13 março, 2012

O desaparecer das faixas ignoradas

___Era uma vez, no cruzamento sem semáforo da Rua São Carlos do Pinhal e o encontro entre a Alameda Rio Claro e o calçadão conhecido como Alameda das Flores, três doces faixas de pedestre. Uma delas, na Rio Claro, auxiliava os pedestres a atravessassem a extremidade da rua.


Antiga faixa da Alameda Rio Claro


___As outras duas, ficavam na São Carlos do Pinhal e ajudavam os pedestres que vinham da Alameda das Flores, ou de qualquer uma das calçadas da Rio Claro, a atravessarem a rua. Nenhuma das faixas recebia muita atenção dos motoristas – que só costumavam parar para os pedestres em dias com eclipses lunares de anos bissextos.
___Como se já não fosse bastante ruim para o ego das pobres faixas serem ignoradas a toda hora pelos motoristas, algum burocrata – que só deve andar de automóvel – achou que três era um número exagerado e decidiu eliminar uma delas. “Como eu considero os carros mais importantes que os pedestres, acho que vou eliminar um pouco mais do espaço de segurança daquelas pessoas chatas, hohoho...”.


Rua São Carlos com Pinhal com a Alameda Rio Claro - uma faixa a menos


___Como garantia de que os pedestres não usariam mais a faixa falecida e mal enterrada/apagada, acrescentaram grades no local em que antes existia o acesso à faixa. Aposto até que se fossem perguntar a opinião dos motoristas que ignoram as faixas, eles responderiam que “Seria bom colocarem grades em todas as calçadas do mundo para que esses pedestres parem de atrapalhar tanto.”.


Grades para impedir os pedestres de se movimentarem pela antiga faixa - Rua São Carlos do Pinhal


___Talvez seja exatamente esse pensamento (de que é necessário fazer com que os pedestres atrapalhem menos os carros) que norteou o maluco que chegou à conclusão que as duas faixas restantes eram grandes demais. Faz algumas semanas, tanto a faixa da Rio Claro, quanto a sobrevivente da São Carlos do Pinhal foram diminuídas pela metade.


Atual faixa da Rua São Carlos do Pinhal


Atual faixa da Alameda Rio Claro


___Hoje, menores e ainda menosprezadas, as pobres faixas pensam quanto falta para que elas desapareçam completamente. Talvez em noites chuvosas elas até tenham pesadelos imaginando um carro do CET substituindo-as por grandes placas de “Proibido Pedestres”.


Faixa de pedestres, por Rafael Sica
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P.S.: Antes que algum doce leitor ache que é apenas nesse exemplo que as pobres faixas sofrem, aproveito para deixar mais um: no cruzamento da Rua Maria Figueiredo com a Alameda Santos, as antes 4 faixas agora são 3. Ou nem isso, já que, das três, duas estão em avançado processo de calvície carrocrata.


Rua Maria Figueiredo com a Alameda Santos - uma faixa a menos e duas desaparecendo

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