14 agosto, 2007

Aprendendo com os profissionais


Sabendo ganhar dinheiro

_____Dos blogs que acompanho, dois tem como temática central ajudar outros blogs a ganhar dinheiro: o Contraditorium, do Carlos Cardoso, e O fim da várzea, do Noronha. Acompanho esses blogs mais pelos bons textos do que para lucrar (não que eu não queira ganhar dinheiro. Se alguém quiser me dar algum, avise que eu mando o número da minha conta... ou pode procurar uma propaganda interessante do Google aí em cima para clicar que também ajuda). Entretanto, os dois ainda não adotaram uma tática tão eficiente para encher os bolsos como a que eu vi hoje. Eles estão precisando maltratar um pouco mais a clientela deles.

_____Vou explicar. Hoje de manhã fui com minha mãe ao Shopping Market Place, para ir ao Banco Real – ABN AMRO, banco em que ela tem conta. Ela iria retirar uma quantia grande, pedir uns cheques administrativos e outras bobeiras bur(r)ocráticas que eu não entendo, nem quero entender. Receosa porque pretendia sair do banco com uma quantia grande de dinheiro, minha mãe pediu para eu acompanhá-la.

_____Quando chegamos ao banco, o horror, o horror: só havia UM caixa. Não, não estou dizendo que havia apenas um funcionário atendendo nos caixas, estou dizendo que havia, ou melhor, que há apenas UM caixa no Banco Real do Shopping Market Place. Apenas um.

_____Mesmo sabendo que o banco estava aberto há apenas de meia-hora, a fila do único caixa não estava pequena. Quando minha mãe chegou ao caixa, para fazer as transações que tinha planejado, a fila piorou ainda mais, pois, teoricamente, não eram coisas simples. Como minha mãe ainda tinha de falar não sei o quê com a gerente (e também demorou bastante para ela ser atendida pela gerente), perguntei para um funcionário o motivo para o banco ter apenas um caixa.

_____– Pois hoje são poucas as operações que podem ser feitas apenas no caixa – respondeu o funcionário.

_____Poucas...? O que minha mãe havia ido fazer, só poderia ser feito no caixa. E eu acho que nem todos naquela fila eram masoquistas (mesmo achando que o dono do banco pode ser sádico). Só que o funcionário ainda completou.

_____– Sem contar que nós ainda tivemos que tirar o espaço dos caixas para o nosso atendimento preferencial, os Serviços Van Gogh – e, realmente, a parte destinada aos Serviços Van Gogh estava cheia de funcionários prontos para atender algum cliente que por acaso aparecesse.

_____Ah, entendi. Mesmo com todos os cliente pagando, apenas os clientes VIPs podem ser bem atendidos. Apenas aqueles que pagam um extra e têm uma “remuneração mensal acima de R$ 4 mil ou com investimentos acima de R$ 40 mil”. Parece tão absurdo quanto uma editora ter de pagar “para que um livro ocupe espaço nobre em... preciosas estantes e vitrines [de livrarias].”*

_____O Cardoso e o Noronha podem aprender muito com bancos assim. Já pensaram, rapazes, em disponibilizar apenas algumas linhas por dia dos textos de vocês escrevem para os leitores pobres e os textos completos, no mesmo dia, para os leitores VIPs? Os leitores VIPs ainda podem ter o direito de conversar diretamente com vocês pelo MSN. Os pobres podem escrever uma carta (os comentários mal-humorados do Cardoso ele pode disponibilizar para todos ;-)).

_____Os clientes VIPs, os clientes Van Gogh têm sempre uma orelha do banco (ou do blogueiro) para dar atenção a eles. Os clientes normais (que também pagam nos bancos, vale lembrar) não têm nenhuma.

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* Jornal O Estado de São Paulo, retirado do artigo “Eu sou baixinho!”, do Branco Leone.

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