12 janeiro, 2011

O Belas Artes vai fechar e você não está fazendo nada para impedir

___Juro que não queria ser o escroto estraga-prazeres, sei que muita gente pode me odiar por conta deste artigo, mas eu tenho de falar.

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___Como qualquer cinéfilo de São Paulo sabe, o Belas Artes, provavelmente o melhor cinema de rua de Sampa, vai fechar no fim deste mês. Seu problema não é ser desconhecido, estar fora de sua época, sem público, caindo aos pedaços ou sem interessados em mantê-lo. Muito pelo contrário.

Belas Artes (1981)

___Fundado em 1943, na esquina da Paulista com a Consolação, não só o Belas Artes é extremamente conhecido, como, também, é um cinema de fácil acesso. Além disso, desde a reforma patrocinada pelo HSBC, em 2004, o Belas se manteve sempre bem tratado – bonito, limpo, inteiro, moderno. Mesmo no ano passado, quando o banco deixou de patrocinar o cinema, o Belas se manteve bem cuidado e saiu em busca de novos patrocinadores. Como não faltavam interessados em mantê-lo, um novo patrocínio foi conseguido, ainda em 2010.

Belas Artes: Rodrigo Capote/Folhapress

___O cinema também não carece de público. A frequência é constante durante a semana, forte nos fins-de-semana e gigantesca nos Noitões. Provavelmente foi o cinema que eu mais frequentei no ano passado.
___A programação das seis salas, então, é um exemplo para qualquer cinema. Variada, interessante, com filmes que só passam por lá. Filmes cults, cinema-pipoca, nacionais e estrangeiros de vários pontos do mundo. Sessões especiais, com clássicos, e o hábito de manter bons filmes em cartaz por meses a fio. Além das promoções que tornam os filmes realmente acessíveis.
___O Belas Artes não vai fechar por conta de qualquer problema que leva um cinema normal a encerrar suas atividades. O Belas vai fechar porque o novo dono do terreno pode conseguir mais lucro alugando para outras pessoas.
___Flávio Maluf, atual dono do terreno, infelizmente não é o filho do ex-prefeito Paulo Maluf. Há dois anos, quando seu pai morreu (não disse que é uma infelicidade ele não ser filho do Paulo Maluf?), Flávio herdou o prédio do Belas Artes. Agora, com o vencimento do contrato, o Sr. Maluf, que não gosta tanto de cinema quanto o pai, resolveu que prefere alugar para uma loja.

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___Muita gente tem se organizado para se manifestar contra o fechamento do Belas Artes. Sei que não é muito simpático da minha parte falar isso, mas do modo como tudo tem sido feito, toda essa mobilização provavelmente não vai dar em nada.
___Existem duas iniciativas que eu vi os futuros cinéfilos-orfãos empreenderem: manifestações e abaixo-assinados.

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Manifestações
___As manifestações – a maior marcada para este sábado –, pelo que tudo indica, vão acontecer na Avenida Paulista e nas proximidades do cinema. Tudo bem, parece gostoso encontrar um monte de cinéfilos, andar por aí e depois pegar um cineminha de despedida. Só não vai resolver nada.
___Uma manifestação pode chamar a atenção da imprensa, algo que o Belas Artes não está precisando. Não que mais divulgação do assassinato do cinema seja ruim, mas a cobertura do fechamento tem sido bem aceitável nos jornais de Sampa e, portanto, torna-se supérfluo. Se fosse uma caminhada em direção a algum órgão competente para pressionar o tombamento do cinema ou algo do tipo, até faria mais sentido. Se fosse uma passeata até a porta da casa do Sr. Flávio Maluf para tentar convencê-lo a não fechar o cinema, eu entenderia. Mas, simplesmente caminhar pela Paulista parece tão inútil quanto fazer estudar Biologia para se preparar para a prova de Literatura.

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Abaixo-assinados
___Quanto aos abaixo-assinados, é sempre bom lembrar que dificilmente eles rendem algum resultado. Na maior parte das vezes, petições me lembram aquela velha piadinha sobre orações: “Rezar: a melhor maneira de não fazer nada e ainda achar que está ajudando.”. Dá até para brincar e colocar um “Assinar: a melhor maneira de não fazer nada e ainda achar que está ajudando.”.

