17 janeiro, 2009

Rorschach e Israel

Atenção: Este texto contém spoilers.

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_____Na HQ Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, o heroi Rorschach - Walter Joseph Kovacs -, depois de mais de vinte anos combatendo criminosos, é preso. Como era de se esperar, os presidiários esperam aproveitar a deixa para vingar-se. Prendê-lo com aqueles que Rorschach sempre caçou foi praticamente condená-lo à morte: um homem, sozinho, cercado de muitos criminosos hostis.
_____Entretanto, como vocês puderam ver pelos quadrinhos que selecionei acima, Rorschach soube se cuidar muito bem. Como ele mesmo disse aos presidiários durante a estória, “Vocês não entenderam. Não sou eu que estou preso aqui com vocês. Vocês estão presos comigo.”.


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_____Outro dia, em uma conversa sobre o que está acontecendo na Palestina Ocupada, ouvi de um primo meu que “Os judeus são os coitados dessa história. Israel é um país judeu, sozinho, cercado de países árabes-muçulmanos hostis.”. Será que realmente existe gente que acha isso? Não sabem que os israelenses roubaram aquelas terras? Que Israel é um país muito forte econômica e militarmente? As pessoas esquecem que Israel tem armas avançadas, tanques, uma invejável força aérea e, até, ogivas nucleares?



_____A luta entre israelenses e o mundo árabe me lembra o embate entre os tanques nazistas e a cavalaria polonesa durante a II Guerra Mundial. Para falar a verdade, como eu já disse, não é só nesse ponto que eu encontro similaridades entre os nazis e Israel.




_____Meu primo não entendeu muito bem as coisas. Não é Israel que está cercada de perigosos árabes/muçulmanos. São os pobres árabes/muçulmanos que estão presos na mesma região que Israel.
_____Apesar da semelhança entre a fala da personagem de Alan Moore e a explicação que meu primo ouviu, é necessário lembrar de uma pequena diferença: Rorschach é o heroi da história.

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Imagens:
a) Os quadrinhos fazem parte das páginas 12 e 13, do volume 6, de Watchmen (DC, 1999), de Alan Moore e Dave Gibbons.
b) A charge mostrando o lado israelense e o lado palestino é do fantástico Carlos Latuff.
c) A comparação entre as mortes israelenses e palestinas foi encontrada em um blog galego chamado Brétemas (que a retirou daqui).

5 comentários:

  1. Oi Ulisses

    Bem, não concordo muito com a comparação que fizeste, assim como também não concordo com a opinião de seu primo.

    Não são "os pobres" árabes e muçulmanos que estão na mesma região de Israel. Não podemos afirmar a qual país pertence aquelas terras, até porque a disputa pelas mesmas remonta a milhões de anos, mas creio que pertençam AOS DOIS, o problema é que não se chega a um acordo entre limites territoriais de cada um.

    Vale a pena lembrar também que os mesmos "pobres" árabes/muçulmanos são e foram responsáveis por inúmeros ataques à Israel e a outros países, inclusive países europeus, matando milhares de civis inocentes.

    Talvez possam ser pobres, mas são organizadíssimos e seus grupos terroristas possuem uma hierarquia tão hermética e um sistema de ação tão perfeito e organizado que mesmo agências de inteligência e polícias secretas de muitos países, incluindo a Mossad, a CIA e a Interpol, não conseguem desmantelá-los.

    Quanto à comparação com Rorschach, não sei se também tem muito a ver.

    Vale lembrar que na história de Alan Moore, Rorchach era um vigilante sim, ou seja, estava no lado dos "mocinhos", mas era completamente doente e desequilibrado e seus métodos para "cumprir a lei" não eram nada ortodoxos.

    Enfim, só para tirar qualquer dúvida, eu sou judia e colecionadora de quadrinhos.

    Abraços

    Gabi

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  2. Aloha Ulisses!
    Infelizmente... eles se merecem.
    Nenhum dos lados quer paz. Apenas que o outro lado suma.
    Bob Miller já fez alguns comentários, que embora eu considere, às vezes, exagerados, mas geralmente eu leio com atenção.
    http://vanquishbon.blog.co.uk/2008/12/30/the-only-thing-i-hate-about-all-5300599
    Lamentável por ambas as partes.
    Cabe a nós levar uma vida melhor.
    Grande abraço e
    Aloha!

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  3. Gabi, obviamente não tenho nada contra os israelenses em si, muito menos contra os judeus. Mas, como escritor/formador de opinião, não posso deixar impune o mais forte massacrar o mais fraco (vale até um colocar um link por aqui: http://www.idelberavelar.com/archives/2009/01/glossario_macabro_da_ocupacao_1_conflito.php). Inclusive citei no texto anterior o fato dos Israelenses atacarem os próprios judeus que são contra o massacre. E, não se engane: eu tb acho um ataque terrorista que machuca civis horrível e condenável.

    Quanto à comparação com o Rorschach, querida, vc pegou parte do espírito da coisa. Quem conhece a história sabe que tipo de herói ele é. Não foi à toa que escolhi bem ele para comparar com o q Israel anda a fazer. Com a diferença que ainda vejo algo de heróico no que Rorschach faz.

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  4. [...] dois últimos textos sobre a Palestina Ocupada receberam muitos comentários: enormes elogios e duríssimas críticas. A [...]

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  5. [...] lacuna no meu conhecimento de cultura pop. Gostei tanto do gibi que já o citei por aqui mais de uma vez. Obviamente, também, fiquei esperando, ansioso, o lançamento do filme. Assisti, então, na [...]

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