17 junho, 2011

Quadrilha: da elite ao populacho, do populacho à elite

___Estudar História das Danças é sempre algo interessante. Não só pela vantagem fabulosa que é ter a possibilidade de sair do acadêmico para experimentar o aconchego de um par durante a pesquisa, como, também, pela descoberta dos divertidíssimos caminhos tortos que as Danças percorreram para chegarem a ser, hoje, como são.
___A famosa quadrilha junina, por exemplo, tem sua origem nos salões de bailes das elites européias de meados do século XVIII, início do XIX (século em que veio para o Brasil). O número de pares (quatro inicialmente, por isso mesmo o nome da quadrilha), deixou de ser fixo quando a dança foi cooptada pelos mais pobres.


Quadrilha (1817)


___Foram também as classes mais baixas que continuaram a dançar a quadrilha quando ela saiu de moda nos grandes salões. Como os salões de dança – e as mudanças de moda – eram mais comuns nas cidades, com o tempo, até o populacho urbano (que trabalhava nesses salões) deixou de dançar a quadrilha e começou a brincar com as danças do momento. No campo, como as novidades tardavam em chegar, a tradição da quadrilha continuou viva por muito mais tempo.
___É só no século XX que as elites urbanas voltam a ter contato com a quadrilha. Só que, então, ela não era mais uma dança de salão, mas sim uma curiosidade. Transformada em folclore, a quadrilha é deturpada, estereotipada como uma excentricidade caipira. Em escolas por todos os cantos, crianças colocam camisas xadrez, calças com remendos, chapéus de palha e saem brincando de matutos.


Quadrilha


___Todo esse caminho – surgindo nos salões e ganhando mais pares com o povo; sobrevivendo no rural e sendo recriado de maneira estereotipada no urbano –, por mais estranho que seja, por mais criticado que possa ser pelos puristas, só mostra o quão viva e mutante uma dança pode ser. Um monte de mudanças e o nome se manteve. Nunca deixo de achar lindo todo esse processo. Já as quadrilhas políticas, eu não acho nada bonitas. Só os nomes que mudaram, de resto, elas parecem sempre as mesmas.

8 comentários:

  1. Sabe, se faz natural no ser humano seguir aquilo que lhe agrada, que "lhe faz feliz" que é uma expressão da qual eu não gosto muito, afinal o ser humano muitas vezes passa a vida inteira "procurando a felicidade" enquanto todos os outros animais simplismente são, além do que ao meu ver não existe felicidade, o mais próximo para mim seria o momento, que vivido intensamente e sem arrependimentos se torna um momento "feliz", mas enfim pensando de tal forma chego a uma conclusão um tanto irónica, afinal a situação política do país seria algo natural do ser humano ignorânte? Porque se pensarmos desta forma, só é enganado aquele que se deixa enganar, aquele que se conforma, não é para menos que "quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania pode escravizá-lo.", ao meu ver nós vivemos hoje em uma oligarquia mascarada de democracia e muitos agradecem com louvor e falam com convicção: Vivemos em uma democracia. Mas poucos se questionaram se nesta democracia o poder realmente emana de baixo para cima.

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  2. Sabe um treco que eu acho muito legal de acompanhar historicamente é evolução de tecnologia, principalmente de coisas simples que a maioria das pessoas não tem nem noção de quão é complicado fazer.

    ^^

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  3. Mas e aí, a dança atual ainda tem resquícios da original dos salões de festa? Alguém lá no século XVIII falava "Olha a chuva"? :)

    []'s!

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  4. hahaha Não, não falavam "Olha a chuva". Mas, em alguns locais, existia alguém q comandava a dança, fazendo os casais avançarem, retrocederem e afins. Alguma raiz sempre se mantém, mas, por vezes, fica até difícil de perceber.

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  5. Concordo com vc, Lux. Entretanto, vou fazer uma ressalva: a democracia que vivemos é deficiente, é verdade, mas é melhor do q a democracia do império, do início da república brasileira. Perfeito não está, mas acredito que melhorou.

    Aí, claro, vc pode dizer q eu sou um otimista incorrigível... :-)

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  6. Otimista incorrigível ... auhEHhuaeAHUEHuheUHaheeahu ;D

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  7. Meu avô paterno organizava quadrilhas no bairro onde morava (em Recife). Ele proibia os participantes de "enfeitarem" suas roupas com remendos. Ele dizia que era uma falta de respeito com as pessoas do campo se vestir maltrapilho.
    Dizia ainda que a quadrilha era uma dança comum nas quermeces em cidades do interior e que as pessoas desses locais tiravam do armário suas melhores roupas para tais ocasiões.
    Eu nunca ouvi isso do meu avô (com quem pouco convivi), mas sempre fiz questão de escolher bons modelos e estampas para meus vestidos de festa junina. E vi meu pai escolher terno pra dançar. Sempre em remendos!

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  8. Em tempo: Sempre SEM remendos (comi o S.... ehehehehe)

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