O poder da oração

___Digo mais: se rezar já é meio ridículo, orar errado é inteiro. Uma petição online malfeita não apenas não vai resolver nada, como ainda dará a quem a assinou um papel extra de bocó.
___A introdução de um abaixo-assinado, serve para se dizer o que se está assinando. Vamos supor que eu mande um e-mail para 20 amigos pedindo pelamordedeus para eles assinarem minha petição online para salvar as focas verdes da Malásia. Os 20, com dó das pobres foquinhas – “Olha, que foto linda. Adorei essa animação de Power Point! Temos de salvas esses bichinhos.” –, assinam. Por melhor que tenha sido a intenção deles, se no topo do abaixo-assinado estiver escrito “Petição a favor do direito de triturar focas verdes da Malásia para fazer patê” e o abaixo-assinado de uns brasileiros estranhos mobilizar o congresso da Malásia, o ato de triturar foquinhas verdes pode se tornar permitido e os 20 idiotas que assinaram só terão ajudado a matar as focas, não a salvá-las. Entendem?
___Olhem, agora, o abaixo-assinado online a favor do Belas Artes. Eu sei que não está tão bizarro a ponto de pedir que implodam o cinema, porém, mesmo assim, não se pode chamar aquilo de texto sério.

Abaixo-assinado contra o fechamento do Belas Artes

___Vou analisá-lo brevemente:



“Abaixo-assinado CONTRA O FECHAMENTO DO CINE BELAS ARTES”


___Começou direitinho. Um título simples e claro, dizendo a que veio – tal qual o primeiro parágrafo: “A finalidade é contra o fechamento do CINE BELAS ARTES na Rua da Consolação.”.



“Para:FLAVIO MALUF”


___Continuou bem. Destinou o abaixo assinado a alguém que, se quiser, pode resolver algo.
___Só que, após o primeiro parágrafo, a coisa degringola:



___“Foi feito acordo quanto ao pagamento do aumento do aluguel, mas o digníssimo proprietário resolveu desistir e solicitou o prédio.”


___Não parece mais algo destinado ao dono do imóvel, mas dá até para relevar. A continuação, entretanto, é algo completamente desconectado do resto do texto.



___“Procurado, o proprietário do imóvel, Flávio Maluf (que não é filho de Paulo Maluf), não precisou sequer ouvir uma pergunta. A identificação da reportagem da Folha foi suficiente para que dissesse não ter nada a declarar.”


___É um simples copia e cola de um parágrafo desta boa reportagem da Folha. Não só é apenas uma cópia não citada de um parágrafo, como é uma cópia meio inútil, que não está bem conectada ao restante do texto da petição.
___Por fim, o abaixo assinado termina com uma conclusão pobre e também um tanto desconexa.



___“Portanto, não podemos ficar ‘parados’ contra tal atitude uma vez que o cine BELAS ARTES está lá há 68 anos e o Sr. André Sturm já havia conseguido nova parceria depois que o HSBC retirou o patrocínio.”


___Talvez descobrir para qual loja Flávio Maluf pretende alugar o espaço e organizar um boicote público desse muito mais resultado. Assinar um documento malfeito provavelmente vai resolver tanto quanto dar uma grana para aquela cigana infalível que vai trazer a pessoa amada em três dias.

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___Tentar impedir o fechamento do Belas Artes sem ações realmente organizadas, bem pensadas, centradas e sérias é como tentar passar em Medicina na 1ª fase da Fuvest só chutando: existe uma remota possibilidade de conseguir algum resultado positivo, mas provavelmente não vai dar em nada.

