06 dezembro, 2010

Promessas vazias

___Queridos leitores paulistas: bem vindos a dezembro. Por sorte, meus queridos, novembro acabou e, talvez, o PSDB, o partido eleito para continuar a governar o estado de São Paulo, já tenha se cansado de fazer os seus eleitores de otários. Acho que o PSDB não cansou, que continuará a governar para poucos e a transformar a vida de muitos em algo pior, mas o que sei eu.
___Para explicar melhor minhas reclamações, para ajudar aqueles com memória fraca, permitam que eu desanuvie a memória de vocês.


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Segurança
___Lembram do que o governador eleito Geraldo Alckmin falou sobre segurança durante a campanha? Deem uma olhada, caso necessário, nos primeiros minutos do vídeo abaixo, do canal oficial da campanha no You Tube:








___Vou transcrever o trecho inicial: “É a nossa prioridade a questão da segurança pública e eu queria colocar o seguinte: primeiro, valorização policial, valorização policial, condições de trabalho para o policial...”. Flap, flap, flap. Não é lindo? O Sr. Geraldo Alckmin não só falou que iria valorizar os policiais, como repetiu isso. Puxa, quer dizer que depois de 16 anos de governo do PSDB em São Paulo, depois de 16 anos pagando salários vergonhosos o então candidato a governador disse que iria valorizar os policiais! Infelizmente, depois de eleito, o Sr. Alckmin mostrou que sua promessa de campanha era, apenas, uma mentira deslavada.
___Alckmin foi um dos governadores eleitos que se dirigiu, em novembro, para Brasília para fazer um apelo aos parlamentares para que, este ano, não seja aprovado o PEC 300 – que trata da criação de um piso salarial nacional para policiais e bombeiros. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, Alckmin disse: “Isso deve ficar para o ano que vem, depois da posse dos governadores e da presidente eleita. Aí discute-se segurança pública e a melhoria salarial dos policiais.”. Salário baixo no rabo dos outros é refresco, né? Falar, em campanha, que vai valorizar os policiais, mas, já antes de assumir, lutar para atrasar um projeto de aumento de salário é, no mínimo, a atitude de um crápula.
___Antes que alguém venha defender uma atitude dessas, faço minhas as palavras de Ivan Valente, o meu deputado federal: “Quando os governadores foram candidatos — agora eleitos ou reeleitos — diziam que a prioridade era educação pública, saúde pública e segurança pública. Mas todos sabiam das limitações. (...) Os governadores não querem mexer na estrutura de pagamento da dívida, mas não têm dinheiro para pagar um salário melhor para os profissionais de educação, saúde e segurança pública. Não concordamos com esse raciocínio. Não há nenhuma irresponsabilidade fiscal nisso. O que existe, por parte dos governos federal e estaduais, uma irresponsabilidade social. (...) As pessoas dizem que não podemos votar um piso para a Polícia Militar porque aí os professores, que têm piso de R$ 1.024 por 40 horas semanais, vão ficar reclamando. É lógico! Se é concedido um piso de 3 mil e tantos reais para uma categoria, por que o professor ganha mil, essa miséria?”.


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Transporte
___Para não concluir o texto com uma pedrada só e ajudar os paulistas de memória fraca, creio que pode ser válido lembrar outra promessa: estações de metrô.
___Quem anda pelo metrô paulistano cansou de ver as incontáveis propagandas do ExpansãoSP, nas quais se falava sobre as melhorias que estavam sendo feitas pelo governo estadual. A palavra “Expansão” foi escolhida, obviamente, para associar os planos do governo não às pequenas melhorias, mas à expansão das linhas, à inauguração de novas estações.
___E as promessas foram muitas.




___Citando o portal do governo estadual, com o parágrafo ainda no ar (print screen aqui, se necessário), “Um dos grandes destaques nas intervenções do Metrô é a construção da Linha 4-Amarela (Vila Sônia-Luz), que terá 12,8 Km. A primeira fase da linha começa a funcionar até o fim de 2010 com as estações Butantã, Pinheiros, Faria Lima, Paulista, República e Luz. Na segunda fase entrarão em operação as estações Vila Sônia, São Paulo-Morumbi, Fradique Coutinho, Oscar Freire, e Mackenzie-Higienópolis.”.
___Deixem-me repetir um trecho: “A primeira fase da linha começa a funcionar até o fim de 2010 com as estações Butantã, Pinheiros, Faria Lima, Paulista, República e Luz.”. Apesar do que foi dito, das 6 estações da Linha 4-Amarela prometidas até o fim de 2010, apenas 2 (DUAS!) foram entregues à população. A estação que eu estava aguardando, a Butantã, estava prometida para novembro. Assim como os 6 orgasmos múltiplos que prometi ontem para minha namorada, a estação ficou só na promessa. E olha que eu, pelo menos, entreguei 5.


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___Assim como zumbis se alimentam de cérebros, políticos vivem de propagandas. Só que o cumprir ou não dessas promessas tem efeito direto na vida dos cidadãos e, por isso mesmo, achei que valia a pena recordar algumas. Para os insatisfeitos com os governos paulistas do PSDB ou com outros governos por aí, a caixa de comentários está aberta para que promessas não cumpridas sejam lembradas. Só, por favor, se forem lembrar algo (e demonstrar que a promessa foi vã), façam como eu, citem as fontes, não acusem com boatos.

3 comentários:

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Diângeli Soares, O Pensador Selvagem. O Pensador Selvagem said: OPS! > Blog Incautos do Ontem: Promessas vazias | http://bit.ly/hAjGSb [...]

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  2. E então, vc acha que deixariam o Goldman inaugurar as estações da Linha Amarela? Ainda mais agora, com todo o rolo da Linha Lilás, que, pelo andar da carruagem pode não ser inaugurada na época da reeleição do Alckmin. E aí, qual seria o carro chefe da campanha do PSDB em 2014? Haja paciência...

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  3. [...] o que eu escrevo sobre política, saibam que não resolvi publicar este texto para lembrar que as estações Butantã, Pinheiros, República e Luz, da Linha Amarela do metrô, não foram entregue.... Resolvi escrever para comentar uma das frases infelizes ditas pelo quase-ex-governador em meados [...]

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