18 junho, 2009

O arcaico pensamento dos museus

_____Muitas palavras do mundo tem significados lindos escondidos no próprio nome. Museu é um ótimo exemplo. Seu significado primevo é, simplesmente, “Templo das Musas”. As musas gregas eram as divindades protetoras das artes e das ciências, elas que inspiravam as criações, que auxiliavam nos estudos. A ideia combina perfeitamente com os próprios museus – pelo menos na teoria.
_____Um local que valoriza o estudo, que inspira o aprendizado, deveria fazer de tudo para auxiliar estudantes e curiosos que pretendem adquirir mais conhecimento. Se não fosse assim, um museu não teria porque ser conhecido como a Casa das Musas.
_____É claro que certos padrões de normas são necessários para a manutenção do museu. Entendo que flashes fotográficos diminuem a vida de certos objetos, eu estudei um pouco do assunto na faculdade. Manter o silêncio ajuda algumas pessoas a apreciar melhor o que existe no local. Seguranças e faixas para impedir que seres maleducados toquem nos objetos são compreensíveis. Mesmo assim, uma grande atenção deve ser tomada para que as medidas de proteção para o bom andamento do museu não atrapalhem seu objetivo primordial.
_____Proibir fotos sem flash, por exemplo, até hoje me parece algo estranho. Uma foto simples faz tanto mal para um objeto antigo quanto um olhar. Mesmo sendo absurdo, é algo que os frequentadores de museus já se acostumaram. Outro dia, entretanto, fiquei boquiaberto ao entrar no Museu de Arte Sacra de São Paulo e descobrir que, lá, os blocos de anotações são proibidos.
_____Por que diabos uma instituição que procura fazer com que seu público aprenda algo proíbe a entrada de bloquinhos de anotações? Eles têm receio que as malévolas páginas do bloco se soltem e ataquem as desprotegidas antiguidades? Existe algum perigo concreto quando os frequentadores anotam – Oh, Céus! – informações sobre as obras?
_____A direção do Museu deveria acordar. Não é porque eles tomam conta de um museu que eles deveriam ter um pensamento retrógrado.

5 comentários:

  1. Tenho a impressão que isso se deve ao lixo gerado por folhas arrancadas do bloquinho, afinal, ninguém quer frequentar um museu sujo. Mas isso deve ser só muita fé na inteligência humana de minha parte, visto que existem tantas outras formas mais eficientes de se produzir lixo, e um bloco de anotações seria mais útil que nocivo.

    Ou então pode ser pra forçar o visitante a voltar caso ele se esqueça de alguma coisa. Não vejo muitas razões que façam mais sentido pra uma proibição dessas...

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  2. Eu fui em dois grandes museus americanos em março (Natural History e MoMA). Nos dois museus eu pude fazer o que quis com minha câmera fotográfica.

    Já no Malba, que visitei em 2007, não podia tirar fotos.

    Mas não poder usar BLOCO DE NOTAS, algo que ajudaria o frequentador a se interessar ainda mais sobre as obras que estão expostas, é realmente muito RE-T__-___-DO =)

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  3. Ah! "Por Clio". Depois de um texto tão bom... não merecemos ter que ler um comentário do tipo "ninguém quer frequentar um museu sujo"... isso não é uma desculpa cabível... algo ilógico, ignorante e ridículo!
    Então, não produziremos mais papel pq pode sujar a cidade???. Ou, será proibida a venda de balas balas por que você poderá jogar o papel no chão... faça-me o favor, né?!
    Estou curiosa e intrigada com a informação contida no texto que aliás, está ótimo. Parabéns!

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  4. o.O Eu juro que não li isso
    as folhas assassinas??
    nossa que falta de lógica, quando for lá perguntarei porque não posso levar meu bloquinho, não nehuma razão aparente pra essa proibição ou talvez eles achem que vamos riscar o museu com o lapis ou a caneta, isso foi muito incoerente, a maioria dos museus que fui podiam usar máquina sem flash, mais essa me confundiu pq proibir, nem o google tem essa resposta.
    E acho que temos educação o suficiente pra nao jogar as folhas no chão , naum digo todos vao fazer isso mais se alguem naum respeitar, vão ser poucos um ou dois talvez.

    O que mais me intriga ainda e como o Ulisses tem tempo para cuidar do blog e dar aulas incriveis:) conta o segredo vai?
    Parabéns pelo texto

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  5. soprou um vento de junho dizendo que aonde há Luz, ainda existem musas em museus.

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