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Respostas aos futuros comentários:
- “Ah, seu puto! Se nossa manifestação/nossa petição der certo e o Belas Artes não fechar, eu quero ver o que você vai dizer.”
___Se o Belas Artes não fechar, eu vou dizer “Que ótimo!”, vou ficar feliz e festejar. No entanto, tenho de dizer: se não fechar, não vai ser por conta da manifestação/petição de vocês. Pelo menos não enquanto elas estiverem sendo feitas assim.
- “Ah, seu puto! Você pode não saber, mas tal abaixo-assinado/tal manifestação resolveu tal e tal coisas, blá, blá, blá, flap, flap, flap.!”
___Leia o texto com mais atenção. Eu disse: (I) que provavelmente não resolverá nada. (II) Que, se a manifestação/petição forem mal feitas, mal destinadas, a chance de não dar em nada é bem maior. Certo?
- “Ah, seu puto!”
___Sou um puto mesmo. E um puto barato.


15 comentários:

  1. Marcelo Buzzoni12 janeiro, 2011 21:46

    Sim, além de abaixos-assinados não sei mais o q fazer. Hoje 12/01, em artigo na Folha, um prof. da FAU-USP (é famoso, mas esqueci o nome agora) sugere o tombamento daquela região, impedindo-se a demolição, transformação do espaço, protegendo, portanto o Belas Artes. Mas acho dificil em menos de 15 dias eles conseguirem isso, se em um ano não o fizeram...
    O negócio é ver judicialmente como está a questão. Pelo que vi (li) houve quebra de contrato por parte do proprietário. Assim, há uma chance por esse lado. Mas não sei desses detalhes, se são apenas boatos.
    Se tiver mais sugestões, passo por aqui de novo.
    Abraços!

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  2. Ótimo, Marcelo. Indicar ações viáveis já é fazer uma parte. Acho que o professor da FAU é o Nabil Bonduki e o artigo, esse aqui: http://sergyovitro.blogspot.com/2011/01/nao-deixe-o-cine-belas-artes-fechar.html

    Fico na torcida para que dê certo. E já penso em acompanhar a carreira política do Nabil, que está me parecendo interessante.

    Abraços.

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  3. Terumi Bisauchet13 janeiro, 2011 12:01

    Realmente não tiro sua razão quanto uma melhor organização das passeatas para que tenham resultados mais significativos, seguir até a casa do Flavio Maluf sem dúvidas seria mais eficiente que ir até o Masp, mas quando diz que esses protesto...s 'provavelmente" não irão adiantar em nada, acho que mesmo as reivindicações regadas à passeatas e abaixo-assinados aparentemente improdutivos, possuem uma repercussão inegável e estimulam um certo debate na sociedade que muitas vezes estava perdido. Sabe Trida, por onde ando, vejo as pessoas discutindo sobre o assunto, sobre esse descaso que dão à cultura e a arte do nosso país, somente essa sensibilização, esse convite ao debate sobre algo que está acontecendo que não seja jogo de futebol já é um considerável feito desses protestos na minha opnião.
    E pelos emails que recebo do pessoal que está organizando as passeatas, há pessoas estudando iniciativas mais institucionais que possam impedir o fechamento do cinema, levando-se em consideração o artigo do arquiteto Nabil Bonduki professor da FAU que esclarece bem essas medidas para tombar o prédio como patrimônio histórico. ( posso enviá-lo se quiser).Bom, há falhas sim nessa reivindicação, mas sei que estão se organizando para acabarem com boa parte delas, e como a maioria dos protestantes é formada por jovens, só vejo o lado positivo disso: aprenderem com os esses erros.

    Não acho que desentivar esses poucos jovens com algum ideal seja uma medida válida na minha opnião Trida, e não me leve a mal, mas senti um pouco disso aqui. Mas claro que concordo completamente com a suas sugestões de como melhorar esse protesto e vou tentar passar isso para os organizadores.

    Abraços.

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  4. Terumi, suscitar o debate (e um debate de qualidade) é exatamente o que estou fazendo com este meu artigo. Ainda mais sendo professor, deixar que jovens (se bem q esse movimento do Belas está bem longe de ser um movimento só de jovens) façam algo mal feito para, depois, não obter resultado nenhum é q me parece algo inútil e desincentivador. Prefiro bem mais fazer críticas para que esses jovens aprendam, melhorem e consigam obter algo. E, mesmo se não conseguirem nada agora, essa lição vai ajudá-los a conseguir depois. Lembre-se, anjo, criticar nem sempre é para desincentivar e destruir algo. Ver as pessoas errarem e não falar nada pode ser bem pior.

