11 abril, 2009

O Museu Paulista (parte 2): comentários sobre o acervo

_____Faz pouco mais de um mês, publiquei um texto um pouco polêmico sobre o passado nada glorioso de São Paulo. Citei como principal propagandista do passado paulista o Museu do Ipiranga e convidei vocês para irem comigo ver a exposição. Prometi, também, para ilustrar o que eu estava dizendo, publicar uma análise do acervo aqui no Incautos. Ei-la, portanto, abaixo.


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_____Tudo, obviamente, começa na sala de entrada do Museu. O público é saudado pelas heróicas esculturas de dois bandeirantes, garbosamente vestidos, nas extremidades laterais do salão. Na escadaria, globos com águas dos rios que serviram como estrada para que esses desbravadores paulistas chegassem ao litoral.
_____Destacados, monumentais, os bandeirantes estão vestidos e são tratados como heróis, estão na posição de heróis. Como não pensar isso? Foram eles que desbravaram os selvagens territórios do interior do país, descobriram nossas riquezas, conquistaram as terras da Espanha e ajudaram o Brasil a ganhar o seu tamanho continental.
_____Claro que esse modo de vê-los já foi questionado por dúzias de estudos históricos. Porém, a visão permanece no imaginário popular e o Museu Paulista só ajuda a perpetuá-la. Não é à toa que, no subsolo, encontramos pinturas e objetos heroicizando outro grande ato dos bandeirantes: a descoberta do ouro.
_____Mostrar como os bandeirantes eram uns esfarrapados, assassinos, ladrões, escravizadores de indígenas e caçadores de escravos fugidios, fica para outra ocasião.
_____A exposição que louvava a “revolução” que os paulistas do Café com Leite tentaram fazer para garantir que eles poderiam continuar espoliando os cofres do Estado durante a República (a Revolução Constitucionalista de 1932) já foi retirada. Mesmo assim, mantendo a temática do Museu, no andar superior, existe uma bela sala destinada ao nosso ouro negro, o café.
_____No andar superior também fica o glorioso Salão Nobre e, lá, o gigantesco quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo - a síntese ideal de tudo o que o museu representa. O quadro remonta, da maneira mais gloriosa possível, o momento em que Dom Pedro, a caminho de Sampa, proclamou a independência do Brasil. Uma cena que provavelmente aconteceu sem o menor garbo, de improviso, com trajes cotidianos, com as personagens montadas em mulas transformou-se nisso:


_____Dá para sair do Museu sem achar São Paulo o máximo?


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P.S. (para evitar a reclamação dos chatos): Qualquer frequentador deste blog sabe que amo Sampa. Isso, entretanto, não faz com que eu tenha a ilusão de que a minha terra é perfeita. Só gosto de estar nela.

4 comentários:

  1. Não conheço o Museu Paulista, mas através de seus olhos ele me parece apresentar o Brazil que não é o nosso Brasil. É verdade ou estou enganada?

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  2. É um modo de ver, Bárbara.

    De qualquer modo, aparecendo por aqui, é só falar q eu levo vc por lá para discutirmos.

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