22 abril, 2007

Lugar de lixo é... onde mesmo?

_____As fotos acima, como não deve ser difícil de imaginar, pertencem à Estação Sumaré, uma das estações da Linha Verde do metrô paulistano. Antes que algum leitor imagine algo, não comecei a escrever essa postagem para falar sobre a exposição do Alex Flemming, que saiu de cartaz do Masp na semana passada. O motivo principal pode ser percebido com um pouco mais de atenção ao conjunto das fotos acima.
Trecho do poema "Motivo" de Cecília Meireles na obra "Estação Sumaré", de Alex Flemming. Clique na foto para ler o poema na íntegra.

_____Percebeu? Não existem mais lixeiras na plataforma.
_____As lixeiras foram retiradas, segundo a direção do metrô, para evitar atentados à bomba e atrasos nos trens por causa da averiguação de pacotes suspeitos. Não parece uma medida muito esperta. Creio que o aumento da segurança nas estações valeria mais a pena do que a retirada das lixeiras. O ganho seria duplo: a segurança iria aumentar e pacotes realmente perigosos poderiam ser evitados (as lixeiras continuam existindo em outros locais das estações - fora das plataformas - e um atentado à bomba, portanto, continua sendo um risco para os passageiros). Qualquer desculpa besta sobre a falta de recursos financeiros que impedem que o metrô arrume mais segurança parece, no mínimo, inverossímil logo após os últimos aumentos e afins.
_____Vale lembrar o tempo que os usuários do metrô ficaram sem os bilhetes múltiplos (que facilitavam e davam desconto) e agora têm que se virar para comprar múltiplos mais caros e com o dobro de viagens que o maior anterior (o múltiplo de 10, lembra?). Passaram a vender o “múltiplo de 20”; entretanto, o usuário, agora, só ganha o desconto, não a facilidade. O “múltiplo de 20” vem com 20 bilhetes separadinhos para o infeliz do comprador carregar, pois, assim, o metrô pode evitar falsificações. É o retrato da involução.
_____Tanto essa história de retirar as lixeiras para aumentar a segurança, quanto dos “múltiplos-unitários” para evitar fraudes só prejudicam mais a vida do cidadão honesto que não está fazendo nada de errado no metrô. A direção do metrô vai me perdoar, mas vocês parecem o português da piada: encontrou a mulher com o amante no sofá da sala e, para evitar um absurdo desses, colocou o sofá na cozinha.

P.S.: Quando eu acho que não presto por causa dos meus comentários ácidos, vejo outro blogueiro fazendo comentários piores. O Gustavo, do Pensamentos macarrônicos, disse que termos medo de bombas no metrô é um claro sinal de que nosso transporte público está seguindo as tendências dos transportes públicos de primeiro mundo. Bom saber que terei companhia no inferno.
P.P.S.: Enquanto eu procurava relembrar virtualmente da piada que usei para concluir a crônica, tive a grata surpresa de encontrar um artigo de Marcel Nadale chamado “Eu quero meu sofá no lugar!”. Recomendo.
P.P.P.S.: Será que a ausência de lixeiras nas plataformas e os “múltiplos-unitários” fazem parte da campanha “Use seu automóvel”?

Um comentário:

  1. Essa historia dos bilhetes eu tbm nao engoli, o pior é que vc tem que fazer uma escolha, se quiser pagar mais barato p/ usar integração metro-onibus nao pode comprar os múltiplos, só bilhete único, se quer desconto esqueça integração

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