    Bjs.
    T..
    P.S.: O link para o ótimo artigo do Nabil está aí em cima do seu comentário, no meu comentário anterior.

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  5. Excelente texto, mas tem uma coisa ainda mais inútil que abaixo-assinado, e que em breve vai surgir (se é que já não surgiu): criar hashtag para o Twitter, do tipo #vivabelasartes, sei lá.

    "PO MEU ZUERA Q VAO FECHA O CINEMA!!!1! EU CURTIA DE MONTAO!! #VIVABELASARTES"

    "#VIVABELASARTES NO TT MUNDIAL!!! DÊ UM RT E FAÇA SUA PARTE PELA CULTURA BRASILEIRA!!! "

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  6. Podemos nao estar bem organizados, porém estamos conseguindo resultados.
    Ontem a noite, foi publicado pelo Serra que tombariam o cinema.
    O manifesto teve resultado.
    Pode nao ter sido do geito que o sr gostaria, mais aconteceu algo pelo menos.
    Acredito que se nao tivessemos "andado pela paulista" nao teriamos cutucado as autoridades publicas.

    Obrigado

    Eduardo Oliveira
    88429283

    www.querobelasartes.blogspot.com

    Falo em nome dos internautas protestantes.

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  7. Eduardo, o tombamento, se der certo, vai acontecer principalmente por conta de todo o trabalho que o Nabil Bonduki (do PT) tem feito e não por conta dos protestos. Foi ele, o Nabil, o principal “cutucador” das autoridades públicas. Dá uma pesquisada que você vai ver.

    De qualquer modo, não sei se você percebeu, mas o meu texto não é contra o protesto. É um artigo que mostra os erros do protesto e do abaixo-assinado, mostra para que possam ser corrigidos, melhorados, para que exista uma possibilidade maior ainda de dar certo. Mais do que isso, eu inclusive dei sugestões de como o movimento poderia ser mais efetivo (sugestões que, vale dizer, vão pelo mesmo caminho do que parte do que o Nabil fez).

    Abraços.

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  8. Já que eu citei tantas vezes, aqui nos comentários, o Nabil, vale citar, tb, a Ana Paula Sousa (da Folha), que tem se preocupado muito em divulgar o drama do Belas, e os políticos Carlos Gianazzi (do PSOL) e Gilberto Natalini (do PSDB).

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  9. [...] Incautos do Ontem: O Incautos é mais um dos ótimos blogs do OPS e é mantido pelo Ulisses, um dedicado professor de história de São Paulo. Sempre tem alguma coisa interessante no blog do Incautos. Antes de eu começar a seguir de fato o blog, eu já tinha ido parar lá várias vezes por acaso, pesquisando coisas no google. Minha dica para você conhecer este blog e descobrir se gosta é este link [...]

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  10. Achei bem interessante seu ponto de vista Ulisses. Concordo plenamente com a idéia de que essas ações, da maneira como ocorrem não são efetivas em suas realizações. O caminho burocrático e interno dos meandros políticos pode ser, nesse caso, muito mais efetivo. E dessa maneira, essas manifestões perdem qualquer sentido. Mas as pessoas gostam de se sentir fazendo parte de um movimento, de uma transformação, de ter o poder de mudar as coisas. Hoje fiquei "preso" na manifestação que houve na paulista. Estava na frente do cinema quando o pessoal chegou. Fiquei olhando a manifestação de dentro. Muito divertida, faixas, apitos... mas qual o sentido? Quem eles queriam chamar a atenção? Dos carros que passam ali? Da população? Acho que a imprensa tem feito isso, como vc mesmo disse, muito bem.

    Depois de um tempo o Nabil apareceu e falou sobre o tombamento. Algo que se ocorrer, será maravilhoso. Mas duvido muito que tenha sido efetivado por essas manifestações na rua. Se originou sim do movimento de defesa do patrimonio, das pessoas que se organizaram para o "salvamento". E acredito também que sem esse movimento, o processo do tombamento não teria saído do lugar.

