31 de dezembro de 2025

Gerald Thomas chama o público de otário e sai aplaudido de pé

 

            A obra O porco, de Nelson Leirner, foi enviada em 1967 para o 4º Salão de Arte Moderna de Brasília. Depois de aprovada, Leirner escreveu para o Jornal da Tarde questionando os motivos para a escolha, deixando claro que os curadores aceitaram aquele porco empalhado, dentro de um engradado de madeira, por ele já ser um artista conhecido, não por algum valor artístico intrínseco à obra.



            Agora, no final de dezembro de 2025, saiu de cartaz a peça Sabius, os moleques, de Gerald Thomas. Foi dito que a peça tem uma “linguagem determinada a reiterar verbos, excessos e sínteses, com furiosa dicção capaz de arregimentar contradições, cicatrizes históricas e feridas que sangram à luz do liberalismo e das vanguardas”. O mesmo poderia ter sido escrito pelos curadores que, depois da humilhação pública feita por Nelson Leirner, tentaram justificar o motivo pelo qual haviam selecionado O porco para o Salão de Arte Moderna.

            Escrevendo para o jornal O Estado de São Paulo, o crítico Dirceu Alves Jr diz que “Em Sabius, Os Moleques, o dramaturgo e diretor Gerald Thomas, de 71 anos, criou a metáfora de um planeta Terra suicida que sucumbiu à humanidade.”, que a peça “é uma distopia sobre o caos gerado pela exaustão e a falta de psicotrópico suficiente para salvar o mundo.”. Que Thomas “criou mais uma dramaturgia visual em que as imagens se sobressaem às palavras.”.



            Já eu acho que a fama de Gerald Thomas permitiu que fosse colocada no palco uma peça que ele nem mesmo acabou e que críticos e amantes do teatro vão se contorcer para dizer que aquilo foi maravilhoso. Ou vão engolir qualquer bobagem que o autor disser para descrever a peça como se estivessem engolindo um pedaço engordurado de pernil. A carreira de Thomas vai permitir que ele coloque um monte de pequenos textos mal-acabados e desconexos no teatro, que ele até mesmo trate com desdém verdadeiros mestres do teatro como José Celso Martinez Corrêa, e ninguém vai se levantar para vaiar.

            O público só ficou sentado, embasbacado, fingindo que entenderam o grande Gerald Thomas por mais que nada daquilo fizesse sentido. Enquanto isso, Thomas lhes cuspiu na cara, colocou na própria peça o fato de só ter escrito até ali. Contou em entrevistas que havia terminado a peça dias antes. E, assim como frequentadores de museus hoje olham O Porco na Pinacoteca e fingem entender o significado da obra, as pessoas na plateia se levantaram e aplaudiram Sabius de pé.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário