11 outubro, 2011

12 de outubro: marcha pela demissão de toda a classe política

___Amanhã, novamente, os cidadãos de bem irão às ruas para lutar contra a corrupção. A partir das 15 horas, no vão do Masp, em plena Avenida Paulista, milhares de pessoas marcharão pedindo a demissão de toda a classe política. Talvez agora este país vá para frente. Quiçá, finalmente, a política no Brasil tome jeito. Não esqueçam, é amanhã, quarta-feira. Não deixem de comparecer!
___E hoje, neste blog, mais um artigo começa utilizando, no primeiro parágrafo, o recurso retórico conhecido como ironia.


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___Para quem não sabe (eu fiquei sabendo por vários e-mails e alguns convites no Facebook), no dia 12, um monte de idiotas que não sabem nem direito o que é política, que não leem sobre o assunto e que mal se informam sobre o que acontece, vão à Paulista para pedir a “demissão de toda a classe política”. Assim como eu apoio que os imbecis pelo mundo tenham o direito de proferir frases machistas, racistas ou com qualquer outro tipo de preconceito, também apoio que alguns ignorantes marchem pela “demissão de toda a classe política”.
___Claro que eu acho linda a mais famosa fase de Voltaire: “Eu posso não concordar com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las.”. Só que não é exatamente por isso que defendo tosquisses como expressar preconceitos e fazer marchas estúpidas. Defendo liberdade para tais atitudes porque é sempre bom saber, sem o menor esforço, quem são os estúpidos que povoam o planeta.


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___Mesmo usando adjetivos pouco meigos como “idiotas”, “imbecis”, “estúpidos”, sou um moço bonzinho, talvez até condescendente. Se alguém passou a vergonha de me mandar um e-mail me convidando para uma passeata pela demissão de toda a classe política, se existe gente que publica isso em seus blogs, é porque acham que uma bobeira dessas pode valer a pena. Sendo assim, doce como sou, vou explicar um pouco onde está a idiotice.


Onde está Wally?
Conseguiu achar o Wally ou quer que eu desenhe uma seta vermelha?
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___Alguém que pede a demissão de toda a classe política, é aquele tipo de ignorante que encara todos os políticos como se fossem iguais; que fala que “Político é tudo corrupto.”. É quem, quando ouve sobre um caso de corrupção, não fica sabendo quem o cometeu, de que partido era. É alguém que não sabe quais políticos votaram a favor ou contra o último projeto de lei polêmico. É o eleitor que não lembra em quem votou.
___Dizer que todo político é ladrão nada mais é do que uma atitude preguiçosa de quem não acompanha a carreira dos políticos em que vota. É o resultado de não pesquisar o histórico e as propostas de cada político antes de votar. Pedir a demissão de toda a classe política assemelha-se a jogar fora a água suja da bacia junto com o bebê – e a bacia. Demitir todos os políticos (ou fazer com que eles se demitam), também excluí do poder os bons governantes, quem está fazendo um bom trabalho.
___Trata-se de uma proposta vazia que nada mais traria além de uma desorganização gigantesca e nenhuma solução. Antes que alguém fale algo do tipo, saibam que nem mesmo anarquistas pedem por isso.*
___Por fim, o mais ridículo é que, mesmo que uma bobagem como a demissão de toda a classe política vingasse, eles seriam logo substituídos por outros políticos – alguns bons, outros ruins. E o problema recomeçaria, com nada resolvido. Só restaria, então, reclamar novamente. A única leve vantagem é que, talvez assim, as pessoas entendessem a antológica frase do republicano Lopes Trovão, poucos anos depois da proclamação da república brasileira: “Como era boa a República... Nos tempos do Império.”.


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P.S.: Sobre essas marchas vazias, meu amigo Alex Castro escreveu um ótimo texto para o Papo de Homem: “O problema com o movimento anti-corrupção”. Está bem mais didático que o meu artigo raivoso.
P.P.S: Já que eu citei um texto do Alex por aqui, vale anunciar que, sexta-feira, na Casa das Rosas, a partir das 19h30min, vai ocorrer o lançamento físico do livro Onde perdemos tudo. Apareçam para comprar o livro e, se quiserem, para me ver. Depois do lançamento, às 21h30min, vou trabalhar na academia de dança que fica a apenas dois quarteirões de lá. Fica o convite.


Convite - Lançamento paulista - Onde perdemos tudo


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* Cf.: Errico Malatesta, “Rumo à Anarquia” (1910).

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