têm de admitir que blefar nesse ponto é muito perigoso; a PM não seria tão idiota. De qualquer modo, não há outra solução: para não ser mais desmoralizada, a Polícia, agora, tem de divulgar o nome e a patente do pretenso policial à paisana. Aguardemos.

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P.S.: Se vocês acharam estranhas as informações desencontradas da Polícia, não deixem de ler com atenção como, escrotamente, foi descrita a manifestação dos professores pelo portal Terra.

4 comentários:

  1. Eu não sei se me importa de que lado da guerra estava o cidadão não identificado, se ele era policial a paisana é digno ter socorrido um colega ferido e se ele for um dos manifestantes é mais bonito ainda por que ele conseguiu perceber que por mais que a situação os tivesse colocado em lados opostos, ele percebeu que um ser humano é muito maior do que qualquer causa.

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  2. [...] leitores vieram me perguntar por que eu chamei o texto sobre a greve dos professores, publicado no portal Terra, de escroto. Sei muito bem que é mais fácil desconfiar do Mestre Yoda do que criar um texto completamente [...]

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  3. [...] pouco de medo de falar do assunto, pois José Serra e o PSDB contam com um admirável histórico de reagir com violência contra professores que tocam nesse tema; mesmo assim, vou em frente. O salário pago pelas escolas [...]

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  4. É, fazem dois anos e pelo que eu sei ainda nada.

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