11 abril, 2013

O segredo do sucesso

___Comecei a namorar a minha esposa em 2005. Na época ela morava quase em frente ao Hospital Igesp. Hoje, apenas minha sogra mora lá.
___Por conta proximidade, pude acompanhar, da rua, as mudanças no hospital. E, desde 2005, a Igesp cresceu bastante. O hospital se tornou dono de uma parte maior do quarteirão em que foi fundado, praticamente dobrou de tamanho. Comprou, também, várias casas em quarteirões próximos.
___Eu sei que saúde, como negócio, pode ser bem lucrativo, mas era só esse o segredo do crescimento da Igesp?


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___Meu abril de 2013 começou com uma manhã tranquila indo ao trabalho. Chegando lá, do nada, comecei a sentir fortes dores. Com o passar dos minutos, o meu quadro apenas piorou. Por conta disso, uma professora muito atenciosa acabou me levando ao Hospital Santa Isabel, da Santa Casa.


Santa Casa, por Quino


___Cheguei lá completamente transtornado, sem nem conseguir falar direito. Mesmo assim, fui diagnosticado rapidamente, recebi um analgésico na veia e comecei a me sentir melhor. Todo o tempo, enfermeiras vinham ver como eu estava. Para confirmar o diagnóstico, procurar mais algo de errado e ver o que era necessário fazer, fizeram exame de sangue, urina, ultrassom. Depois no ultrassom, não ouvi um “É uma menina!”, mas, sim, “Você está com uma pedra no rim.”.


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No meio do rim tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do rim
tinha uma pedra
no meio do rim tinha uma pedra.
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Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minha lombar tão fatigada.
Nunca me esquecerei que no meio do rim
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do rim
no meio do rim tinha uma pedra

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___Em casa, tentando repousar, tive outra crise de cálculo renal. Acreditando já saber do que se tratava, tomei remédio e tentei ficar no meu canto até melhorar. Algumas horas – e o banheiro vomitado – depois, tive de ir para o hospital. Dessa vez, acompanhado da minha sogra, acabei indo parar na Igesp.
___Cheguei ao hospital bastante mal e me amaldiçoei por não ter em mãos os exames que já tinha para mostrar aos médicos. Como demoraram bastante para me atender, eu piorei e, quando cheguei ao médico, não consegui falar para lhe passar as informações que eu tinha.
___Recebi um forte analgésico na veia e fui deixado em um canto. Com exceção do momento em que o médico me atendeu e do instante em que o enfermeiro colocou o remédio no meu braço, ninguém mais se dirigiu a mim para nada, nem para ver se eu havia reagido bem ao analgésico.


ERRARE HUMANUM EST, por Quino


___O soro acabou, sangue começou a voltar pelo tubo e eu, meio grogue, fiquei esperando. Depois de mais de uma hora sem ninguém olhar para mim, tentei chamar algum enfermeiro. Não foi fácil, acho que o número de enfermeiros não é o bastante para dar atenção aos pacientes.
___Fui encaminhado novamente para o médico que disse que não dava para saber com certeza o que eu tinha, que provavelmente era pedra no rim. “Vá para casa e tome tal remédio. Se você voltar a sentir uma dor muito forte, volte aqui.”. Assim mesmo, sem nenhum exame feito, sem nenhuma atenção dispensada.


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Médico que resolve, por Quino


___A conta, para mim, foi exatamente a mesma em ambos os hospitais. O gasto com o paciente, entretanto, foi bem diverso. Acho que eu descobri como o Hospital Igesp cresceu tanto desde 2005.


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Nota: As imagens que ilustram esta postagem são do maravilhoso Quino, o cartunista argentino autor da Mafalda, e fazem parte do livro Quinoterapia. Aproveito esta nota para agradecer a querida Marili, que me mostrou que o Quino não fazia tiras apenas da Mafalda.


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