26 janeiro, 2013

I Charleston the World - SP

___Existem vários tipos de estilos de dança. Alguns são sérios, outros são brincados. O lindy hop se encaixa, sem dúvida, na segunda categoria. Tanto que não é difícil encontrar vídeos divertidos de gente dançando swing em tudo que é canto do mundo.


___Um bom exemplo disso é a série “I Charleston the World” – em que hoppers*, em diversas cidades do globo, gravam passos clássicos utilizados no swing. O mais interessante é que se trata de grupos de dançarinos que não conhecem os hoppers dos outros locais, que não combinaram regras para os vídeos, nem nada do tipo. O resultado costuma ser bem bacana.


___Vejam o caso de Herräng, na Suécia.


[embed width="500"]http://www.youtube.com/watch?v=CnYDje140oU[/embed]


___Ou, então, o exemplo de Tel Aviv, em Israel.


[embed width="500"]http://www.youtube.com/watch?v=QNppCfa_oRs[/embed]


___Para vídeos de outras regiões do mundo, fica o link de um mapa com muitos outros exemplos.


___Por fim, a notícia nova. Tão nova que ainda nem consta no mapa que eu linkei acima.


___A primeira cidade ao sul da linha do Equador a montar um “I Charleston” foi São Paulo. Fiquem com o vídeo.


[embed width="500"]http://www.youtube.com/watch?v=DGV-UgYTy5w[/embed]


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P.S.: Quem está cantando no “I Charleston” paulistano é a maravilhosa Blubell. A parte de dança foi organizada pelos já elogiados Hopaholics.


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* Nome utilizado para se referir a quem dança swing lindy hop.


 

25 janeiro, 2013

Nunca vai acontecer comigo

___É fácil pensar em si mesmo como exceção, imaginar que você está imune a certas coisas. Certa manhã, você liga o seu computador, entra no facebook e vê que um dos seus contatos, alguém por quem você já teve muito carinho, compartilha algo assim.


Cartaz preconceituoso - pai gay


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___Antes que perguntem minha reação, aqui vai.


___A princípio, fiquei simplesmente triste, mas não abri minha boca (cabeça quente não ajuda). Em seguida, compartilhei alguns links (talvez um reflexo do meu gosto por ser professor). Depois disso? A vida segue.


 

14 janeiro, 2013

Grandes poderes trazem grandes responsabilidades

___Acho sempre muito interessante como as pessoas conseguem desenterrar coisas pela internet.

___Na postagem em que eu falei sobre policiais agredindo os skatistas, o leitor Lux deixou um comentário linkando outro vídeo. Trata-se de uma reportagem, de outubro de 2012, sobre guardas agredindo um camelô. O interessante é que o policial que agride o camelô de maneira mais pesada é exatamente o mesmo infeliz que foi o mais escroto na ação contra os skatistas.* Confiram (primeira aparição aos 27”):


___O jornalista Felipe Rousselet, no bem acessado Blog do Rovai, além de divulgar esse vídeo, também revelou o nome do policial. O serviço dos frequentadores da rede foi completo: conseguiram até tirar um print do facebook do sujeito (já fora do ar).

Policial-criminoso

___É bom saber quem é esse policial-criminoso? Claro. É bacana que achincalhem um idiota desses? É, é bacana sim. No entanto, também é bom lembrar o sábio conselho de Ben Parker. É necessária muita atenção com esse poder todo da internet. Como o próprio Luciano Medeiros já demonstrou, é fácil deixar o poder subir à cabeça e fazer merda por aí. A transição de mocinho para bandido é bem rápida.

___O passo entre divulgar o nome de alguém e passar o endereço para se apedrejar a casa da pessoa é bem pequeno. Foi mais ou menos isso que fez o Coronel Telhada, outro policial-bandido, atualmente vereador pelo PSDB. Ex-comandante da ROTA e com mais de 90 mil seguidores no facebook, Telhada não aceitou bem o ótimo trabalho do repórter André Caramante e incitou seus asseclas contra o pobre jornalista. Como resultado, Caramante e sua família tiveram de deixar o país.

___Criticar é imprescindível, denunciar é importantíssimo, mas é necessária muita atenção e responsabilidade. Ou alguém que denuncia gostaria de ser tão criminoso quanto o policial Luciano Medeiros e o Coronel Telhada?

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Leitura recomendada: O Reino do Amanhã, de Mark Waid.

