31 janeiro, 2008

Em defesa do bom público

_____Segunda-feira publiquei um texto em que eu critiquei as pessoas mal-educadas que atrapalham o filme dos outros no cinema. Os comentários que os leitores fizeram foram muito interessantes e achei, então, que o texto merecia um complemento.

_____O Alex ressaltou que quando vai ao cinemaé justamente pra conviver com os humanos... se [... quiser] ver o filme em ambiente anti-séptico e controlado, melhor ficar em casa e ver em DVD”. Ele ainda disse: “Outro dia, assisti O Sexto Sentido em dvd e não foi a mesma coisa. Quando assisti no cinema, tinham seis adolescentes na minha frente que gritavam como se não houvesse amanhã. Aquela cena da menina babada aparecendo dentro da tenda, que achei uma das mais aterrorizantes da história do cinema, perdeu metade da sua força sem os gritos daquelas meninas.”. No dia seguinte o Alex ainda voltou e completou: “alias, ontem fui ver cloverfield, noite de terça, cinema vazio, tenho certeza q o filme perdeu muito com aquele silencio todo na sala...”.

_____Concordo plenamente com ele. Uma das graças de ir ao cinema é, exatamente, conviver com outros seres humanos, aproveitar as reações do público. Eu até já havia comentado isso em outra postagem (também citada no texto de segunda-feira). O Alex lembrou que filmes que dão medo, que assustam têm um efeito muito melhor com os gritos do público; acrescento que as comédias ficam milhões de vezes mais engraçadas com o riso da platéia. O riso é contagiante. É muito mais fácil e divertido gargalhar junto com um monte de gente. Se eu tivesse visto sozinho, em casa, o Shrek Terceiro, com certeza não teria me divertido tanto quanto me diverti no cinema (ainda mais porque o terceiro não é tão bom quanto seus antecessores).

_____Só que o público, quando está no cinema, tem de agir de maneira condizente com o filme. Se um maluco ficar gritando “socorro” histericamente a cada vez que uma cena de beijo aparecer em um filme romântico, é bem provável que um brutamontes, que só foi ao cinema porque a namorada o obrigou, levante e coloque o biruta para fora da sala com pontapés.

_____Assisti a Casa do lago no cinema e chorei que nem uma garotinha do início ao fim do filme. Mesmo eu sendo um marmanjo, ninguém demonstrou estranhamento (direto) pelo meu pranto. Entretanto, se eu tivesse tido uma crise de choro assistindo Transformers ou Duro de Matar 4.0, pode apostar que alguém iria até minha cadeira no fim do filme perguntar se eu estava passando mal.

_____Gritar, torcer, dar risada ou chorar pode estar perfeitamente ligado ao filme que está passando e, provavelmente, pode torná-lo até mais divertido (para você e para os outros). Entretanto, como bem lembrou o Léo nos comentários da outra postagem, alguém passando na frente das outras pessoas durante a exibição do filme para comprar pipoca ou por qualquer outro motivo, é pura falta de respeito. Todos têm o filme perturbado por causa de um indivíduo mal-educado. Queira ou não, o cinema é um local público e o respeito pelos outros é uma necessidade.

_____Para fechar com chave de ouro esta reflexão, nada melhor do que um interessante trechinho da série Californication (seriado que eu não conhecia, estrelado por David Duchovny, o Fox Mulder de Arquivo X), indicado, também nos comentários, pela leitora Adriana. Pena que esse tratamento não costuma ser comum a todos os mal-educados que atendem o celular durante o filme ao invés de contribuir para o bom programa de todos.


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