21 dezembro, 2010

Conhecendo as Lendas

___Mesmo empreendendo exaustivas pesquisas, mesmo admirando certas personagens históricas, um historiador normalmente não pode se aproximar dessas figuras. Não estou falando de historiadores buscando isenção em meio a uma pesquisa biográfica, estou falando de não poder se aproximar por pura impossibilidade material de alguém do século XXI d.C. chegar perto de, digamos, Sócrates, que viveu no século V a.C.. Ainda que o pesquisador conheça muito da vida do filósofo, mesmo que tenha certeza sobre suas intimidades e a sua cara feia, a aproximação é sempre parcial. O contato real, pessoal, nesse caso, é impossível.
___Imaginem então um contato bem direto: tocar Sócrates, conversar com ele, sentir seu cheiro. Quem sabe até passar uma receita de cicuta com uma rodela de limão. Impossível, certo?
___Pois bem, podem me criticar à vontade. Podem dizer que sou metido, que danço mal, que maltratam prisioneiros em Guantánamo com a comida que eu cozinho. Mas, ninguém pode questionar meu talento como historiador. Não estou falando do fato de que consigo entreter os alunos, deixá-los interessados e que, nas minhas aulas de História, todo mundo aprende. Não vim aqui para falar de aulas, mas, sim, de contato com personagens históricas. Digo: como historiador, ontem, tive mais contato com duas importantes figuras históricas do que muito pesquisador veterano.
___Eu conversei com Sócrates, andei ao seu lado, ele me fez perguntas, flertou comigo e até sentou no meu colo.
___Sim, mas não foi só ele. Eu disse duas importantes figuras históricas. A outra, é uma figura histórica contemporânea, que qualquer historiador ainda pode entrar em contato. Uma lenda viva, um dos mais importantes nomes do teatro nacional: José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso.
___Sabem o que o Zé Celso fez? Conversou comigo, andou ao meu lado, me fez perguntas, flertou comigo e até sentou no meu colo. Ontem, no Teatro Oficina, assistindo ao Banquete, tive o privilégio não só de ver uma ótima peça, como, também, de conviver, por algumas horas, com duas importantes figuras históricas – Sócrates e Zé Celso – no corpo de um homem só.


Zé Celso/Sócrates

4 comentários:

  1. desfecho ideal depois daquela raiva (merecida pra eles) de atores! :P
    ah! por falar em gênio que todos queremos tocar, dia desses vi o laerte a dois passos de mim; muito adequada a série que você me recomendou dele. :)

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  2. A loja do filho do Laerte é perto do consultório do meu pai. Tb vi o Laerte outro dia. Ele é um doce de pessoa.

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  3. Essa foto é muito bonita!

    Eu assisti às Bacantes (só metade, não deu pra ver inteira). Achei uma releitura interessante, mas achei o começo muito apelativo ):

    Que achou d'O Banquete?

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  4. Como eu disse no texto, O Banquete é uma ótima peça. Achei que a montagem foi fabulosa. Conseguiram mesmo montar um banquete, mantendo a temática grega e trabalhando com elementos contemporâneos. Para quem leu o livro do Platão é realmente imperdível. Para quem entende de Antiguidade, tb é bem válido.

    Qto às Bacantes, infelizmente eu não vi. Porém, qto a ser apelativo, deixe-me apresentar alguns elementos:
    1) É uma peça do pessoal do Teatro Oficina. Eles são famosos por fazer o q a sociedade acha q é “apelar”.
    2) É uma peça grega, sobre Dionísio... dava para não ser “apelativa”? É uma peça de uma sociedade diferente, uma sociedade q não via sexo e nudez como algo errado. É uma peça sobre Dionísio, o deus da bebida, das festas/bacanais, do sexo... Dava para representar isso direito sem ser assim? Apelativo, para mim, seria encher a peça dos nossos preconceitos e fingir q isso não existia em outras épocas.

    Claro, sem dúvida, como todos sabem, eu sou um maluco e devia estar preso – provavelmente na mesma sala q o Zé Celso – esperando para tomar cicuta. ;-)

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