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* Como bem ressaltou Felipe Rousselet, “Qual o motivo para ele, nas duas agressões em que foi flagrado, estar sem farda e identificação?”. Depois de agredir cidadãos em mais de uma oportunidade, essa é realmente uma questão que não deveria ficar sem resposta.

12 janeiro, 2013

09 janeiro, 2013

O problema não é a vítima

___A semana começou com uma notícia de policiais agredindo a população. O caso ganhou repercussão por conta deste vídeo.


___A atitude dos policiais foi escrota e exagerada, o próprio retrato de um grupo mal treinado, reacionário e acostumado à impunidade.* No entanto, falar isso é chover no alagado. Qualquer pessoa que consiga dizer algo além de “Senhor. Sim, senhor!” conseguiria produzir a mesma reflexão. Meu objetivo é apontar outro elemento: o ataque às vítimas.

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___Em geral, os skatistas fazem parte de um grupo marginalizado. Sendo um esporte praticado muitas vezes por membros das camadas mais pobres da população, a associação – feita tanto por policiais quanto por cidadãos em geral – “skatistas = marginais” não é incomum. Como resultado, eles acabam vistos como párias.

___Quando um incidente como o desse abuso policial acontece, a rapidez para se esquecer o problema e atacar os marginalizados é impressionante. É possível ver isso na área de comentários de quase qualquer notícia. Também é possível perceber isso nas próprias notícias. Só para mostrar um exemplo, veja como foi dada a notícia no SBT.**

___Primeiro, assistam o vídeo da reportagem.

___A reportagem começa falando de “conflito entre skatistas e guardas civis em São Paulo” (2” a 4”). Entretanto, citando o grande Idelber Avelar, “se você vir um garoto de 15 anos sendo espancado por cinco brutamontes, você dificilmente usará a palavra ‘conflito’ para descrever o que acontece.”. Digam-me, caros leitores, é possível utilizar a palavra “conflito” para descrever um grupo de jovens sendo intimidados e agredidos por brutamontes armados? Armados com cassetetes, com armas de efeito moral, com armas de fogo e, vale lembrar, armados com todo o poder estatal por trás***.

___É de uma desonestidade monstruosa alcunhar aquela situação como “conflito”. Algo desse tipo só se torna aceitável por se tratar de pessoas rejeitadas socialmente.

___As coisas pioram. Na continuação, a apresentadora diz que “As imagens mostram um guarda a paisana agredindo um jovem.” (8” a 13”). Um? Um guarda? Um jovem? Eu vi um guarda a paisana sendo mais agressivo, mas vi vários guardas agredindo várias pessoas que apenas os questionavam ou acompanhavam os acontecimentos. Eu vi agressão e abuso policial.

___O primeiro parágrafo do texto que legenda o vídeo da reportagem diz o seguinte:



“O motivo do conflito foi a Praça Roosevelt, em São Paulo, reformada há poucos meses. Conforme foi mostrado por um vídeo publicado por um dos skatistas envolvidos, um homem da Guarda Civil Metropolitana à paisana agrediu um skatista que andava na praça. Segundo o próprio autor do vídeo, os guardas, que estavam no local, pediram para que os jovens não andassem pelos bancos da praça.”


___Tirando alguns dos pontos que eu já analisei, o texto acrescenta que “os guardas, que estavam no local, pediram para que os jovens não andassem pelos bancos da praça.”. Além de deixar claro que os policiais foram educados (já que eles “pediram”, não “mandaram”), o texto nos leva a entender que os skatistas não quiseram parar de depredar o patrimônio público, de andar “pelos bancos da praça”. Em outras palavras, o desrespeito dos skatistas é que causou o “conflito”. E aí está: a culpa pelo problema foi atribuída às vítimas.

___Os skatistas devem utilizar corrimãos das escadas e bancos da praça como obstáculos? Mesmo sabendo que existe um parque próprio para a prática de skate a menos de 30 minutos de ônibus da Praça Roosevelt?**** Os skatistas devem depredar o patrimônio público? É fácil responder “não” para qualquer uma dessas questões. Diga-se de passagem, são questões importantes, que devem ser feitas, discutidas, pensadas. O problema é que elas não cabem em uma reportagem sobre agressão. São pontos que podem e devem ser levantados, mas que não servem de maneira alguma para justificar a agressão da polícia. É literalmente a falácia do “post hoc ergo propter hoc”. Abaixo, uma explicação do Clarion:

___O texto que legenda a reportagem ainda diz que “como é mostrado no vídeo, a GCM usou agressão verbal e spray de pimenta para evitar o tumulto entro os skatistas.” (sic).

