23 abril, 2008

Contra o analfabetismo? Mesmo?

_____Grande parte dos blogs que leio, acabo lendo por meio do Google Reader, meu leitor de feeds. Mesmo sendo fácil e cômodo, tem o problema de fazer com que eu deixe acumular algumas leituras e acabe lendo muitos textos com certo atraso.

_____Acabei de ler, por exemplo, um texto interessante do Allan, do blog Carta da Itália, sobre a campanha “A blogosfera brasileira contra o analfabetismo” que acabou me dando um novo assunto para tratar com vocês. Mesmo sabendo que os textos contra o analfabetismo deveriam, para participar da campanha, ter sido publicados no dia 18, creio que tenho um texto interessante que vale ser revisitado por conta dessa discussão. É o “NoCu da professora”, publicado aqui no Incautos em novembro do ano passado.









_____Escrevi o “NoCu da professora” por ter encontrado um texto absurdamente mal escrito que uma professora de História de uma escola pública paulistana passou para os seus alunos. Sinceramente, se querem fazer uma campanha contra o analfabetismo, eu aconselho que, caso a “blogagem coletiva” sobre o tema se repita no próximo ano, não adotem como tema simplesmente “blogagem coletiva contra o analfabetismo” e, sim, “blogagem coletiva contra o analfabetismo dos professores”.

_____Tentar combater o analfabetismo sem pessoas realmente preparadas para isso é um pouco difícil. Como disse o Allan, o MOBRAL, um dos programas brasileiros de alfabetização, “ensinava” as pessoas “a ler e escrever, mas poucos alunos saíam de lá com capacidade de compreender e interpretar textos de uso cotidiano. Produzir um texto escrito, então, nem se fala.”. E, como bem lembrou o Doni, do Hedonismos, a pressão da sociedade para que algo melhore é muito importante.

_____Uma sociedade que não se importa com professores semi-analfabetos “ensinando” tem graves problemas. Para não citar apenas o meu texto como exemplo, pergunto: vocês nunca cruzaram com um blog de um professor que escrevia excessivamente mal? Quando encontraram esse blog, fizeram algum comentário público? Enviaram, pelo menos, algum e-mail para o “professor” semi-analfabeto autor do blog? Ignorar o problema, com certeza não ajudou a resolvê-lo.


P.S.: Já que a “blogagem contra o analfabetismo” foi feita no dia 18, dia nacional do livro infantil, aproveito para contar que, por coincidência, tive a sorte de publicar este texto aqui no blog hoje, dia 23/IV, dia mundial do livro.

P.P.S.: Diga-se de passagem, no dia do livro existe um costume em parte da Espanha que eu achei uma graça. As mulheres dão um livro de presente para os homens e recebem, como retribuição, uma rosa. Lindo, não?

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