21 fevereiro, 2014

Censura: uma faca de dois gumes

___A censura, para o censurador, é sempre uma faca de dois gumes. O resultado dela pode ser exatamente o que o censurador queria – e aquela obra, aquela fala acaba por desaparecer completamente. Infelizmente, esse foi o caso, por exemplo, de alguns dos escritos de Pedro Abelardo, queimados no século XII. 

Censura, por Luis Quiles

___Por outro lado, censurar pode servir como uma fantástica propaganda. A tentativa de censura atrai a curiosidade e a obra acaba atingindo um público completamente novo. 
___Não é apenas a curiosidade que causa esse efeito anti-censura. Incomodados, os apreciadores da obra censurada a espalham, fazendo com que a sua mensagem tenha mais audiência do que poderia se esperar inicialmente. 
___É exatamente esse último efeito que eu – e muitos outros – estamos causando agora ao divulgar por aí o ótimo vídeo que o Patrícia Rafucko Poeta fez comentado o editorial do Jornal Nacional. Vídeo que as Organizações Globo conseguiram censurar com a tosca desculpa do copyright.* 


___Diga-se de passagem, não apenas o vídeo acabou mais divulgado, como, também, os ótimos links selecionados pelo Rafucko: Globo exalta a ditadura (1975), O mantra “vandalismo”, A prisão de Arthur Couto: o que realmente aconteceu e Rede Globo mente sobre protesto.
___Caso as Organizações Globo, a PM ou o Nicolau Eymerich não tenham apreciado este texto, tenho uma sugestão: tentem censurá-lo. Acho que, agora, conseguir um efeito censura medieval vai ser um pouco mais difícil. 

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P.S.: Aproveitando, vale linkar também o texto “O bloco dos Desobedientes”, de Pablo Ortellado. Uma das melhores análises que eu li na grande imprensa sobre o fenômeno do black bloc.

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* E antes que alguém defenda o copyright da Globo, vale dar uma pesquisada no que é fair use.

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