    Mas depois vi o outro lado dessa manifestação toda. Quem falou depois do Nabil foi o Feldman do PV. Vários fotógrafos. Quando ele pega o megafone, um já grita "pega a faixa para foto". E ele segue a risca as instruções do fotógrafo. Tudo para aparecer numa bela foto mostrando sua "luta" política nesse ambito.

    Não duvido que certos políticos possam ter uma vontade sincera em ajudar o cinema. Agora o que me enoja é o "aparecer bem na foto". No final, tudo se resume a isso. Aparência.

    E fica bem na foto ser o cara que vai nas manifestações, que se meche, que faz e acontece para salvar o cinema.

    Mesmo que isso seja só uma bela representação.

    Uma bela atuação para salvar o cinema.

    Aplausos.

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  11. Concordo com cada linha, e até com cada frase, do que você escreveu. Às vezes as pessoas caem em algumas ingenuidades... Claro que estou (estamos) triste com a notícia, mas a nossa margem de manobra num caso de proprietário particular decidindo o que fazer com seu próprio imóvel num mundo em que as relações sociais se pautam segundo as égides do capitalismo é mínima, se não for nula. O esforço para tombar o prédio é válido, mas também insuficiente. Não garantirá que o cinema esteja ali, não tirará do Maluf em questão o direito de decidir sobre quem ocupará o espaço.

    O que eu desabafei no meu blog sobre o assunto foi o seguinte:
    "(...) Ao mesmo tempo, pergunto-me se vale a pena protestar, se é possível reverter uma decisão de um proprietário particular numa cidade com políticas culturais tão problemáticas. Infelizmente, penso que não, penso que o projeto de mundo em que vivemos é esse mesmo: uma cidade que se diz moderna e vive nessa compulsão, poucas vezes pára para pensar se é preciso ter alguma tradição. Acontece apenas uma tradição da modernidade, em que estilos arquitetônicos são mudados em prol do novo, que será fadado a ser velho, e que, velho, estará condenado a não ser importante, tudo isso ultra-impulsionado por um mercado imobiliário que de tonto não tem nada."

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  12. Antonio José Matienzo19 janeiro, 2011 15:48

    Amigos, dizer que petição não adianta nada também é radicalizar. É claro que petição por si só (em geral) não adianta nada, mas se uma iniciativa desse tipo "embala" pra valer, podem surgir pessoas influentes querendo embarcar na corrente (políticos, jornalistas, etc.). Para benefício próprio? Sim, mas e daí? A idéia é exatamente essa: só faz sentido se tornar "O Salvador do Belas-Artes", da Amazônia ou da ética pública se tiver um monte de gente olhando. Um exemplo fácil: a petição da "Ficha Limpa" ganhou um espaço imenso na imprensa, fomentando repentinamente uma legião de "amigos do povo" entre os congressistas. Improvável? Bom, seguramente mais eficiente que rezar, é.

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  13. Quando estive em São Paulo em setembro fui lá. Na verdade, foi a única vez que fui em um cinema em São Paulo. O fechamento de cinemas de rua sempre me entristesce. Em Porto Alegre, o fechamento do Imperial, do Guarani e do Baltimore foram todos uma comoção só... E olha que por lá tentaram de tudo: ingressos mais baratos, pipoca mais barata... Não teve jeito: os shoppings e grandes redes levaram a melhor...

    Mas o que adianta mesmo - mais do que uma petição - é uma mobilização comunitária (centenas de pessoas, usuários do cinema ou simpatizantes da causa - uma associação de cinéfilos, por exemplo, mesmo informal) que se organize e ofereça propostas reais para a subsistência do local. Será que tem alguém por aí capaz de realizar essa organização?

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  14. O pior, Rafa, é q, neste caso, o Belas não tinha esses problemas. Ele estava conseguindo se manter financeiramente; como seus principais filmes eram alternativos, os shoppings não disputavam com ele. O problema é exatamente o dono não querer mais alugar para o Belas Artes.

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  15. Acho que no Rio houve uma solução à brasileira, no caso do Odeon, na Cinelândia - virou o Odeon-Petrobras.

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