A obra O
porco, de Nelson Leirner, foi enviada em 1967 para o 4º Salão de Arte
Moderna de Brasília. Depois de aprovada, Leirner escreveu para o Jornal da
Tarde questionando os motivos para a escolha, deixando claro que os
curadores aceitaram aquele porco empalhado, dentro de um engradado de madeira,
por ele já ser um artista conhecido, não por algum valor artístico intrínseco à
obra.
Agora, no
final de dezembro de 2025, saiu de cartaz a peça Sabius, os moleques, de Gerald Thomas. Foi dito que a peça tem uma “linguagem determinada a reiterar verbos, excessos e
sínteses, com furiosa dicção capaz de arregimentar contradições, cicatrizes
históricas e feridas que sangram à luz do liberalismo e das vanguardas”. O
mesmo poderia ter sido escrito pelos curadores que, depois da humilhação
pública feita por Nelson Leirner, tentaram justificar o motivo pelo qual haviam
selecionado O porco para o Salão de Arte Moderna.
Escrevendo
para o jornal O Estado de São Paulo, o crítico Dirceu Alves Jr diz que “Em Sabius, Os Moleques, o dramaturgo e diretor Gerald Thomas, de 71
anos, criou a metáfora de um planeta Terra suicida que sucumbiu à humanidade.”,
que a peça “é uma distopia sobre o caos gerado pela exaustão e a falta de
psicotrópico suficiente para salvar o mundo.”. Que Thomas “criou mais uma
dramaturgia visual em que as imagens se sobressaem às palavras.”.
Já eu acho
que a fama de Gerald Thomas permitiu que fosse colocada no palco uma peça que ele
nem mesmo acabou e que críticos e amantes do teatro vão se contorcer para dizer
que aquilo foi maravilhoso. Ou vão engolir qualquer bobagem que o autor disser
para descrever a peça como se estivessem engolindo um pedaço engordurado de
pernil. A carreira de Thomas vai permitir que ele coloque um monte de pequenos
textos mal-acabados e desconexos no teatro, que ele até mesmo trate com desdém verdadeiros
mestres do teatro como José Celso Martinez Corrêa, e ninguém vai se levantar
para vaiar.
O público só
ficou sentado, embasbacado, fingindo que entenderam o grande Gerald Thomas por
mais que nada daquilo fizesse sentido. Enquanto isso, Thomas lhes cuspiu na cara,
colocou na própria peça o fato de só ter escrito até ali. Contou em entrevistas
que havia terminado a peça dias antes. E, assim como frequentadores de museus
hoje olham O Porco na Pinacoteca e fingem entender o significado da
obra, as pessoas na plateia se levantaram e aplaudiram Sabius de pé.


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