26 agosto, 2009

Enigma literário

_____Ser historiador é interessantíssimo. Por mais que se saiba de alguma parte do passado, sempre existe um detalhe que escapa, alguma interpretação que pode trazer novos vieses. A qualquer momento podem descobrir um novo documento histórico e tudo o que se sabia sobre algo mudar. É como o trabalho de um detetive, sem a desvantagem iminente de se levar uns tiros.
_____Entra aí, também, o meu gosto por desvendar enigmas. Sempre me divirto descobrindo de tudo, mesmo as coisinhas mais bobas. Adoro formular hipóteses sobre qual das personagens vai morrer no início de um filme, fico interessadíssimo com explicações sobre poemas e – de Sherlock Holmes a Guilherme de Baskerville, de House a CSI – babo por boas histórias com mistérios a serem desvendados.

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_____Aproveitei uma horinha livre no trabalho e fui, completamente despreparado, para a Casa das Rosas. Para minha sorte, uma surpresa bastante agradável me esperava por lá: Jun Yokoyama está exibindo alguns trabalhos na exposição Imagine – GraphiGrama e Flash Stories. Até então, se minha memória não me trai, nunca havia ouvido falar do artista. Mesmo assim, como a exposição estava na Casa das Rosas, também conhecida como Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, entrei com a esperança de encontrar algo do meu interesse.



_____Assim que pisei na primeira sala, dei de cara com a imagem de umas chamas com algumas letras um pouco acima. Entre as letras, as seis primeiras unidas eram minhas velhas conhecidas: “GOETHE”, o nome do autor dOs sofrimentos do jovem Werther e de Fausto. Pouco abaixo da figura, um rascunho de explicação, um pequeno esquema utilizado por Jun para produzir a obra.




_____Parando um pouco para pensar, seria fácil ligar o nome de Goethe e do fogo com a história de Fausto fazendo um pacto com o Demônio. Com algum esforço, talvez eu até conseguisse tirar um ou outro detalhe extra de lá. O fato é que aquela guisa de explicação abaixo da obra havia tirado todo o enigma da minha mão.
_____Como o resto da exposição trabalhava com o mesmo esquema, caminhei com mais cuidado. De cada obra que me aproximei, fiz questão de só olhar primeiro apenas para a figura. Tentava descobrir a qual autor Jun se referia. Se descobria ou se a resposta era evidente, tentava descobrir porque o artista havia montado a imagem daquela forma. Só então eu olhava a explicação e ficava sabendo se algo me havia escapado. Meu pequeno mistério literário. No fim das contas, eu me diverti tanto que quase perdi o horário.

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_____Os leitores paulistanos que gostaram da brincadeira têm até o dia 28 para ir resolver os enigmas literários na Casa das Rosas. Quem não é de Sampa pode se divertir no site do artista.
_____Como amostra grátis, deixo abaixo mais um dos trabalhos de Jun. Não é difícil para quem gosta de Literatura. Olhem e pensem.



_____Uma graça, não?
_____Para quem não conseguiu, dá para ver o rascunho da resposta aqui. Como extra, deixo para os detetives menos talentosos o conselho para que passem, também, por aqui.

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