___É necessário um quadro gravíssimo de DDDA***** para conseguir enxergar o “tumulto” que a Guarda Civil Metropolitana tentou “evitar”. Assistindo ao vídeo, pareceu que os guardas simplesmente perderam a paciência e saíram xingando e temperando com spray de pimenta quem estivesse por perto. Policiais que, vale lembrar, tem como suas diretivas básicas proteger os inocentes.

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___Caso tenha ficado difícil perceber o quão sujo é atribuir a culpa à vítima, vou utilizar a ficção – com um exemplo extremamente exagerado e bizarro para deixar tudo bem claro.



___Ao entregar as provas para os alunos, a professora Maria Y. ralha com o aluno Dexter, dizendo que ele tem de prestar mais atenção, parar de chegar atrasado, estudar mais. No meio da bronca, Dexter saca uma pistola e dá 5 tiros na professora.

___Obviamente, o colégio fica em polvorosa. Alunos assustados, reunião de pais, policiais e jornalistas na porta. Uma confusão.

___Depois de muito desespero a mãe da aluna Débora consegue encontrar a filha. Tremendo, ela abraça a menina e pergunta o que aconteceu. Débora responde:

___– Aquela grossa da professora de Matemática estava gritando com um aluno e ele reagiu. Se ela não fosse tão encrenqueira, pode ter certeza que o Dexter não teria feito o que fez.


___Percebeu? A mãe perguntou o que havia acontecido e como a aluna Débora odiava a professora de Matemática, o foco da explicação foi as atitudes “erradas” da professora. Exatamente como as pessoas que veem os skatistas como marginais descrevendo a agressão policial ocorrida na Praça Roosevelt.

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___Longe de mim dizer o que pode ou não ser falado. Como eu disse, as questões ligadas às atitudes, direitos e responsabilidades dos skatistas devem ser discutidas. No entanto, essas reflexões não podem maquilar um caso de abuso de autoridade, essas discussões não podem servir como justificativa para uma agressão policial.

___A vítima não é a culpada. E se você acha que o problema é a vítima, lamento dizer, mas o problema é você.

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* Reminiscência do Regime Militar.

** Não falo do “trabalho” da Veja porque é quase covardia desconstruir o que é produzido nesse pasquim; não comentarei a notícia vinculada na Globo, pois já humilhei o canal em outra notícia policial. Mesmo assim, a análise feita sobre notícia do SBT também encaixaria facilmente nas notícias da Veja e da Globo.

*** Armados com o poder estatal, os policiais têm o monopólio da violência. Ninguém mais pode cometê-la. Isso, mais do que qualquer outra arma, os protege. Veja, por exemplo, o caso da jornalista Mariana Albanese que, ao reagir a uma agressão policial, foi autuada por lesão corporal e desacato.

**** O Parque Zilda Natel.

***** Distúrbio Direitista de Déficit de Atenção.

06 janeiro, 2013

Presépio: como fazer

___Como hoje é Dia de Reis, dia de desmontar presépios e enfeites natalinos, vou relatar um pequeno diálogo de fim de ano.


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Presépio


___Casa de uma amiga, cerca de uma semana antes do natal.


___Eu estava a olhar o presépio que ela havia montado perto da porta de entrada.
Ela: Gostou?
Eu: Sim, está bonito. A Maria e o José, os reis magos, o presépio com uma vaca e um burrinho. Mas... não está faltando Jesus?
Ela: Você não sabe, Ulisses? O certo é só colocar o Menino Jesus no dia 25, quando ele nasce.
Eu: Jura?
Ela: Claro. Nunca viu fazerem isso?
Eu: Nunca... E, se for assim, melhor refazer o presépio.
Ela: Por quê?
Eu: Oras, se é para colocar Jesus só quando ele nasce, então agora deixa montado só o presépio com a vaquinha. No dia 24 você coloca o José, a Maria e o burro. No dia 25, Jesus. E os reis magos você coloca só no dia 6 de janeiro. Diga-se de passagem, coloca e já desmonta.


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P.S.: Aproveitando o tema, saibam que o Museu de Arte Sacra de São Paulo tem uma ala com uma exposição permanente de presépios. Vale muito a pena.


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Nota: Texto livremente inspirado em um café com o Fabio Ferreira.


 
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